Os canalhas mais sinceros tem perdão,
é o que as luzes da cidade dizem.
Os poetas inquietos, não,
é o que dizem as meninas tristes.
As saudades mais terríveis falam,
o que as dores mais serenas fazem sentir,
e as coisas mais exatas mentem
como as tristes serenatas cantam.
Pra fazer dormir, os homens mais doentes
e as mulheres mais tementes á Deus,
nas fábulas escritas por ninguém,
nas cítaras tocadas por um Deus, menor.
E as saudades, sim, são elas que nos fazem sonhar
lembrar do que devíamos ser,
e das coisas que nos fariam melhor.
Mas, é como os canalhas dizem,
não devemos desaguar,
como os sambas mais serenos cantam,
só devemos esperar...
E deixar que os poetas cantem,
que se inspirem pelo mar,
Pra que as meninas tristes sintam,
o dever de perdoar.
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