sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Imagem do dia!


 

Fim de Carnaval

Deliro sobre tudo aquilo
que não posso ter e nem posso tocar
eu viro o mundo de ponta cabeça
pra que não mais me esqueça
eu preciso voltar

Voltar pros braços teus agora
que se eu fui embora já nem lembro mais

Voltar pros braços teus agora
que se eu fui embora já nem lembro mais

É quarta-feira cinza doce e morta
fim de carnaval, parece que acabou,
e eu deslizo pela rua a fora
já nem sei das horas, nem quando começou;

Preciso mesmo é de você comigo
não te ter é o castigo que guardo pro fim
porque quando a cortina enfim se abre
na plateia eu vejo só os seus olhos em mim

Eu quero é voltar pros braços teus agora
que se eu fui embora já nem lembro mais

Quero é voltar pros braços teus agora
que se eu fui embora já nem lembro mais

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Azulão

Um poema escrito num papel de carta que, desatentamente, eu usei pra imprimir um mapa.

Me guiou de volta pro seu coração e te tirou de novo de dentro de um canto escuro, bem onde eu te guardava, esquecida e escondida de tudo.

Me deu uma cor, tirou o chão — o seu azul e o meu verde portimão.

Um acidente bobo num dia cinza e torto me trouxe as tuas vistas descritas pelas linhas.

E as flores mais bonitas, o azul do almeirão… O amor-perfeito azul, aquele, azulão.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Imagem do dia!


 

Desfile

O féretro com minha alma
desfila pela noite escura,
a vida do caçador,
o espelho refletindo as rugas.

Desisto sob o sol de maio,
desisto sob a luz da lua.
Eu não cobro por um olhar de cura,
sou um sátiro te querendo nua.

Sou bicho de verdades cruas,
não me aflijo por qualquer sentença.
Tenho medo quando não me acho,
eu sou dono do que você pensa.

Me encalacro como em sinuca,
quase nunca me deixo sonhar.
Todo dia é dia de festa,
toda festa sempre faz chorar.

O féretro com minha alma
desfila pela madrugada,
procura pelos corpos vivos,
destrona rainhas infundadas.

Eu sigo pelo sol de maio,
eu sigo sob a luz da lua,
cobro caro por olhares puros,
sou um sofista que vende rascunhos.

Um sábio de verdades rasas,
vivendo num baile de máscaras,
procurando o que foi perdido
e perdendo-se junto da própria alma.


Largamundo

Hoje,
o que escrevo de nada vale.

E ainda escrevo pouco,
sem inspiração,
sem transpiração,
sem brilho no olho.

Não me faltam grandes tragédias,
nem pequenas paixões.
Não é culpa do senhor das esferas,
nem dos vícios tolos desta elite rastaquera.

A culpa é minha
e deste crônico desinteresse.

Destas dores todas de quem nada sente,
desta alma rota,
rendida ao abatimento de sempre.

A culpa é, sem dúvida,
desta coisa que me faz ser eu
— e, sobretudo, deste eu tão fajuto,
tão vago e largamundo.