segunda-feira, 20 de maio de 2013

Meios

Nesses dias em que tardo
pasmo menos do que quando amanheço.
E quando por elas ardo
trinco os dentes, quase enlouqueço.

E apesar de tudo
to meio a fim de um fim a qualquer custo,
to meio assim de ainda ter a vida inteira
pra jogar aqui nesse mundo estúpido.

Eu to meio cansado de meias verdades
e de meios tempos nos relacionamentos.

Eu ando meio consternado,
descrente de que os meios não possam se justificar,
já que todos os fins, esses sim, nos comprometem bem mais.

É que eu to com preguiça de assinar presença,
de concordar com essa sentença que faz tudo acabar.

Porque se não for só de pele, nada apaga,
amor não tem metade, fim, nada.

É um exercício atemporal, coisa de elemento,
que só tem rastilho, fogo e uma cinza que sempre arde,
que se for preciso aquece o peito
e sutura a alma quando algo retalha.

Amor não apaga, se guarda, só guarda.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Feliz natal

Me fala dessa fineza
soletra pra mim a tristeza
de ser assim como todos querem que seja.

Debate-se entre as paredes desse mundo
esqueça as histórias que ouviu de dama e vagabundo.

Me fale dessa sexta-feira
do drama que existe nesse seu jardim cercado imperial.

Que eu te falo das areias,
que eu te faço um carnaval.

Não parece fácil entender as quatro linhas
mas às vezes é que a vida
não é bonita, não é bonita, não é bonita.

Me fale do teu chão de tábua corrida
me explica essa comida
que não é quente nem é fria...

Não se entende tudo isso
é preciso ser omisso
é preciso um pouco mais ou quase nada
a cabeça é que maltrata, que maltrata, que maltrata.

Me fale do pouco que sabe
de tudo que vai além das tuas posses
ainda que seja cedo, ainda que seja morte, seja morte, seja morte.

Me trate como uma de suas distrações,
me aplique como faz quando vaga nos corações.

Por normose, por osmose, simbiose social, paranormal,
é como bocejar... pra oxigenar.

É como amar ninguém e a todos desejar...
Feliz natal, feliz natal, feliz natal.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Papo furado

Você reclama do meu papo furado
de gato malhado
de quem só ta aqui pra viver...

Você reclama do meu bronzeado,
desse jeito calmo que eu tenho pra me perder.

E não entende que tudo é bem mais fácil pela madrugada,
e as facilidades, essas você sabe bem como são.

Então me deixa ver a vida assim, com tudo vazio,
coração vadio, cachaça no pão.

Porque não tem outro lugar,
nem ninguém que mereça...

Não há nada melhor do que a volta cambaleante,
sendo vigiado, vagando por entre as palmeiras.
Cuspindo fogo, equilibrando a tensão do traje,
mentalizando um highline no muro baixo do parque lage.

Caminhando absoluto, de olhos exatos,
sem muito pra me preocupar.
Me perdendo pra poder dizer
que só saí pra me encontrar.

Mas você ainda reclama de tudo,
de estudo, de tempo, de amor...
E eu só tenho no peito palavras,
repetidas, bonitas, palavras.

Que é pra dizer que não há jeito,
que não pode ser desfeito...

E que não é direito
querer que o que eu não sou
seja o melhor pra eu e você.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

As areias

No caos das tuas areias,
sereias...

Surfistas, sofistas,
despejando suas palavras,
cortando as ondas no vento terral.

E bate o pé no mar, bate coração,
se infiltre na paisagem
na passagem pra outro plano
na viagem de outro som.

No caos dos amores desta gente,
da fumaça intransigente,
desse cheiro de meus deus do céu, sei lá, sei não...

Não ande na linha, não pise na grama
não frite no asfalto meio dia...

Não esqueça a sunga, não se importe se é segunda,
não deixe de olhar umas bundas
e nunca dispense um amor qualquer no pôr do sol.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Imagem do dia!


Obelisco

Nas ruas sombreadas do nosso lugar
de dia ou de noite a vagar...

Distribuindo tapas, esquecendo consoantes
verbalizando tropeços, sem modos pra usar os advérbios.

Caçando os ciscos de sempre
por uma boa desculpa pra chorar...

Perdido no obelisco, rodando no asfalto sem lembrar
pra onde ia, de onde veio,
passado, presente, futuro, ambição, desespero...

Vivendo o luto,
rezando em voz alta pela rua feito maluco.
Resmungando a morte
da bossa já não tão nova...

Reclamando o fim da ginga,
e daquele amor a toda prova.

Sentindo falta do chiado
da vitrola que arranhava...

Rogando a ausência do mundo
que sempre tornava as coisas mais belas.

E fazia a vida menos tacanha,
fazia delas mais discretas,
mais meigas, sem truques, sem manhas.