sexta-feira, 14 de junho de 2013

Entender

Quatro e doze
e eu finjo que hoje é um dia qualquer,
em pouco o sol vai se jogar na minha janela
e se eu conseguir dormir,
não vai ser um sono tão tranquilo.

Eu vou pensar em você
tantas vezes que não vou poder contar

Eu queria entender
como vai ser daqui pra frente

Eu queria te escutar
dizendo que eu não sirvo mais pra você.

Não, na verdade não queria,
essa valentia é da boca pra fora,
eu não vejo a hora de você voltar...

E se hoje não é um dia qualquer,
vou me enterrar, me internar,
me esconder como sempre foi, como sempre fiz,
e quis...

Eu vou fugir do mundo,
porque fugir do mundo é fugir da solidão
que está jogada nos meus ombros,
que está implícita na falta que eu sinto dos seus olhos.

Por isso hoje me olhe sem pena, aumente esse som,
eu quero as mentiras sinceras,
eu aceito qualquer doce ilusão.

Me passe esse lenço, eu me rendo,
me dê sua mão, eu pago essa conta,
não diga que não, não desgrude de mim,
pelo menos não essa noite, essa noite não.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O pulso

Infelizmente ou felizmente
o pulso ainda pulsa.

Junto a toda minha repulsa,
a vergonha misantropa,
dessa miserabilia estranha forma de viver.

O mundo não me representa,
dos rios aos mares, os lugares mais lindos,
nada mais requenta o que um dia foi amor.

Infelizmente ou felizmente
o pulso ainda pulsa...
E sobrevive valente
aos impulsos frequentes de me cortar.

Os olhos dos outros,
as bocas e os dentes,

Os filhos, os pais,
os burros ou inteligentes,

As palavras, as mágoas,
o choro, o riso

Preciso sumir, eu preciso, preciso.

Detesto todos vocês,
eu não amo ninguém,
e quando eu me for não digam que amei.

Detesto esse mundo, a vida, a morte
a sorte, a falta, o frio ou o calor.

E dói tanto saber
que se eu pudesse agora me mandar,
ela não mais impediria,
não pediria pra eu ficar.

Mas por falta de coragem...
É tão difícil me jogar.

Infelizmente...

O pulso ainda pulsa, pulsa, pulsa...

domingo, 9 de junho de 2013

Contratempo

No fundo eu sei que o seu perdão
só virá no próximo verão,
quando o vento sul não agradar,
quando o mar estiver calmo de novo,
estaremos calmos nós.

E eu só preciso de alguns acenos,
um ou outro sinal seu,
que é pra viver em paz...

Muito embora não cante mais,
qualquer sorriso de canto
ou canto que te traga,
me fará sorrir também,
me fará feliz demais.

E todos os lugares nossos
marcarão o tempo
como em canto e contraponto,
despejando a sentença
nesta exausta carne
curtida pelo teu distante olhar...

Que vagando pelos meus sentidos falhos,
todo o tempo, o tempo inteiro,
me lembra que isso tudo sem você é uma mentira.

E a vida um contratempo,
um tempo parvo, suave engano,
distante de qualquer felicidade.

sábado, 8 de junho de 2013

Outros quinhentos

Três da madrugada e nada
essa rua parece não ter fim
três da madrugada e gávea
eu não tenho mais ninguém por mim...

E sigo deixando os passos na lua,
nesse rio de delírios, com a ponta dos pés,
pela sombra...

Onde Deus não ouça,
onde não se zangue com minhas companhias.

Onde não se importem,
onde não vejam graça na desarmonia,
na existência rude de um qualquer
que está satisfeito em viver sem luz.

Me deixem...
recolher esses pedaços rasos,
deixem em paz os meus embaraços falsos,
porque eu quero ser refém de tudo,
tudo que já foi da maior importância...

Tudo que já foi amor um dia.

E não, não se importe, siga a vida,
viva feliz com o seu norte
e que a sorte nos separe por aí.

Não, também não se preocupe
ao escutar o meu lamentar,
meu arrastar de pés...

Que esse choro eu não engulo,
eu acho graça...
No fundo prefiro isso a sorrir,
me deixe ir, me deixe ir...

Largue meus braços
e os meus pensamentos,
porque dor de amor são outros quinhentos.