sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Tempo morto

Vem chegando um tempo morto
e eu tô sofrendo mesmo vivo
anda difícil me arrancar um sorriso.

Mas não dá pra reclamar,
também sou feito de tristeza.

Sou o próprio fim da estrada,
sou a encruza escura e suja na madrugada.

Eu sou o fim de tarde frio,
sou o dia de chuva no verão do Rio.

Eu sou a bala que uiva na noite
e leva o sangue pro asfalto.

Sou o açoite doce da classe média triste que assalta.

Sou o rompante, a euforia,
a classe que falta na hora que tudo se desfaz.

Não trago boas notícias,
não gosto de você.

Sou negro, morto e triste,
sou o causador de toda dor que o mundo assiste.

Não trago boas notícias,
não gosto de ninguém.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Luz do sol

Há dias que não vejo o sol morrer
porque ando ocupado ao seu nascer.

E durmo pra não ver,
eu durmo pra não mais sofrer...

Assistindo o que ele leva nesse precoce clarear,
despertando quem é de cama,
esquentando o sangue da calçada...

Enquanto isso eu sigo, sigo leve,
leve, luz do sol!

Sofrendo a preguiça do que eu não vivi,
sentindo nos olhos dores do que eu nem vi.

Luz do sol, eis aqui o seu hino maior.

Que também é o meu lamento maior...

A vida como ela é,
nem sempre é como deve ser.

E os ares quentes de dezembro
quase sempre me deprimem sem um porque.

Luz do sol,
ninguém sabe como pesa esse calor de andar aqui,
de sem querer se pegar sorrindo pro horizonte.
De ter que levar, traduzir na cor a esperança
e sem dó marcar na pele com orgulho toda essa andança.

Luz do sol,
vem trazer as meninas pras pedras
e rolar a bola na areia.
Vem lembrar que todo o dia que raia,
vai ser quente como o sangue latino dessas veias.

Há dias que não vejo o sol morrer
porque ando ocupado ao seu nascer.

E durmo pra não ver,
eu durmo pra não mais sofrer.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Maria Luiza

As quinas da cidade
andam me procurando
os prédios mais pacatos
se jogam e eu vou desviando.

Torrando as linhas
jogando com a vida
despindo nos versos...

Maria Luiza.

Seus acasos são os meus também
e seus beijos os meus únicos bens.

Então me diz pra que é que servem todas essas ameaças,
quando há algo em mim que eu preciso que parta.

Não, não te aparta amor.
Não me largue!

Enxague esta nova mágoa de nós
e vista o teu branco mais lindo por mim
dê-me os braços e vamos viver...

Levar a vida que sempre quisemos
felizes aguardando o descorar dos nossos sonhos com amor.

Esperando a tragédia do mundo que foi nosso envelhecendo
e vamos torcer pro horizonte não fugir dos nossos olhos.

Vamos andar se não der pra correr
e correr enquanto der pra aguentar.

Vamos sumir de perto de todas as poltronas nos dias de céu azul
e ainda vamos sorrir ao andar pela sul, ainda vamos amar a sul.

Porque as quinas da cidade já terão me esquecido
e os prédios mais pacatos já terão caído...

Não vamos querer mais torrar as linhas,
nem teremos idade pra ficar jogando com a vida.

Mas se há algo nesse mundo
que eu sei que nunca vai mudar...

É o amor que tenho
em te despir com novos versos...

Maria Luiza.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Vou te contar

Vou te contar que não sei
quase nada do que digo
além do que eu falo dos teus olhos.

E todos os enganos
são coisas que eu largo por aí
apenas por distração...

Por não saber como agir, como falar,
por não saber como fazer pra te amar sempre melhor.

E esse canto hoje é o meu medo,
medo que o meu timbre não esconde.

Eu ando ultimamente meio rouco,
eu ando por aí tão triste e solto.
Sempre um pouco louco demais pro teu gosto.

Mas tô tentando agora viver em paz,
mesmo morrendo de medo de dormir
e não acordar nunca mais do seu lado.

De acabar sendo mais um daqueles passos
que você se arrependeu de dar.

Vou te contar
que eu não sei nada da vida
e das verdades que eu posso dizer que vi
a mais linda foi o seu amor.

A mais linda...
Eu vou te contar.

Foi você.

Imagem do dia!


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Doer a paz

Seus olhos de eclipse lunar
assustados, fervendo o medo, carregando coisas.

Chorando histórias tristes de outros tempos
que ninguém mais quer ouvir falar.

E esse teu porte assim sutil de passarinha,
tão frágil, impressionável
tão menina, tão sem nada pra dizer...

E do seu passo de quem pede socorro,
dos seus peitos, dos seus ombros, do seu rosto...

Não há o que dizer...

Sem ver roer o que há de falso em mim,
sem ver doer a minha paz.