Deixo tudo que eu sinto do lado de fora,
não é hora, não é tempo de sofrer,
deixo tudo que eu sinto
porque é mais do que posso carregar agora,
deixo o rancor, a raiva,
o ciúme doentio que me causa essa pausa de nós.
Sinto muito,
muito mesmo.
Eu sinto, você sabe,
sinto o que devo
e o que não devo.
Sinto falta,
mágoa,
angústia,
essa pontada.
Sinto uma tristeza,
uma dor esquisita,
mal estar,
uma coisa ruim
que parece que vive em mim enclausurada.
Por isso deixo passar,
deixo do lado de fora,
onde não possa ver
e nem pense em tomar pra mim de novo.
Deixo pra trás,
não absorvo,
escuto tua voz,
eu procuro você,
mas não abro meu olho.
Eu fujo da tua presença,
me esquivo pra não ver o teu amor
derramado num outro qualquer,
me mato,
me acabo,
me arrasto,
eu me desfaço,
me despedaço pra não ter nada de você em mim.
Por isso eu deixo tudo do lado de fora,
mas o problema é que agora
parece que eu vivo aqui fora.
terça-feira, 9 de junho de 2015
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Nós
Se eu fosse uma nota,
depois de você,
depois de quando você passou...
Eu não seria dó,
eu não seria uma nota...
eu seria nó.
Um não, eu seria nós,
mas não nós de nós dois,
eu seria um conjunto de nós,
ainda que talvez pensasse como nós,
eu não seria nós,
seria nós.
O nó da garganta,
o nó da vida,
o nó da sua falta,
um nó no peito.
Eu seria nós,
ainda que não houvesse mais nós,
eu seria, só,
seria.
depois de você,
depois de quando você passou...
Eu não seria dó,
eu não seria uma nota...
eu seria nó.
Um não, eu seria nós,
mas não nós de nós dois,
eu seria um conjunto de nós,
ainda que talvez pensasse como nós,
eu não seria nós,
seria nós.
O nó da garganta,
o nó da vida,
o nó da sua falta,
um nó no peito.
Eu seria nós,
ainda que não houvesse mais nós,
eu seria, só,
seria.
domingo, 7 de junho de 2015
Bem diante dos olhos
Talvez ela não fale comigo
por falta de coragem,
ela deve ter um bom motivo
e eu acredito piamente nisso.
Talvez ela não fale comigo
por medo ou por vaidade,
e quando digo que nem ligo,
eu minto, não falo uma só verdade.
Porque daqueles olhos negros
eu andei tirando a minha vida,
e agora eu sou esse desmanche,
essa desfaçatez,
esse estilhaço que ficou daquela partida.
Ando suando frio a noite,
tive sonhos esquisitos,
ausências me assombram,
e as sombras me preenchem...
Estou definitivamente em trevas totais,
entregue, vivo apenas por destino, pena universal,
uma mera casualidade diria um eu mais cético,
ando misantropo como nunca, tumular,
um vampiro pelas ruas...
Talvez sejam as ausências, as sombras,
ou mesmo um verdadeiro eu querendo se revelar,
hoje me nego os vícios que me punham de pé,
fecho os olhos pras minhas vistas,
pras nossas vistas, os horizontes,
pros novos dias, todo dia.
Talvez seja essa fé meio manca, estropiada,
essa absoluta certeza do divino,
e a negação, a covardia,
essa fraqueza mortal perante as provações,
a perda, o desaparecimento de outro amor bem diante dos olhos.
por falta de coragem,
ela deve ter um bom motivo
e eu acredito piamente nisso.
Talvez ela não fale comigo
por medo ou por vaidade,
e quando digo que nem ligo,
eu minto, não falo uma só verdade.
Porque daqueles olhos negros
eu andei tirando a minha vida,
e agora eu sou esse desmanche,
essa desfaçatez,
esse estilhaço que ficou daquela partida.
Ando suando frio a noite,
tive sonhos esquisitos,
ausências me assombram,
e as sombras me preenchem...
Estou definitivamente em trevas totais,
entregue, vivo apenas por destino, pena universal,
uma mera casualidade diria um eu mais cético,
ando misantropo como nunca, tumular,
um vampiro pelas ruas...
Talvez sejam as ausências, as sombras,
ou mesmo um verdadeiro eu querendo se revelar,
hoje me nego os vícios que me punham de pé,
fecho os olhos pras minhas vistas,
pras nossas vistas, os horizontes,
pros novos dias, todo dia.
Talvez seja essa fé meio manca, estropiada,
essa absoluta certeza do divino,
e a negação, a covardia,
essa fraqueza mortal perante as provações,
a perda, o desaparecimento de outro amor bem diante dos olhos.
quarta-feira, 3 de junho de 2015
Minha alma
Nós decretamos feriado quando chove
e por mais que eu ame o Rio
isso me faz querer morar em Londres,
que é pra ficar do seu lado,
que é pra dormir e acordar só com você
e permanecer assim por dias inteiros...
Nós fechamos as janelas
e os olhos pro mundo,
temos nossos próprios rituais,
não estamos presos as mesquinharias,
a rotina que assassina,
a essa saga de viver os dias...
Nós já nem falamos nada,
partimos pra um outro plano,
não temos planos,
escolhemos não viver,
para vivermo-nos,
para estarmos sempre à postos pro amor,
para estarmos sempre atentos ao brilho dos olhos.
Nos trancamos aqui nesse quarto,
acorrentamos nossos desejos um ao outro,
somos nossas melhores conquistas,
nossas melhores opções,
e o mundo todo nada tem com isso,
não há complexos, não há mais vestígios de outro amor.
Nos fazemos de mortos aqui em cima,
assistindo tudo da sacada,
parados enquanto o mundo flutua,
enquanto vagueia no ar a voz do Sinatra,
e a brisa, a maresia que faz tudo clarear.
Nos seguramos um ao outro,
somos perfeitamente inseparáveis,
estamos em harmonia completa,
vivemos nós enquanto morada...
Sim, sou eu aqui,
eu e a minha alma.
e por mais que eu ame o Rio
isso me faz querer morar em Londres,
que é pra ficar do seu lado,
que é pra dormir e acordar só com você
e permanecer assim por dias inteiros...
Nós fechamos as janelas
e os olhos pro mundo,
temos nossos próprios rituais,
não estamos presos as mesquinharias,
a rotina que assassina,
a essa saga de viver os dias...
Nós já nem falamos nada,
partimos pra um outro plano,
não temos planos,
escolhemos não viver,
para vivermo-nos,
para estarmos sempre à postos pro amor,
para estarmos sempre atentos ao brilho dos olhos.
Nos trancamos aqui nesse quarto,
acorrentamos nossos desejos um ao outro,
somos nossas melhores conquistas,
nossas melhores opções,
e o mundo todo nada tem com isso,
não há complexos, não há mais vestígios de outro amor.
Nos fazemos de mortos aqui em cima,
assistindo tudo da sacada,
parados enquanto o mundo flutua,
enquanto vagueia no ar a voz do Sinatra,
e a brisa, a maresia que faz tudo clarear.
Nos seguramos um ao outro,
somos perfeitamente inseparáveis,
estamos em harmonia completa,
vivemos nós enquanto morada...
Sim, sou eu aqui,
eu e a minha alma.
terça-feira, 2 de junho de 2015
segunda-feira, 1 de junho de 2015
A idade das desilusões
Tenho vinte e poucos anos, vivo a idade das desilusões,
há quem diga que não há tempo melhor,
que ser jovem é o que há,
é ser forte, ser bonito,
é não dormir com o amanhã grudado nos seus passos.
Mas acontece que nossas tristezas
começam a nos puxar pelo pé bem aqui,
bem aqui nesse topo do mundo
onde nos encontramos aos vinte e poucos anos.
São as primeiras mulheres sérias que nos maltratam,
as primeiras que enxergávamos com os olhos no futuro,
são os anos se encolhendo,
as novas gerações ocupando as suas ruas,
seus bares, suas boates, suas praças,
são os dias perdendo a graça,
a praia, as pedras, as trilhas, o futebol,
são as dúvidas, a faculdade, o emprego,
a carreira, a tinta da caneta terminando,
a ponta da pena que não vinga como deveria,
o orgulho, a família.
Vivo a idade das desilusões,
nessa geração de desiludidos,
dos perdidos que nasceram quarenta anos depois
ou deveriam nascer daqui a quarenta anos.
Sou da geração que desconstrói, que devora,
que abomina os valores e abraça o valor,
a geração das etiquetas, dos preços, das moedas,
da queda e ascenção de números imaginários,
dos impérios, sim, os do entretenimento.
Geração sem dom, de bobos da corte,
de rebeldes sem causa,
sem sentido algum nas suas arruaças,
sem tato para o trato com o próximo,
sem audição para as sinfonias, para as valsas,
sem olfato para farejar uma nova guerra,
sem visão para contemplar os horizontes límpidos,
sem paladar para sentir o gosto da liberdade conquistada.
Tenho vinte e poucos anos
e vivo sim meus dramas pessoais,
vivo porque ainda não me entreguei.
E hoje eu imagino que no futuro as coisas devem melhorar,
afinal, essa é a idade das desilusões.
há quem diga que não há tempo melhor,
que ser jovem é o que há,
é ser forte, ser bonito,
é não dormir com o amanhã grudado nos seus passos.
Mas acontece que nossas tristezas
começam a nos puxar pelo pé bem aqui,
bem aqui nesse topo do mundo
onde nos encontramos aos vinte e poucos anos.
São as primeiras mulheres sérias que nos maltratam,
as primeiras que enxergávamos com os olhos no futuro,
são os anos se encolhendo,
as novas gerações ocupando as suas ruas,
seus bares, suas boates, suas praças,
são os dias perdendo a graça,
a praia, as pedras, as trilhas, o futebol,
são as dúvidas, a faculdade, o emprego,
a carreira, a tinta da caneta terminando,
a ponta da pena que não vinga como deveria,
o orgulho, a família.
Vivo a idade das desilusões,
nessa geração de desiludidos,
dos perdidos que nasceram quarenta anos depois
ou deveriam nascer daqui a quarenta anos.
Sou da geração que desconstrói, que devora,
que abomina os valores e abraça o valor,
a geração das etiquetas, dos preços, das moedas,
da queda e ascenção de números imaginários,
dos impérios, sim, os do entretenimento.
Geração sem dom, de bobos da corte,
de rebeldes sem causa,
sem sentido algum nas suas arruaças,
sem tato para o trato com o próximo,
sem audição para as sinfonias, para as valsas,
sem olfato para farejar uma nova guerra,
sem visão para contemplar os horizontes límpidos,
sem paladar para sentir o gosto da liberdade conquistada.
Tenho vinte e poucos anos
e vivo sim meus dramas pessoais,
vivo porque ainda não me entreguei.
E hoje eu imagino que no futuro as coisas devem melhorar,
afinal, essa é a idade das desilusões.
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