terça-feira, 5 de junho de 2012

Sem vida

Doce semana
sol, céu e tanta gente por aí

Engravatados correm loucos
e poucos são os que param pra viver.

E eu... to sempre decorando a paisagem
saindo no cartão postal.

Encostado em algum lugar
calmo, sereno, tranquilo de olhar...

Coadjuvante dessa rotina sem vida
transgressor de olhos safados
testemunha ocular da história triste
desses cadáveres adiados...

Louvando e ouvindo a vida louca vida do poeta...
que embala minhas mais preguiçosas revoluções mentais.

Sentindo sempre a mesma paz
surfando a poesia e rindo de algo mais
que naturalmente eu já não me lembro agora.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Medos

Um pouquinho de tudo que eu amei
está nas lágrimas das noites em que eu ando só,
está em momentos de muita luz e pouca paz.

Nas coisas de que eu fujo
nos medos que eu tenho...

De perder a inspiração
de ter câncer nas mãos
de não viver o suficiente
pra ganhar um epitáfio comovente...

Medo da poesia etária
de perder a praia
de desencantar e esquecer o pôr do sol,
de nunca mais cantar, acende o farol!

Medo de sentir que o fogo apagou
de nunca mais gritar gol!
Medo de não morar em ipanema
e morrer velho sem você de meu esquema.

Medo de tudo não ser como eu pensava
de ver o mundo me negar tudo que eu acreditava.
Tudo que eu tinha e não posso ter
tudo que eu quis mas não vou viver...

Um pouquinho de tudo que eu amei
me mata, todo dia!

Mata de saudades, de remorso,
de querer que fosse diferente
matam as vontades que tenho
e as que não tenho mais...

Matam porque eu morri quando deixei,
morri pra quem deixei pra trás...

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Arpo a dor

Arpo a dor nas pedras
prendo-as no escuro dessa imensidão azul
no bate e volta das ondas no Rio...

Prendo-as bem ao lado do diabo
em um daqueles dias com vento e mar bem alto
a vista da realeza e bem longe dos meus irmãos
da santidade dos canais sujos de alá.

Prendo-as sob a guarda de iemanjá
e de todas as crenças e superstições que esse mar possa contar.

Arpo a dor bem perto, onde eu possa ver...
Arpo-as onde eu possa visitar
e onde posso esquecer também.

Arpo a dor num canto que era só paz...
Pra que haja algo mais que só contemplação.

Arpo-as ali
sangrando na pedra
do Arpoador.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Rio de sombras

Desde sempre eu me encontro nas sombras
admirando as luzes vãs da madrugada
do Rio imerso na bruma
que se esvai na eterna orla iluminada

Desde sempre me achando e me perdendo
procurando sempre mais da mesma
até descobrir que a mesma
talvez não fosse mais tão certa pra se procurar...

Eu ainda quero outras noites de glória
mereço mais sangue batizado pelas veias da minha história.
Tenho saudade de tudo sempre largado, e das garotas atiradas
de gente estranha pelas ruas sujas, cantando as suas cartadas.

Desde sempre eu me encontro nas sombras
nesse punhado de pequenas tragédias
nos erros de Deus que tem o aval
a omissão divina nessas terras onde nada me faz mal.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Meio cafa

Passos, sorrisos, os seus medos de gente
o medo bobo de acabar só
e no futuro não ter mais "a gente"

Tudo como ela quer, pode ser que sim...
mas ainda faço tudo errado,
só pra ouvir ela dizer que não é assim.

Feito cão sem dono, eu vou treinando os meus olhos de esmola
bicho, é disso que eu falo e já não vem de agora...
tem tempo to querendo me acertar,
eu to querendo ser do jeito que ela me aceitar.

Devo reconhecer, que sim, existe paz!!
E plenitude de verdade é levantar ao lado dela,
é escrever um belo poema em homenagem a todas manhãs...

Mesmo a manhã não me tendo muito bem
agora eu me entendo bem com ela...
Que insiste e entalha amor nesse peito canalha
e que muda esse jeito meio cafa pra ainda em tempo me salvar sem dor.

Por isso eu devo então dedicar e amar com vontade até o fim,
como já disse um dia, há algum tempo atrás, aquele anjo safado o chato do querubim...

Que entoava o hino da saudade, num prelúdio ao futuro
e afastava do meu caminho toda dificuldade e perjuro.

Porque eu nunca soube muito
mas sempre vi os ares puros...

Desejei o bem pra todos; ou quase todos, pra ser digno
e também nunca escondi o mundo fácil
sempre quis assim; dizem ser do signo...

E se assim passa, e o tempo traz...

Eu vejo a felicidade no início, meio e fim...
vejo moleques, bichos, mar, e uma princesa
vida boa, vida fácil, e poucos lugares vazios á mesa.