sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Normal

Normal que seja fácil
e se não fosse eu não sei como seria.
Se tem outro jeito eu não sei,
talvez eu não domine, eu não entenderia.

Mas se o sol bate todas as portas,
sou eu que pulo as janelas e ando nas sombras.

Caçando corações,
arrastando amor pelas calçadas.
Atirando pra todos os lados,
distribuindo olhares e porradas...

Só pra ver se você aparece.
E como eu peço em minhas preces,
venha correndo e dizendo que sim...

Venha sorrindo e extorquindo já nos olhos
todo o amor que há em mim.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Morrendo por dias

Difícil é viver quem está distante
quem já foi e não quer mais nada de si.
Mil noites em claro, dias nublados,
sábados curtos, domingos sem fim.

Quanto tempo passou
e eu aqui dormindo...

Sempre morto pro sol,
mas vivendo a noite cada segundo.
Eu to amando demais,
ando sofrendo pra burro.

Vivendo errado, perdendo coisas,
passando por poucas e boas...

Caminhando nos mesmos passos em branco,
fechando o corpo pra não te ver pelas ruas,
caçando ciscos com os olhos pra poder chorar,
andando pesado, quebrando as pedras portuguesas.

Triste é viver sempre distante,
fingindo que tudo nem foi tão bom assim,
passando as noites sozinho, pensando demais, fugindo.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Sábado

Porque hoje é sábado, resolvi fazer a sua poesia
hoje é o seu dia, mas não tem data especial
é só porque hoje é sábado...

E sábado é um dia libertário,
é uma vontade louca de trocar a vida de cenário.

De ser poeta e nem sentir mais a dor de não ser dela,
dor de fingir que ela é minha e não tem mais ninguém.

Sábado é dia de trocar a máscara
de sair pela noite sem medo de fantasmas
de esquecer das belas, feras e cinderelas
de ser por si, de ser, deixa eu ver...

Como em decreto, é muito certo que seja assim:
Sábado há o direito inquestionável de ser feliz.

Esteja sol ou chuva
as gotas são só água, você não é de açucar.

E os raios de sol, sempre lindos
fazem vivos os olhos e a alma.

Não há defeito na paisagem
não falta verde, não falta o mar,
não falta o ar pra respirar...

A não ser que falte por amor,
assim não se pode reclamar.

Não há do que se queixar,
porque hoje é sábado.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Preferem você

Os espelhos no meu quarto te procuram
e na minha cama só há um vazio que cresce.

E eu também procuro, perambulo pelas ruas
caçando déjà vus pela cidade,
meio torto, meio triste, meio morto...

Vago em minhas ruas e nada reconheço,
nem vejo mais graça em chamar Vinícius, de Montenegro.

É como se eu não vivesse de verdade,
é como se sem você não houvesse verdade.

Eu estou partido, sou desespero,
não minto, me entrego, não tem mais jeito.

Por onde eu ando todos os cantos me cobram você,
e até os bons amigos que me encontram, não escondem,
todos perguntam do mal que me aflige...

Sem falar nas pessoas vazias, essas com os sorrisos deprimentes,
que mastigam o pouco que me resta de amor pela vida,
e já sabem de prima que a minha aparência sofrida não mente.

Não há uma parte de mim
querendo que eu seja eu.

Todos preferem a gente.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Classe

Ela é uma desclassificada, mas me dobrou... Ela é maluca, é toda errada.

Mas com aqueles olhos verdes foi só bater o santo que me conquistou.

Ela vive louca, mas tem classe. Você precisa ver como ela segura o cachimbo de crack.

Duas da manhã: desce um chopp, desce dois, desce mais...

Enquanto sobe o sol, aperta um e vamos juntos ver no céu o que é que tem demais. Ver o que é que tem de bom pra amanhã de manhã nas areias do nosso Leblon.

Ela é uma desclassificada, mas me dobrou. É maluca, é viciada.

Mas com aqueles olhos de melancia foi só bater o santo que me conquistou pra toda vida.

Ela vive louca, mas tem um charme, tem beleza. Você precisa ver como ela estica uma carreira...

Já passam de três da tarde, e as cortinas defumadas espalham o cheiro de veneno que vem do tecido chileno no sofá — comprado nas férias de um ano não tão distante em que você decidiu esquiar.

E o sol não dá uma trégua na sua quadra, ferve o mundo bem ali na Barão com a Garcia d'Ávila. Desde cedo bate e espanca as trevas, numa luta lisérgica, no meio dessa sala imensa e infecta, gritando que dia de festa também é véspera de muita dor.

Hoje não há quem respire e fique puro; nesse lugar não há uma alma que não corra pra se abrigar num canto escuro.

Ela é uma desclassificada, mas me dobrou... É decadence avec elegance, e por isso aqui estou.

Vidrado nesses olhos verde-rubros de menina e cocaína...

Que matam e esquartejam qualquer rastro de monotonia. Que petrificam almas detestáveis a distância. Que sorriem como em eterno cinismo. Que fecham, somem e apagam sempre no vazio...

Numa única constante: é como um vício.