segunda-feira, 11 de julho de 2011

Monólogo à dois

Jogo adeus e olás,
choro momentos sem paz,
sem "mas", nem meias palavras
meço e conto as contidas reaças

De batalhas sem marcos
e erros no edem
de choros, maus tratos,
dos que dão e dos que pedem

Das vestes vou as trapos,
relembro meus tropeços,
e exploro, minto, mato, 
e perco, sem lutar

Contra o cerco dessa social,
que me pega o coração de jeito
e o peito sem hora certa,
ela está sempre alerta, ela está sempre certa

Me pega e eu me apego,
canto e contraponto, poetiso,
me enteatro todo, faço cenas,
julgo e cumpro penas...

Apenas por ela,
pra vê-la em peças singelas,
atuando em cenas
de um monólogo à dois

Só nós dois...

Não desce do salto por nada,
não tem medo das minhas ameaças
seu lema é ser só minha
até dizer que não quer mais

Tão sem mais,
sai de lado dando adeus
com o sorriso que aprendeu,
meu sorriso sempre louco de ateu.

domingo, 10 de julho de 2011

Só mais uma

Ela é mais uma e esse é mais um dia
Daqueles que eu devo me lembrar
O sol queimava e tudo era igual até ela resolver passar

Com aquele biquini estampado e o sorriso safado
De quem queria um pouco mais que um olhar

E sempre consegue o que quer
Queria eu que fosse eu que ela quisesse

Mas se ela quer, como é que eu vou saber?

Ela é mais uma e eu sou mais um
Que entrou pro time que amou por um instante

Ela é mais uma e eu sou mais um
Que se demorou, pensou demais, virou coadjuvante.

Imagem do dia!

Saravá poeta!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Imagina

Imagina a gente se esbarrar por ai
uma troca de olhares, um chopp gelado
e a maldade nas mãos pelo corpo

Se perder na madrugada, passear pelo cartão postal
entre abraços, beijos, e passadas tortas
o anseio de chegar em algum lugar

Pra encontrar
aquela constelação de estrelas
a galáxia mais bonita
esculpida ao meu lado, sempre entre o certo e o errado
eu decidi amar, me deixar levar por você...

Pés descalços pela areia
sorrisos, devaneios de princesa
e todo esse brilho, é o que me faz feliz
o fato de parecer e ser tão diferente assim

Seguro e me seguro para não cair
amo e desamo pra não deixar de ouvir um sim.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Reticências

Um a um vão-se os anos
vão se espelhando no rosto
marcando em rugas a dor e o amor...

Esvanecem pelo caminho os amigos e histórias
esmerilham-se pouco a pouco as memórias
fica tudo pra trás...

E as noite insones tão queridas e vivas
em que as idéias gritavam e se deixavam nuas pra eternizar,
vão ficando raras, vão fazendo a noite se tornar menos amada,
um divórcio longo e sem lágrimas.

Um a um somem os irmãos,
ficam as pedras e o homem só.
As areias em que pisamos jovens
e os velhos hábitos de quem já viveu melhor.

A cidade muda, molda novas visões, intriga outras retinas.
Leva por vezes outras vidas, que inocentes ainda não conheciam seus becos sem volta.

Um a um perdem-se os amores,
faz-se menos necessária a conquista.
E assistimos então o espetáculo do fim da vida!

Onde almas se cruzam, as próximas e as nossas,
ficam por igrejas e outros enclaustros tolos,
onde fabricamos felicidade pra fingir viver sem dor
e trocamos o brilho dos olhos por essa falsa festa,
onde se dança valsa ao som de marcha fúnebre
e comemora-se essa morte lenta a dois que vira um prêmio do acaso.

Um a um dobram-se os joelhos,
vestem-se os ternos de cerimônia.
E se inicía o martírio familiar onde o morto é amado e tão doce,
antes fosse sempre assim...

Mas hoje em passos lentos, sob o sol do fim da tarde
vejo que meus ensinamentos são pouco fundamentais
há anos sou só e coadjuvante sem agonia do meu definhar.

Onde por fim, serei pedra, pó, planície
e uma vida inteira poderá se fazer assim
lapidada num epitáfio curto e com reticências...

sábado, 2 de julho de 2011

Sabor

Eu penso o tempo todo em dias claros,
lugares assim...
Com um céu de estrelas e mar,
ar puro pra respirar.

Eu penso o tempo todo em paz a longo prazo
e seus olhos me vem num clarão,
um mergulho, um beijo, minha mão na sua mão.

Tranquilidade que não se compra,
exige brilho nos olhos e talento pra gostar de sombra.

Eu penso o tempo todo em sono pesado
pra dormir abraçado com você 
sem hora pra levantar...

Rede, lombra, água de coco, 
uma varanda e sol pra queimar.

Uma prancha, um sangue
e um vento daquele que destranca o mar.


Cachorro latindo, criança correndo,
chamando pra mergulhar...


Seus olhos na pequena e os mesmos cabelos loiros,
mais motivos pra eu pensar demais o tempo todo.

Sabor amar, sabor saber viver,
sabor levar a vida que tu quis pros teus.

Sabor amar, sabor saber viver,
sabor levar a vida que tu quis pros teus.