quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Hoje eu quis

Hoje eu quis você

de novo aqui do meu lado,
pra olhar nos teus olhos
e sentir teu calor,
pra falar nossas besteiras a meia luz.

Hoje eu quis você comigo
pra lembrar daqueles tempos,
celebrar nossas lonjuras
e o nosso amor.

É que eu sinto tanto a falta
das nossas noites em claro,
das suas cismas, e é claro,
dos carinhos e amassos.

Me desfaço de saudades,
tenho guardado as minhas vontades de você,
sinto falta de descobrir novos lugares,
de fazer hora pra te encontrar,
e hoje eu vivo assim, sozinho,
querendo entender esse caminho,
esse jeito que a vida deu de te tirar de mim.

Mas hoje eu acordei e quis você de novo,
eu quis e fiz uma promessa
pra ter você de volta...

Eu prometi que ia ser feliz,
que ia largar essa tristeza,
eu ia deixar minguar,
não ia mais alimentar tanto pesar...

E a vida ia ser mais leve,
os dias iam ser mais lindos,
eu não ia mais fugir do sol,
eu não ia mais mentir pra lua...

Eu prometi que ia ser feliz,
que eu ia largar essa tristeza por aí,
eu ia deixar morrer, deixar minguar,
não ia mais alimentar tanto pesar...

E a vida ia ser mais fácil,
os dias iam ser mais longos,
as noites em claro,
os olhos serenos...

Mas tudo só quando você voltar,
quando resolver trazer alguma paz pra mim,
trazer de volta a felicidade que eu preciso.

Se manda

Dá teu jeito e se manda
que eu nunca quis te ver assim,
de olhos vermelhos toda corada,
derramada na droga
e gritando que é por mim...

Eu não te aguento mais,
me esquece, não vai rolar,
dá teu jeito e se manda,
que eu não aguento mais te ver chorar,
não tem mais jeito ou solução,
você eu já nem sei... se ainda tem coração.

Botei numa forma o teu sangue vermelho
só pra lembrar que você ainda vive,
mesmo que caminhe sem entender nada,
mesmo que ande assim sempre desamparada.

Não vou mais abrir as portas
de casa e nem do coração,
você está perdida pra sempre,
sufocada em suas complicações.

Dá teu jeito e se manda,
se manca que a vida não é assim,
não tenho o que fazer,
não sei mais o que dizer pra você esquecer de mim...

Então dá teu jeito e se manda,
porque eu não te aguento mais,
sai dessa onda e me esquece, garota,
toma o teu rumo, me deixa em paz.

Não vou mais abrir as portas
de casa e nem do coração,
você está perdida pra sempre
nos seus pensamentos de rebelião...

Dá teu jeito e se manda,
que eu não aguento mais te ver cheirar,
não tem mais jeito, eu não vejo solução,
você eu já nem sei...  se ainda tem coração.

Eu não te aguento mais,
me esquece, não vai rolar,
toma uma água e vomita essa onda
que assim isso tudo ainda vai te matar.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Imagem do dia!

O píer de ipanema por Evandro Mesquita

Boa vida

To precisando de você pra essa noite,
to precisando ver chover,
eu tô querendo te guardar pra mim
numa noite como essas,
quero te guardar assim, uma última vez,
com as gotas da chuva escorrendo no rosto,
o cabelo molhado, os cílios manchados,
tô precisando de você só mais essa última vez.

Encostada aqui comigo na beira da piscina,
com os pés na água, me abraçando no vento,
fazendo o tempo passar leve,
passar pela gente lento,
só vendo o que é a gente acontecer,
a gente sendo.

Tô precisando de você comigo,
chorando debruçada no meu ombro,
misturando suas lágrimas com os pingos da chuva,
falando baixo, esperneando do seu jeitinho,
me dizendo de quem é a culpa...

E é minha, eu sei,
eu sei.

Mas tô precisando de você,
precisando te encontrar por acaso pensando na vida,
fazendo cara de menina sofrida,
sentada numa escada na altura do 11,
tô precisando dos seus olhos olhando pros meus,
refletindo o mundo pra mim de novo,
pra eu ver tudo como realmente é,
pra eu lembrar das cores, das coisas bonitas que vimos,
e pular as dores, as tristezas vis que nos partiram.

Eu tô precisando estar à toa e te ver andando por aí,
te ver pelas costas, te perseguir,
observar atentamente o seu deslocamento pelos postos,
analisar a composição da foto que daria,
a sua imagem e o dois irmãos,
ou com muita sorte o arpoador,
como eu queria, eu preciso sentir de novo esse amor...

Eu tô precisando de você reclamando,
me perguntando o que eu quero pro futuro,
enquanto eu me seguro pra não dizer que só quero você,
que só penso em você no meu mundo,
eu preciso, preciso das tuas coxas, tua cintura fina,
teus abraços, tuas manias de menina,
eu preciso do teu cheiro pra me despertar pra vida
e passar a mão pelas tuas costas
pra saber que vale a pena viver repetindo essa mentira,
essa coisa tão falida de que é mesmo muito boa a vida.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Todo amor é uma mentira

Quando eu inventei de ser poeta
eu não sabia que devia amar,
e se hoje eu amo tanto,
é triste, mas diria que é quase que por força da ocupação,
quase sempre é pra manter o ganha-pão.

Amar machuca muito,
e quase ninguém sabe como faz pra amar direito,
ainda mais nesses dias,
nesses tempos tão difíceis que vivemos,
amar não é pra qualquer um,
o amor é pra quem sabe dar, se doar.

Por isso amar machuca tanto,
quem ama quase sempre é dos outros,
quem ama faz da vida esse circo desleixado,
faz da vida um picadeiro
e se apresenta o palhaço desastrado.

Mas quando eu inventei de ser poeta
eu não sabia que tinha que amar,
eu não li isso nas letrinhas pequenas,
e todo amor hoje é acidente e obrigação,
é pra girar a roda da vida, continuar o show,
deixar o vento levar,
hoje, todo amor é uma mentira,
porque ninguém mais sabe amar.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Imagem do dia!


Vivo e frio

Ando internado com a solidão,
todo o entorno não me diz mais nada,
não tenho paixão pelos astros,
pelas fases, pelas décadas passadas,
não tenho nada de concreto ou abstrato.

Sou falta, vazio,
o oco, a sombra, o frio,
com pausas para luxúria,
breves momentos de extravio,
mas ainda assim continuo sendo aquele Rio mal cantado,
o Rio imerso na bruma incansável
que segue se esvaindo na eterna orla iluminada.

Ah, sou um sofrimento inomeável,
eu sou o não pertencer,
e meus pensamentos que também não sei se me pertencem,
são agruras infindáveis,
sufocadas bajulações
que não me servem de nada.

E como os segredos desta terra,
como os mistérios de tudo o que acontece
entre o céu e as impiedosas forças telúricas,
eu não sei de nada, e sou tomado pelo nada,
o invisível, abstrato, disforme, dissimulado,
eu sou o fruto sem semente da mesma força impiedosa,
o fruto estéreo desse corpo social,
da consciência flutuante do bando,
da ignorância carnal.

Sou falta, vazio,
eu sou a sombra dos prédios,
o frio que não faz sentido,
sou a árvore seca que esconde o inimigo,
sou o serrote, a bala, o dedo do gatilho,
eu sou a dúvida, o tempo, a consternação,
a guerra, a peste, a desolação,
sou eu; o nada, a falta, o vazio,
não sinto, estou vivo e sou frio.