Será que você não vê
que as pessoas sempre desistem de você?
Será por que?
Se não é por mal, nem é por bem,
é só porque sempre foi assim.
Meio sozinho, meio perdido,
olhando pro nada, sem saber de nada,
caminhando e cantando por nada,
sorrindo por nada, chorando por nada...
Faturando só o que vem nos olhos
quando vem de encontro e nada pode mudar.
Só o que estava escrito nas esferas do senhor
e que nenhum amor maior pôde levar.
Será mesmo que é assim tão grave?
Viver tudo no humor do vento,
no passo de gato sonolento,
sem comprometimento,
sem se importar muito com tempo
e com o que vem com ele...
Será que é mesmo assim tão ruim?
Achar que tudo vai dar certo no final,
que o acaso é o senhor da vida,
e que qualquer página sofrida
de repente vai virar...
Será mesmo?
Eu penso às vezes,
só às vezes...
E quando penso muito,
penso que não pode tanta gente estar errada.
Eu vejo,
entendo, eu sei.
Mas é que sempre foi assim,
e é assim que eu sei que vai tudo muito bem.
É assim que vejo com algum gosto o mundo funcionar,
de fora, de longe, acompanhando os problemas do alto,
avaliando uma ou outra incursão estratégica
pra não me sentir parte disso tudo.
Não me sentir muito mal
de me tornar qualquer coisa que nunca quis ser.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
terça-feira, 8 de outubro de 2013
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Lonjuras
Enquanto eu tiver
alguma coisa pra dizer,
alguma coisa em mim
vai estar gritando você...
Porque é por isso que ainda vivo
e mantenho como um vício esse fascínio
pelo mundo violento que você me apresentou.
Cada poro do meu corpo
é como um louco diferente
dentro de um só eu...
E ainda que esses átomos todos se rebelassem,
ainda que em vida todos eles me trocassem,
haveria alguma coisa inexplicável pra sentir,
certamente eu ainda teria um grito de amor seu em mim.
E é por isso que enquanto tudo isso me corrompe o amor a vida,
tropeço com você em nobre horário,
explorando outras feridas, repartindo os olhos mel,
entregando ao mundo o céu do meu agora ínfimo paraíso.
O meu último e real desejo puro de criança,
pra quem quiser olhar, bem ali na frente,
perfeitamente intocável, já sem nenhuma esperança...
E é assim que chego ao ponto
onde me arrasto pelos cantos,
procrastinando, relendo todos os cantos
que eu nunca cantei pra você...
Todos os que eu fiz por não ter mais o que dizer,
não ter mais com o que lutar
e nem saber pra onde correr...
Enquanto você me faz pensar que fui escola,
cobaia, laboratório, um ensaio...
Alguém que reagia as esmolas
de qualquer atenção que você estivesse disposta a dar,
de qualquer textinho pronto,
qualquer coisinha com algum amor nos olhos e uns diminutivos.
E é por isso que enquanto tudo isso acontece,
o que me resta é me agarrar a alguma prece,
alguma informalidade mundana,
um troço que não me roube
e nem envenene essas doces lonjuras
das coisas melhores da vida...
E que ainda alimente alguma distância saudável
além da natural,
entre a cabeça e o coração.
alguma coisa pra dizer,
alguma coisa em mim
vai estar gritando você...
Porque é por isso que ainda vivo
e mantenho como um vício esse fascínio
pelo mundo violento que você me apresentou.
Cada poro do meu corpo
é como um louco diferente
dentro de um só eu...
E ainda que esses átomos todos se rebelassem,
ainda que em vida todos eles me trocassem,
haveria alguma coisa inexplicável pra sentir,
certamente eu ainda teria um grito de amor seu em mim.
E é por isso que enquanto tudo isso me corrompe o amor a vida,
tropeço com você em nobre horário,
explorando outras feridas, repartindo os olhos mel,
entregando ao mundo o céu do meu agora ínfimo paraíso.
O meu último e real desejo puro de criança,
pra quem quiser olhar, bem ali na frente,
perfeitamente intocável, já sem nenhuma esperança...
E é assim que chego ao ponto
onde me arrasto pelos cantos,
procrastinando, relendo todos os cantos
que eu nunca cantei pra você...
Todos os que eu fiz por não ter mais o que dizer,
não ter mais com o que lutar
e nem saber pra onde correr...
Enquanto você me faz pensar que fui escola,
cobaia, laboratório, um ensaio...
Alguém que reagia as esmolas
de qualquer atenção que você estivesse disposta a dar,
de qualquer textinho pronto,
qualquer coisinha com algum amor nos olhos e uns diminutivos.
E é por isso que enquanto tudo isso acontece,
o que me resta é me agarrar a alguma prece,
alguma informalidade mundana,
um troço que não me roube
e nem envenene essas doces lonjuras
das coisas melhores da vida...
E que ainda alimente alguma distância saudável
além da natural,
entre a cabeça e o coração.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Sol
Todas as verdades do mundo já não bastam,
to precisando das suas mentiras,
eu to querendo um pouco dos seus olhos,
de tudo que eles não me dizem mais...
Eu senti cheiro de sábado e era quarta feira,
achei que a vida era linda mas era segunda-feira.
E o sol...
O sol é seu cúmplice, junto da primavera,
que só vem pra me confundir nas areias,
como nas cenas das novelas no leblon.
E todas as verdades, essas, já não fazem sentir,
não fazem valer grande coisa.
Eu preciso mesmo é das suas mentiras,
daquelas coisas choradas sem razão...
Do drama pela Chaika,
do luto as casas derrubadas da semana,
da birra e das suas manias de menina mimada.
E o sol...
O sol é sempre seu cúmplice,
me traz você sem razão, como a luz,
o tempo todo, com som e imagem, num replay...
Destravando seus discursos,
anunciando a morte da nossa originalidade,
a morte da saudade,
nesse mundo que não dorme e vive online...
Rodeado dessas tecnologias arrasadoras,
destruindo as lonjuras,
desconstruindo linguagens,
roubando o sofrimento com um descaso frio,
sem nenhuma cerimônia.
E o sol...
O sol sempre esteve lá,
cúmplice de todos nós.
to precisando das suas mentiras,
eu to querendo um pouco dos seus olhos,
de tudo que eles não me dizem mais...
Eu senti cheiro de sábado e era quarta feira,
achei que a vida era linda mas era segunda-feira.
E o sol...
O sol é seu cúmplice, junto da primavera,
que só vem pra me confundir nas areias,
como nas cenas das novelas no leblon.
E todas as verdades, essas, já não fazem sentir,
não fazem valer grande coisa.
Eu preciso mesmo é das suas mentiras,
daquelas coisas choradas sem razão...
Do drama pela Chaika,
do luto as casas derrubadas da semana,
da birra e das suas manias de menina mimada.
E o sol...
O sol é sempre seu cúmplice,
me traz você sem razão, como a luz,
o tempo todo, com som e imagem, num replay...
Destravando seus discursos,
anunciando a morte da nossa originalidade,
a morte da saudade,
nesse mundo que não dorme e vive online...
Rodeado dessas tecnologias arrasadoras,
destruindo as lonjuras,
desconstruindo linguagens,
roubando o sofrimento com um descaso frio,
sem nenhuma cerimônia.
E o sol...
O sol sempre esteve lá,
cúmplice de todos nós.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Coisa linda
Quantas vezes ainda posso
me apaixonar por você?
Parece que o senhor das esferas
não se cansa de rever esse jovem clichê...
E me faz sentir tudo de novo,
nada novo.
Só você... e os seus olhos castanhos,
o céu refletido, um sorriso,
uma foto bacana, um jeitinho de anja,
num mundo meio art nouveau,
coração partido, zona azul.
E tudo isso, quem me apresenta
sem grande deferência,
é o destino...
Num ensaio rico de maldades,
textos prontos sem muitas verdades,
repleto de idéias tão rasas
que me fazem sentir uma metade.
E eu só preciso mesmo
de um cantinho pra poder dizer...
Vem comigo!
Foge pro aconchego avarandado do meu coração,
rapte-me da falta de paz, da solidão.
Interprete tudo que eu digo
como um grito de socorro,
e volta pro meu lado triste
que é pra ele ficar feliz de novo.
Gata, ta tudo nas esferas,
eu vi!
Ta tudo explicado nas telas
de uma outra dimensão.
Gata, o futuro é coisa linda,
eu vi!
É tudo uma suave neblina,
doçura, carinho, uma vida,
feita toda pra se apaixonar.
me apaixonar por você?
Parece que o senhor das esferas
não se cansa de rever esse jovem clichê...
E me faz sentir tudo de novo,
nada novo.
Só você... e os seus olhos castanhos,
o céu refletido, um sorriso,
uma foto bacana, um jeitinho de anja,
num mundo meio art nouveau,
coração partido, zona azul.
E tudo isso, quem me apresenta
sem grande deferência,
é o destino...
Num ensaio rico de maldades,
textos prontos sem muitas verdades,
repleto de idéias tão rasas
que me fazem sentir uma metade.
E eu só preciso mesmo
de um cantinho pra poder dizer...
Vem comigo!
Foge pro aconchego avarandado do meu coração,
rapte-me da falta de paz, da solidão.
Interprete tudo que eu digo
como um grito de socorro,
e volta pro meu lado triste
que é pra ele ficar feliz de novo.
Gata, ta tudo nas esferas,
eu vi!
Ta tudo explicado nas telas
de uma outra dimensão.
Gata, o futuro é coisa linda,
eu vi!
É tudo uma suave neblina,
doçura, carinho, uma vida,
feita toda pra se apaixonar.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Santo sujo
Se o tempo pudesse
parava em cinco oito,
e devia...
Porque nunca chega de saudade
ver aquela realidade tão distante,
deste dia.
E o cento e sete,
a Elizeth, a bossa, a fossa,
a nossa grande dor
de viver pra ver essa ipanema apocalíptica,
especulada, loteada, agonizando com a fama,
como no apagar da velha chama.
Mas essa dor tão presente,
tão cruel e insistente...
Não me pega pela Montenegro,
perdão poeta, mas ainda é cedo.
Fosse eu, te punha nas Acácias,
e fazia dessas bandas um culto aos teus vícios imorais.
Fundava o sindicato da bossa sempre nova
e abria o cinema dos teus olhos na Visconde Pirajá.
E por falar em paixão, Tom,
te resgatava logo que pudesse daquele esquisitíssimo Galeão,
e em teu nome plantava palmeiras imperiais
pelos escassos canteiros
devastados por Sergios Dourados
e outros sem jeitos, sem poesia.
E se desse tempo, eu acho que me arrependia,
voltava, tirava Vinicius das Acácias,
botava de vez entre a Maria e a Joana,
ali na Senhora da Paz...
Na marra, eu arrumava uns milagres
e pagava pra ver o santo sujo,
o aluno do místico...
Verdadeiro barão de ipanema,
imortal, eclesiástico...
E ainda me faltariam títulos,
e não haveriam adjetivos,
se por acaso não existisse paixão pra explicar...
São sujo,
o defensor das causas imorais.
De Moraes.
parava em cinco oito,
e devia...
Porque nunca chega de saudade
ver aquela realidade tão distante,
deste dia.
E o cento e sete,
a Elizeth, a bossa, a fossa,
a nossa grande dor
de viver pra ver essa ipanema apocalíptica,
especulada, loteada, agonizando com a fama,
como no apagar da velha chama.
Mas essa dor tão presente,
tão cruel e insistente...
Não me pega pela Montenegro,
perdão poeta, mas ainda é cedo.
Fosse eu, te punha nas Acácias,
e fazia dessas bandas um culto aos teus vícios imorais.
Fundava o sindicato da bossa sempre nova
e abria o cinema dos teus olhos na Visconde Pirajá.
E por falar em paixão, Tom,
te resgatava logo que pudesse daquele esquisitíssimo Galeão,
e em teu nome plantava palmeiras imperiais
pelos escassos canteiros
devastados por Sergios Dourados
e outros sem jeitos, sem poesia.
E se desse tempo, eu acho que me arrependia,
voltava, tirava Vinicius das Acácias,
botava de vez entre a Maria e a Joana,
ali na Senhora da Paz...
Na marra, eu arrumava uns milagres
e pagava pra ver o santo sujo,
o aluno do místico...
Verdadeiro barão de ipanema,
imortal, eclesiástico...
E ainda me faltariam títulos,
e não haveriam adjetivos,
se por acaso não existisse paixão pra explicar...
São sujo,
o defensor das causas imorais.
De Moraes.
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