Toda vez que te encontro,
por querer ou por engano,
eu acordo de um sono de anos.
Eu me sinto tão certo,
narciso completo,
um novo alguém que é todo feito de você,
do amor, da dor, dos sonhos que tivemos,
e que ainda temos...
De todos os seus quereres,
da brisa dos nossos lugares,
da maresia da tua janela.
E como qualquer hippie,
como um tropicalista,
por um momento eu vejo beleza em tudo,
eu vejo em você outros mundos,
tantas cores, tantos tons,
eu alucino nos teus passos uma porção de notas salteadas,
teu caminhar é melodia pros meus ouvidos,
um banquete pros meus olhos...
E nesses dias quentes de dezembro,
nas chuvas de verão,
dessas que pegam a gente pelo braço de surpresa,
dessas que caindo bem morna,
molha e a gente nem se importa...
É quando eu quero mais de você,
da tua presença,
dos teus olhinhos verde-azuis,
dos teus descontroles,
tuas histórias, teus amores...
É quando eu quero ainda mais de você,
da tua parte doce e amorosa,
dos teus shows, teus escândalos,
do ciúme, do sorriso, do perfume...
É, é bem quando a chuva vem,
é quase combinado,
mas é só quando é chuva de verão,
dessas que caem bem mornas do céu,
que quando molha a gente não se esconde,
não abre o guarda-chuva,
não se importa...
Daquelas que são como o amor.
terça-feira, 10 de março de 2015
sábado, 28 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
As serras
Quero morar no pé da serra
que é melhor que todo o mar,
é melhor porque o mar é longe
e fica mais especial...
E a serra tem qualquer coisa
de muito mistério também,
qualquer coisa que encanta,
feito magia, um fascínio,
uma atração.
Eu quero morar no pé da serra,
no pé da pedra,
no sopé de um monte alto,
e pode ser bem no maciço
que já sinto como casa,
que já é vício que não perco,
que pra mim já é morada.
Quero viver no pé da serra,
no sopé, cultivando meu silêncio,
beirando riacho doce,
escutando a mata a noite,
e a chuva como fosse
a melhor das companhias.
Quero viver no pé da serra
no sopé do Papagaio,
que não é longe do mar,
mas é num mundo mais amado.
Quero morar no pé da serra,
longe mesmo muito longe,
pra ficar sem querer mundo,
pra me encontrar num casulo
e depois poder voar.
Quero morar no pé da serra,
no sopé lá da Bocaina,
pra deixar tudo pra trás
só levar a minha Ana.
E eu vou morar no pé da serra
até querer o mundo de volta,
até ter vontade a beça,
de cinema ou de uma peça,
Eu vou morar no pé da serra,
no sopé do pico da pedra branca,
mas só até fazer criança,
até querer piano grande,
até querer tapete persa.
que é melhor que todo o mar,
é melhor porque o mar é longe
e fica mais especial...
E a serra tem qualquer coisa
de muito mistério também,
qualquer coisa que encanta,
feito magia, um fascínio,
uma atração.
Eu quero morar no pé da serra,
no pé da pedra,
no sopé de um monte alto,
e pode ser bem no maciço
que já sinto como casa,
que já é vício que não perco,
que pra mim já é morada.
Quero viver no pé da serra,
no sopé, cultivando meu silêncio,
beirando riacho doce,
escutando a mata a noite,
e a chuva como fosse
a melhor das companhias.
Quero viver no pé da serra
no sopé do Papagaio,
que não é longe do mar,
mas é num mundo mais amado.
Quero morar no pé da serra,
longe mesmo muito longe,
pra ficar sem querer mundo,
pra me encontrar num casulo
e depois poder voar.
Quero morar no pé da serra,
no sopé lá da Bocaina,
pra deixar tudo pra trás
só levar a minha Ana.
E eu vou morar no pé da serra
até querer o mundo de volta,
até ter vontade a beça,
de cinema ou de uma peça,
Eu vou morar no pé da serra,
no sopé do pico da pedra branca,
mas só até fazer criança,
até querer piano grande,
até querer tapete persa.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Menino triste
Com os olhos opacos
de frente a um sol que não perdoava ninguém,
tinha um menino sentado num banquinho,
um menino com uma escuridão tão grande nos olhos
que poderia engolir o mundo...
Era uma tristeza de parar pra olhar,
não me atreveria a perguntar de onde vinha,
ele parecia tão concentrado,
tão íntimo daquela condição,
tão distante da infância,
da alegria de ser ainda jovem.
Eram olhos de uma desilusão
incompatível com a imaturidade daquela existência.
E eu nunca saberei do que se tratava,
qual seria a fonte...
Teria sido a perda de um pai,
um avô,
ou ser sozinho no mundo,
estar perdido,
estar doente,
uma topada, um dia ruim,
uma discussão, cansaço.
O que eu sei
é que a escuridão dos olhos dele
brigava com o sol,
com o reflexo do sol no mar,
e com o reflexo do sol nas areias também,
eu nunca tinha visto tanta treva em duas esferas.
E não tirava da cabeça
a interrogação,
o sofrimento, qual seria?
De onde vinha o véu negro
que cobria aquela jovem presença,
qual seria o luto,
de onde jorrava tanta incompreensão.
Mas passei, passei antes que pudesse
compreender a fundo qualquer coisa,
antes mesmo que ele se mexesse,
que olhasse pro lado ou me visse...
E assim, permanecerá como esfinge pra mim
toda a escuridão que encontrei naquele menino.
de frente a um sol que não perdoava ninguém,
tinha um menino sentado num banquinho,
um menino com uma escuridão tão grande nos olhos
que poderia engolir o mundo...
Era uma tristeza de parar pra olhar,
não me atreveria a perguntar de onde vinha,
ele parecia tão concentrado,
tão íntimo daquela condição,
tão distante da infância,
da alegria de ser ainda jovem.
Eram olhos de uma desilusão
incompatível com a imaturidade daquela existência.
E eu nunca saberei do que se tratava,
qual seria a fonte...
Teria sido a perda de um pai,
um avô,
ou ser sozinho no mundo,
estar perdido,
estar doente,
uma topada, um dia ruim,
uma discussão, cansaço.
O que eu sei
é que a escuridão dos olhos dele
brigava com o sol,
com o reflexo do sol no mar,
e com o reflexo do sol nas areias também,
eu nunca tinha visto tanta treva em duas esferas.
E não tirava da cabeça
a interrogação,
o sofrimento, qual seria?
De onde vinha o véu negro
que cobria aquela jovem presença,
qual seria o luto,
de onde jorrava tanta incompreensão.
Mas passei, passei antes que pudesse
compreender a fundo qualquer coisa,
antes mesmo que ele se mexesse,
que olhasse pro lado ou me visse...
E assim, permanecerá como esfinge pra mim
toda a escuridão que encontrei naquele menino.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Mais fundo
Eu tinha uma porção de coisas boas pra escrever,
mas esqueci.
Eu tenho uma porção de coisas que devia esquecer,
mas escrevi.
Desata-me dessa loucura,
me tira essa dor de garoto,
essa coisa de quem sente demais,
de quem chora, quem ri,
de quem cora por qualquer bobagem.
Desata esse desassossego,
esse calor das minhas costas,
esse compromisso inadiável com o caráter,
a conduta e a vocação.
Me puxa, me lava,
me atira daqui desse alto,
do alto de toda essa sabedoria vã,
dessa perturbação.
Ah, um corte,
um corte só, bem aqui nas minhas veias mais sãs,
pra fazer sangria da minha humanidade,
da minha existência atada a esses valores tão pequenos,
do meu desagrado com o mundo,
desse detestável estado de quem vive ferido...
e pra viver melhor fere mais fundo.
mas esqueci.
Eu tenho uma porção de coisas que devia esquecer,
mas escrevi.
Desata-me dessa loucura,
me tira essa dor de garoto,
essa coisa de quem sente demais,
de quem chora, quem ri,
de quem cora por qualquer bobagem.
Desata esse desassossego,
esse calor das minhas costas,
esse compromisso inadiável com o caráter,
a conduta e a vocação.
Me puxa, me lava,
me atira daqui desse alto,
do alto de toda essa sabedoria vã,
dessa perturbação.
Ah, um corte,
um corte só, bem aqui nas minhas veias mais sãs,
pra fazer sangria da minha humanidade,
da minha existência atada a esses valores tão pequenos,
do meu desagrado com o mundo,
desse detestável estado de quem vive ferido...
e pra viver melhor fere mais fundo.
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Um qualquer a paisana
Nesses dias de ódio transitando nas entranhas
não há céu azul que me salve,
não há sorriso algum que me ache,
que me resgate e me torne um ser apresentável...
Nesses dias sou um estranho caminhando nas ruas,
sou um desalmado qualquer que não liga pra nada,
que não sofre de amor,
não amanhece, só tarda.
Sou um qualquer a paisana,
a tristeza das células,
um acidente, um percalço,
um desgraçado...
Sou como a terra vomitando cólera,
a convulsão de um viciado,
eu sou desesperança,
vago de peito vazio,
sabendo que nem bons aquários de morfina
me tirariam deste mood...
Não, não há o que me mude,
sou feito de blue songs,
sou como as cartas de amor que se extraviam,
navios que afundam seus grandes tesouros,
sou máscara, sou triste,
sou um pobre espírito de porco...
Sempre nesses dias,
nesses lindos dias de sol
onde uma parte de mim grita por sal,
onde eu não me aguento mais dentro de mim,
quando o amor me falta
e o total desconforto me toma pra si...
Sou um qualquer a paisana,
um desses que ninguém se importa,
que não tem história,
que não tem futuro e nem passado,
um desses que não vai ser lembrado.
não há céu azul que me salve,
não há sorriso algum que me ache,
que me resgate e me torne um ser apresentável...
Nesses dias sou um estranho caminhando nas ruas,
sou um desalmado qualquer que não liga pra nada,
que não sofre de amor,
não amanhece, só tarda.
Sou um qualquer a paisana,
a tristeza das células,
um acidente, um percalço,
um desgraçado...
Sou como a terra vomitando cólera,
a convulsão de um viciado,
eu sou desesperança,
vago de peito vazio,
sabendo que nem bons aquários de morfina
me tirariam deste mood...
Não, não há o que me mude,
sou feito de blue songs,
sou como as cartas de amor que se extraviam,
navios que afundam seus grandes tesouros,
sou máscara, sou triste,
sou um pobre espírito de porco...
Sempre nesses dias,
nesses lindos dias de sol
onde uma parte de mim grita por sal,
onde eu não me aguento mais dentro de mim,
quando o amor me falta
e o total desconforto me toma pra si...
Sou um qualquer a paisana,
um desses que ninguém se importa,
que não tem história,
que não tem futuro e nem passado,
um desses que não vai ser lembrado.
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