Repito cenas na minha cabeça,
eu sonho o tempo todo com você,
eu mudo tudo o que eu fiz de errado
e ainda dói tanto saber...
Que fui eu que te deixei partir,
que a culpa foi toda minha
e é só por isso que não te tenho aqui.
Às vezes até acordo chorando,
eu lembro de cada cantinho seu,
e mudo sempre a cor dos teus olhos,
o brilho que era tão especial.
Tenho saudades de te tatear,
de apertar teus ombros,
de te beijar na cama,
e eu morro um pouco disso a cada dia,
eu morro dessa falta que eu sinto, desse frio.
E cada aperto no meu coração,
é um pedaço teu
que dá um suspiro aqui dentro de mim.
Repito cenas na minha cabeça,
eu sonho o tempo todo com você,
eu mudo tudo o que eu fiz de errado,
porque eu já não aguento mais esse viver...
Sem você, o mundo me parece um lugar estranho,
confundo outras meninas da cidade,
eu choro de repente pedalando à noite
e grito que te amo pra ninguém ouvir.
Sem você, eu juro que não tenho intenções,
nem boas nem ruins,
não quero nada com ninguém,
eu sou apenas o vulto do que um dia eu fui,
e quando eu volto a ser alguém... é por você.
É quando eu refaço os passos que nós demos,
recordo as descobertas e até as hesitações,
é quando eu me lembro do teu sorriso,
quando eu me retiro da vida mesquinha,
quando eu te revivo,
quando eu te trago de novo pra mais perto,
mesmo que seja só aqui, dentro de mim.
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Teje morta
Meu amor, eu tenho umas verdades para lhe dizer,
e eu tenho tudo em suaves notas
que é pra lhe satisfazer,
eu escrevi de noite, foi numa madrugada,
do dia dois ou três,
já não me lembro bem, só lembro que ninguém
tirava de mim algo que não fosse dor...
E agora eu tenho aqui, tudo para lhe entregar,
a dor na tinta e no papel,
como se eu tivesse feito do amor uma sangria
e tivesse curado a febre que me mataria
amanhã de manhã.
E meu amor, eu espero que haja um contágio,
eu espero que você se mate com a minha dor,
e se não se matar, eu espero que você,
não passe dessa noite,
não passe dessa noite,
não passe dessa noite...
Mas se você passar, eu prometo que faço uma serenata,
eu boto uma gravata pra ir te encontrar,
eu canto pra sua varanda, toco até te cansar,
até te ver sair voando da sacada,
até te ver de cara, de cara na calçada.
Meu amor, eu te odeio,
eu te quero, a sete palmos do chão,
Meu amor, vá pro inferno,
eu te quero, gelada num caixão.
E se você ficar, se no fim não se matar,
eu espero que você não passe dessa noite,
não passe dessa noite,
não passe dessa noite.
e eu tenho tudo em suaves notas
que é pra lhe satisfazer,
eu escrevi de noite, foi numa madrugada,
do dia dois ou três,
já não me lembro bem, só lembro que ninguém
tirava de mim algo que não fosse dor...
E agora eu tenho aqui, tudo para lhe entregar,
a dor na tinta e no papel,
como se eu tivesse feito do amor uma sangria
e tivesse curado a febre que me mataria
amanhã de manhã.
E meu amor, eu espero que haja um contágio,
eu espero que você se mate com a minha dor,
e se não se matar, eu espero que você,
não passe dessa noite,
não passe dessa noite,
não passe dessa noite...
Mas se você passar, eu prometo que faço uma serenata,
eu boto uma gravata pra ir te encontrar,
eu canto pra sua varanda, toco até te cansar,
até te ver sair voando da sacada,
até te ver de cara, de cara na calçada.
Meu amor, eu te odeio,
eu te quero, a sete palmos do chão,
Meu amor, vá pro inferno,
eu te quero, gelada num caixão.
E se você ficar, se no fim não se matar,
eu espero que você não passe dessa noite,
não passe dessa noite,
não passe dessa noite.
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Dia voa
O dia voa lá fora,
o tempo é lento,
é vento que faz barulho na janela,
já é setembro.
Daqui de dentro só noto coisas óbvias,
me foge tudo aquilo que não está bem debaixo do meu nariz,
só percebo mesmo o que me aparece na base da dor,
esse desassossego, esse aperto agudo no peito,
o mal-estar, esse não estar com você.
É um tremendo sofrimento,
sensação sufocante de que te perdendo
eu perdi uma parte importantíssima de mim,
uma grande parte, cheia de sentimentos bons,
de bons olhos para com o mundo,
de boa vida, vida fácil,
do jeito que gostávamos,
dando os jeitos que nós dávamos.
O dia voa lá fora,
o tempo é lento,
é vento que faz barulho na janela,
e ela...
Ela anda por aí dividindo a vida com outro,
perdendo tempo dessa vinda com outro,
sabe-se lá o que eu deveria fazer,
hoje só sei do que eu não fiz,
porque isso é tudo o que eu faço,
desfaço, desando,
desmancho, desato,
eu me despedaço.
o tempo é lento,
é vento que faz barulho na janela,
já é setembro.
Daqui de dentro só noto coisas óbvias,
me foge tudo aquilo que não está bem debaixo do meu nariz,
só percebo mesmo o que me aparece na base da dor,
esse desassossego, esse aperto agudo no peito,
o mal-estar, esse não estar com você.
É um tremendo sofrimento,
sensação sufocante de que te perdendo
eu perdi uma parte importantíssima de mim,
uma grande parte, cheia de sentimentos bons,
de bons olhos para com o mundo,
de boa vida, vida fácil,
do jeito que gostávamos,
dando os jeitos que nós dávamos.
O dia voa lá fora,
o tempo é lento,
é vento que faz barulho na janela,
e ela...
Ela anda por aí dividindo a vida com outro,
perdendo tempo dessa vinda com outro,
sabe-se lá o que eu deveria fazer,
hoje só sei do que eu não fiz,
porque isso é tudo o que eu faço,
desfaço, desando,
desmancho, desato,
eu me despedaço.
terça-feira, 8 de setembro de 2015
Língua nos dentes
Ela deve ter ficado sabendo que eu não presto,
alguém deve ter dito,
alguém deve ter dado com a língua nos dentes.
Não tenho suspeitos,
não ligo,
não penso mais nisso.
Mas é que quando me lembro,
eu fico assim,
me sinto traído.
Ela me trocou por um outro latino,
por um com berço de ouro
e sobrenome bonito.
Ela me trocou por bons motivos,
ficou sabendo que eu não presto,
ficou sabendo que eu sou triste.
E quando eu lembro,
quando são dias assim
que me trazem ela sem aviso...
Eu esperneio por dentro,
sinto raiva e um vazio tremendo,
depois sinto que não presto mesmo...
E que ela fez muito bem
sendo assim tão linda e serena,
tão feita pro amor...
ela merecia um outro alguém,
merecia um salvador.
E quando eu me lembro disso,
sou tomado por um grande alívio,
não faço mais mal nenhum a ela
e posso voltar aos meus vícios.
alguém deve ter dito,
alguém deve ter dado com a língua nos dentes.
Não tenho suspeitos,
não ligo,
não penso mais nisso.
Mas é que quando me lembro,
eu fico assim,
me sinto traído.
Ela me trocou por um outro latino,
por um com berço de ouro
e sobrenome bonito.
Ela me trocou por bons motivos,
ficou sabendo que eu não presto,
ficou sabendo que eu sou triste.
E quando eu lembro,
quando são dias assim
que me trazem ela sem aviso...
Eu esperneio por dentro,
sinto raiva e um vazio tremendo,
depois sinto que não presto mesmo...
E que ela fez muito bem
sendo assim tão linda e serena,
tão feita pro amor...
ela merecia um outro alguém,
merecia um salvador.
E quando eu me lembro disso,
sou tomado por um grande alívio,
não faço mais mal nenhum a ela
e posso voltar aos meus vícios.
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Turquesa
Me parecia vir toda em turquesa,
com os cabelos cor de abóboras celestes,
me parecia ter saído de um romance,
não fosse um lance assim tão casual.
Ela tinha um sorriso sereníssimo,
tão absurdo e ao mesmo tempo festivo,
ela era uma dama completa,
era uma peça inteira,
um romance pra ler segunda-feira
e deixar a semana doce doce de viver.
Tinha os olhos muito verdes,
dois faróis imperdoáveis,
eram sentimento em cor,
dois autores de destinos,
dois possíveis cruéis assassinos.
Foi num canto meio escuro,
num lugar bastante ingrato
que me entregaram ela nos olhos,
foi num dia bem furado,
eu quase nem saí de casa,
e aí ela estava lá,
e quantas vezes será que não esteve?
Me parecia sair de um filme do Woody Allen,
não entendi, eu quase morri com aquelas cores,
e por acaso acho que se fosse tudo em preto e branco,
eu certamente me apaixonaria também,
porque os olhos falavam
o que boca não disse,
e o sorriso era um fado,
a voz de Amália Rodrigues.
com os cabelos cor de abóboras celestes,
me parecia ter saído de um romance,
não fosse um lance assim tão casual.
Ela tinha um sorriso sereníssimo,
tão absurdo e ao mesmo tempo festivo,
ela era uma dama completa,
era uma peça inteira,
um romance pra ler segunda-feira
e deixar a semana doce doce de viver.
Tinha os olhos muito verdes,
dois faróis imperdoáveis,
eram sentimento em cor,
dois autores de destinos,
dois possíveis cruéis assassinos.
Foi num canto meio escuro,
num lugar bastante ingrato
que me entregaram ela nos olhos,
foi num dia bem furado,
eu quase nem saí de casa,
e aí ela estava lá,
e quantas vezes será que não esteve?
Me parecia sair de um filme do Woody Allen,
não entendi, eu quase morri com aquelas cores,
e por acaso acho que se fosse tudo em preto e branco,
eu certamente me apaixonaria também,
porque os olhos falavam
o que boca não disse,
e o sorriso era um fado,
a voz de Amália Rodrigues.
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