terça-feira, 12 de junho de 2012

Tem dias

Hoje eu queria que o dia amanhecesse cinza
pra que você não quisesse me trocar pelo sol.
É, eu queria uma ajuda dos céus
queria água até não dar mais...

Pra que só houvesse tempo pra amar
e eu pudesse te amar, e te amar, e te amar
até te convencer a não me largar mais.

Hoje eu queria não me levantar da cama
e queria não precisar suplicar
pra ouvir você dizer que ainda me ama.

Mas você só me aparece nessas tardes frias,
quando da na telha...

Dias onde o tempo é o sensor, é tédio,
é silêncio gritando nos meus ouvidos
e esmurrando partes do meu corpo que eu nem conhecia.

Destruindo todas as mesquinharias reaças,
as áreas de escape, os recuos, os pontos de paz
estilhaçando vidraças, se garantindo no corpo
detonando a minha zona de conforto...

Jogando juras ao vento
com a classe esquecida fora dos quatro rebocos
miando pra me provocar
pra me fazer querer igual um louco.

E tudo isso é sem apego, tudo só pelos desejos
me fazendo de garoto que só vive pra satisfaze-los...

Mas tem dias que eu só queria poder te negar
saber dizer não, pelo meu bem...

Tem dias que eu só não quero amar,
dias que eu não quero amar ninguém.

domingo, 10 de junho de 2012

Armaduras

Paz é desfrutar desse tempo sem fim
tendo pra mim o ensinamento de levar a vida "como deve ser"
de ser mais eu só as custas do amanhecer dos meus sonhos...

E em paz contar nos grãos de areia da praia
os motivos pra ser feliz.
Florecer, criar raízes,
ter meus trajes já na pele, viver leve...

Sem muitas armaduras, nem muito medos
e só por via das dúvidas ainda ter alguns segredos.

Sim, mas sem medos, nem armaduras
só o mar e o vento pra lá e pra cá
só cheiro de mato e o balançar do velho jacarandá.

Sim, só eu e ela, sem muitas armaduras
e quem sabe uma ou duas princesas com as suas canduras.

É... Pode chamar de paz.
Pode chamar de "meu ideal" ou de "o algo mais".

Mas sem muitas armaduras, essa é a vida...
ela é leve, é linda e é pura.

Sim, sem muitas armaduras.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Sem vida

Doce semana
sol, céu e tanta gente por aí

Engravatados correm loucos
e poucos são os que param pra viver.

E eu... to sempre decorando a paisagem
saindo no cartão postal.

Encostado em algum lugar
calmo, sereno, tranquilo de olhar...

Coadjuvante dessa rotina sem vida
transgressor de olhos safados
testemunha ocular da história triste
desses cadáveres adiados...

Louvando e ouvindo a vida louca vida do poeta...
que embala minhas mais preguiçosas revoluções mentais.

Sentindo sempre a mesma paz
surfando a poesia e rindo de algo mais
que naturalmente eu já não me lembro agora.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Medos

Um pouquinho de tudo que eu amei
está nas lágrimas das noites em que eu ando só,
está em momentos de muita luz e pouca paz.

Nas coisas de que eu fujo
nos medos que eu tenho...

De perder a inspiração
de ter câncer nas mãos
de não viver o suficiente
pra ganhar um epitáfio comovente...

Medo da poesia etária
de perder a praia
de desencantar e esquecer o pôr do sol,
de nunca mais cantar, acende o farol!

Medo de sentir que o fogo apagou
de nunca mais gritar gol!
Medo de não morar em ipanema
e morrer velho sem você de meu esquema.

Medo de tudo não ser como eu pensava
de ver o mundo me negar tudo que eu acreditava.
Tudo que eu tinha e não posso ter
tudo que eu quis mas não vou viver...

Um pouquinho de tudo que eu amei
me mata, todo dia!

Mata de saudades, de remorso,
de querer que fosse diferente
matam as vontades que tenho
e as que não tenho mais...

Matam porque eu morri quando deixei,
morri pra quem deixei pra trás...