segunda-feira, 20 de junho de 2011

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O Adeus

Nesse teatro de fantoches tudo agora me incomoda
Nessas velhas repetidas cenas
Esses luxos, esses pobres ricos de agora contando e limpando o sangue

Tapetes, quadros, filhos
Sociedades, inverdades, suicídio

Sacadas se confundem com trampolins pro mar de gente
Passagem só de ida pro asfalto quente...

E ouço agora aqueles risos, aqueles de maldade
Pra guardar e depois lavar o sangue na calçada
Quem se matou, já estava morto, semimorto fugindo dessa caçada

E nesse momento, compro silêncio!
Pago caro pra levar, pra manter a pose e não matar ninguém.

Por que enquanto nego pensa em casa própria, vendendo a alma em vida sem saber
Perdendo aquele olhar, aquele olhinho que brilha sem querer

Eu vou viajando nas propagandas, e só vejo opacidade em alma,  gente pronta pra sumir
Vejo inocência e legitimidade na jaula, campos de concentração na sala de aula...

Mas agora os mares revoltos da minha mente, me levam pra outro lugar
Clamam, pedem por descanso
Pedem que eu encontre um canto, que emita algum canto que me acalme, enquanto parto dessa pra melhor.

E depois disso fatalmente não me sinto nada bem
Continuo meio vira lata, meio perdido, sem queijo nem faca...

Esperando que cortem as cordas desse maldito teatro de vampiros

Esperando que larguem minha alma e deixem que essas asas voem livres...

Sem mim, pois não sou anjo, tomei gosto por ser humano
Por ser errado e lindo e certo
Por ter verdades que só a mim fazem sentido

Entrando em transe sem poder, sem ter aonde segurar, correr
Sem pés, nem pás, nem PAZ... Sem buraco pra esconder.

Toda discórdia que agora escorre, a inveja, a escória, é morte
E vejo agora que o mundo é forte por segurar sozinho meus pensamentos
Por realizar sem pausas todos esses meus lamentos...

E então eu sigo, sigo, sigo...

Mas a rotina de um homem, pode ser sua carta de suicídio...
O tempo pune, não se engane.

Tic, tac, tic, tac... Tic, tac, tic, tac...

Esse é o som do filho pródigo que se vai pra não mais voltar
e do vale do silêncio que ecoa... Voa! Voa! Voa!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Perdidas

A noite clara agora cai sob o véu de verdades que habitam no escuro
e esse céu de estrelas, o chão de pedras portuguesas
as vestes cores de turquesa e a noite que não mete medo assim

Gritam, vai tua vida
esquece o chão que pisa e vive o céu que idealiza
cai feito estrela cadente, realiza desejos,
todos os teus medos tesos, indecentes.

Sentes o céu como o chão, vives o amor feito uma eterna rotina
que te reanima a cada dia a cada verso de agonia
a cada momento que só ressalta e salta os olhos

Lembra-te dos teus deslizes, sonhos trópicos
olhares místicos, gestos lógicos, toques pacíficos
nada púdicos, incendiários e solícitos
que te arrastam noite adentro pra junto a corpos quentes
que se entregam, se amam e se negam...

Se fazem justos ao que pregam
o desapego e amor que levam
pros cantos onde se rendem

Onde secretamente temem o tempo
e choram o desalento de amarem sempre sós.

domingo, 12 de junho de 2011

Falas falsas

Já faz tempo e nuvens passam
dias frios trazem lembranças
seus laços, seus traços, as andanças
vontade de viver tudo de novo
mesmo que de viver, pelo tempo eu ainda saiba pouco

Hoje qualquer lugar, qualquer cena à toa que te traga
sela o fim de um lindo dia e o início da agonia de lembrar
de viver a falta que é estar sem você

E mesmo que falsas as falas manjadas de amor
protagonizadas em qualquer dos palcos, sem data, sem hora
vivendo ao vento pra se desculpar, vivendo só do agora

E por mais quente que fosse o olhar
por mais lindo que fosse o lugar

Hoje, tudo gela sem ela

Mesmo no meio da noite, nos sonhos mais lindos que possam chegar
as vezes me forço a deixar de sonhar,
e procuro aquelas pernas, esqueço sua falta, me encolho
me acalmo, recolho meus cacos cansados pra voltar a sonhar...

A lembrar quando um só, eramos nós.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Outros carnavais

Eu só queria ter direito
de deixar você pra trás
de te esquecer igual a outros carnavais

Mas deixar lembranças soltas por ai
só pra poder sorrir de vez em quando

Eu só queria ter uma chance de esquecer
de quem sabe um dia poder voltar e escolher não viver
de morrer jovem pra não remoer pra sempre essa vontade de você...


domingo, 5 de junho de 2011

Seus poemas

Por mais lindo que fosse o dia
e os raios de sol que ele trazia,
os poemas permanentes em teu corpo
se faziam superiores sozinhos,
poentes que contraditoriamente ardiam.

Ardiam o querer,
o quero mais...

Ardiam a vontade de não esquecer,
de parar o tempo e não olhar pra trás.

Hoje sei do tempo que te conheço
mas antes disso não sei porque, dispenso!
Eu renuncio ao prazer de ser só meu,
e vivo dividido em estilhaços,
entre meus prazeres e o fim dos meus desejos.

Por isso sem pensar
eu peço a volta daquelas dores saturnais,
dos nobres vícios que me punham de pé...

Assim, só tenho a continuar por ti,
e acho que falo de conjunto, de de repente
alguém virar meu mundo, ser meu tudo.

Jeito de falar, brigar, chorar
de acordar com os olhos sujos de rímel
e me fazer adorar, sentir falta disso...

Dos olhos mel, sorriso céu,
covinhas essenciais
e curvas tão especiais...

Sinto que por mais lindo que fosse o futuro,
ele estaria sempre menos radiante sem você,
estaria sempre incompleto
como se ainda estivesse por fazer.

E não sei porque essa fissura por futuro,
você já me ensinou tantas vezes o agora,
esse lance clichê de ser eterno jovem e viver de fases,
querer fugir, correr, ir embora...

Esquecer de tudo.

sábado, 4 de junho de 2011

Cinzas

Pra que sofrer de novo
Se esse amor queimou até a ponta

E essas cinzas já não dão nenhuma onda
Tudo que era lindo, agora não conta, não soma, não da pra levar.

Então fecha a conta
e racha por favor...

Não sou mais um cavalheiro
Não te quero por aqui

Não sou mais um cavalheiro
Não te quero mais aqui.

E não adianta contar vantagens
narrar aventuras selvagens, andanças impuras
em noites escuras sem lua no céu... Sem medo!

E não adianta, me dizer com quem anda pra me comover
reacender ciúmes que eu não sinto mais
se vire com teus sádicos e faça amor de salto
faça como quiser, faça sempre o que quiser... Sem medo!