terça-feira, 13 de novembro de 2012

Hippie chic

Sei que não é de minha alçada
mas não aceito ser largado aqui assim por nada.
Nesse tempo sem som e com cor demais
mas sem a areia branca e a paz que nos valia,
sem o piano e a rima boba só pra por o amor em dia.

Sinto tão perto o taco arranhado
e o barulho que o salto fazia...
Sinto que a pinta do teu lado esquerdo da boca
e a voz rouca nunca estiveram longe de verdade.

Mas há de se entender, já disse uma vez,
é preciso reportar toda essa felicidade...

Detalhar os nossos dias, repartir toda dor
e dizer que é assim que a vida faz todo sentido.

Que a casa com o seu cheiro e o toque hippie chic
é o que mantém vivo o meu coração ferido
é o que esfria e acalma esse meu sangue latino...

E me entrega algum norte na bandeja,
pra que eu viva os dias quentes e frios
desses tempos de necessária solidão,
em que o mar e o amar estão distantes demais
e que o mundo todo é pouco pra nós dois.

Dias como esse em que esbarro num santo delírio
e penso alto, digo que te coloco um filho no ventre.

Te falo de amor, sonego qualquer dor,
desejo longe tudo que mal faz e todo o mal que fiz.

Só pra esquecer, clarear as idéias,
escrever tudo diferente,
viver só do que faz bem daqui pra frente.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Não presto

É certo que eu não presto
e disso eu já não corro.

Não mato, nem morro,
só não presto.

E de resto...

Sou fogo de palha,
sou mais do que dizem
e menos do que deveria.

Sou meio cachorro, meio criança
meio sem rumo, vivendo de andança.

Não gosto, nem olho,
se amo, me jogo.

Sou sete, setenta,
amando e fugindo de tudo.

Meio tarado, meio largado,
vivendo só do que tenho pra dizer.

E de resto...

Não tenho do que reclamar, a vida é tão bacana,
e o mundo sempre tão lindo aqui do alto da minha cama.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Imagem do dia!


Ninguém entende

Outro dia me disseram
que eu não amava ninguém
e eu tive que rir, neguei, meio sem graça...

Mas comigo pensei...

Não amo mesmo, eu acho.

Por que eu olho em volta
e por mais difícil que seja entender essa quimera...
Eu só vejo morte lenta, tempo correndo,
gente que morre e anda, gente que anda e morre.

Por que ultimamente nada tem tido muita graça.
Eu vejo filmes antigos e acho uma farsa,
atores, atrizes, figurantes, passantes,
todos estão... Mortos!

E eu... tenho vivido em conflito,
principalmente com o dia... mas não um dia qualquer.

São todos eles!
Os de sol e os de chuva,
de calor e frio.

É, eu não amo ninguém mesmo... Eu acho.

E o porque? Não sei.

Mas ando preferindo um tiro na têmpora do que um pôr do sol no arpoador.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Satisfação

Sinto que lhe devo uma satisfação
e não é difícil...

É que eu não sinto mais nada por você
e acho que não sei dizer outra coisa que seja verdade, além de adeus.

E olha que nem faz tanto tempo assim,
eu não enxergava um palmo além de nós.

O mundo pararia e eu só notaria se ficasse sem você,
se algo me impedisse de te ver.

Quantas vezes te queria de longe
e tinha vontade só de admirar...

Acordava e te olhava dormindo,
eu quase tinha medo de estar morto,
de estar perdido no paraíso, no céu em algum lugar.

Mas hoje de repente eu me peguei pensando em andar sozinho.

Eu estava longe
com um olhar mais claro e leve,
feliz, sem notar o quanto a vida é breve...

Chutando folhas, falando coisas sem procurar um sentido,
largado e longe do mar, de baixo de um céu cinza,
num lugar mais real, com uma vida mais terna
e bem longe de todas as nossas mentiras.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Pobre menina rica

Pobre de mim que sou eu e mais nada,
pobre de quem nunca fui...

Pobre de nós que nem acontecemos,
pobres seremos sem amor.

Vivendo essa falta de glória,
morrendo por nada,
sorrindo e ganhando centavos por hora.

Num tempo preto e branco
em plena era digital,
tocando os anos oitenta
no seu novo som surround.

Pobres são os sentimentos
nesse vazio século vinte e um.

Pobres aqueles que aceitam,
os que vivem pra ser mais um...

Pobre, é toda essa falta de vida.
Pobre mesmo às vezes é a menina rica.