terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Menina lua

Estou cada vez mais certo do seu amor
e nenhuma dor há de me prejudicar, assim,
com essa vontade que hoje eu tenho
de te ter pra mim,
de ter você comigo aqui...

Nessas noites de sol,
nos dias de lua,
nas areias brancas do mundo,
nos mares com mais tons de azul
que os seus olhos tem de esmeraldas.

Eu quero você comigo,
eu quero você pra mim,
Lua, sol da minha vida,
Lua, sol da minha vida...

Amor, meu astro maior,
meu sol, minha lua,

Amor, sol da minha vida,
astro maior, coisa mais linda;

Redentor do meu Corcovado,
coisa mais linda.

Vidigal do meu Dois Irmãos,
coisa mais linda.

Lua, sol da minha vida,

Lua, sol da minha vida,

Pedra do meu Arpoador,
coisa mais linda,

Baixo do meu Leblon,
coisa mais linda

Lua, sol da minha vida,
Lua, coisa mais linda.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Paixão pelas que desistem

Nutro amor inexplicável por gente que desiste,
sinto forte identificação,
sofro junto, quase choro,
há uma enorme compaixão.

E elas quase sempre desistem primeiro,
principalmente se o assunto sou eu,
elas sempre desistem de mim,
não conseguem entender o que falo
e muito menos tudo aquilo que eu não digo.

E assim, sofro como cão sem dono,
passando por elas, atravessando aquelas vidas,
e sendo deixado para outra hora,
sendo deixado para depois;
é incrível como elas sempre desistem de mim.

E eu, eu só mantenho esse meu amor em silêncio,
faço um ritual na fonte inesgotável que há em mim,
e rezo baixinho, peço novamente por amor táctil,
amor daqueles que temos por coisas pequenas,
por pequenas coisas que às vezes são importantes demais.

Peço, mas peço por pedir,
não me faço de difícil,
qualquer deslize, qualquer dúvida,
e eu desisto.

Sou desses, sou disso,
nada que eu quero eu realmente preciso,
nem de amor,
seja ele incorpóreo ou tangível.

Nutro amor, sim, mas não mais por elas,
é tudo pela capacidade delas de me abandonarem,
pela facilidade com que desistem,
pela falta daquele amor constante
que dura vidas e inspira mortes.

Na verdade,
hoje eu nutro amor é por essa cumplicidade não planejada,
essa forte identificação, essa coisa perversa e doce,
essa compaixão absurda pelos seres que desistem,
seres que abrem mão de qualquer coisa.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Sozinho

Amor, estive a noite inteira aqui sentado,
dividindo o quarto com o cheiro aconchegante do café,
agora está tão tarde que já é quase cedinho
e você sabe como eu gosto de ficar sozinho assim,
como eu gosto de parar pra ver tempo passar.

Amor, você não é mais minha rainha,
não vai me dar mais aquelas princesinhas,
eu te perdi pra ver tempo passar,
e hoje estou aqui, assistindo um outro carnaval,
ah, nem parece que faz tanto tempo assim,
de quando em vez ainda sinto seu cheiro
e às vezes penso que ouço você falando comigo,
reclamando, dizendo o quanto é ruim
esse meu jeito de querer fazer o mundo parar,
mostrando como eu sou mesmo muito difícil de lhe dar.

Ah, mas eu nunca gostei tanto de nada como eu gosto de você,
ainda mais agora que não posso ter,
agora que você desistiu de mim
e arranjou um outro amor pra te fazer feliz...

Mas sabe, hoje te sentir tão longe é como não sentir,
viver essa distância é como não viver,
e eu estive essa noite inteira aqui sentado,
dividindo o quarto com essa falta que você me faz,
fazendo o que melhor eu sei fazer,
esperando o tempo passar,
deixando o mundo de lado pra poder chorar em paz,
pra nunca esquecer de você,
não esquecer que amei alguém assim tão docemente,
lembrar que não sou esse canalha que você guardou pra si,
lembrar que existem coisas muito além do seu olhar.

Mas eu nunca gostei tanto de nada como eu gosto de você,
e agora que não posso ter,
agora que você me deixou aqui,
eu acho que não consigo mais viver... sozinho.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Imagem do dia!


Malditas flores

No fundo eu sempre estive ali
perdido entre a decisão e a poesia,
de olhos ressentidos desbravando algum lugar
entre minha alma e o resto de mim.

Acontece que eu sempre estive longe,
eu nunca fui meu mesmo,
havia alguma coisa ali, além,
alguma coisa muito forte, sentimento flutuante,
um ódio, uma tristeza inexaurível.

Algo que existia e só,
que não se sabia bem o que era,
algo que só se sente,
se sente, e dói,
e dói mais ainda esse não saber.

Porque no fundo eu sempre estive ali,
presente nesse não estar,
nesse não saber,
feliz com toda ausência,
satisfeito em sentir falta e em sê-la,
acostumado a todo fim,
ao desabar de novos e velhos castelos,
ao derramar das lágrimas boas e ruins,
ao fundo do poço, ao poço mais fundo,
eu sempre estive ali.

E estive assim, como quem não quer nada,
como quem não quer nada mesmo,
movido a minhas dores,
aos meus bons e maus momentos,
tracionado pelo mundo que não conheci,
regado pelo desgosto,
pela total inexistência desse amor que nunca tive,
amor que nunca recebi,
embrenhado na mata das paixões sem sentido,
cortado pelo arame dos ressentimentos que guardo comigo,
me afogando no mar das lonjuras que sinto.

No fundo, é,
eu sempre estive ali,
no fundo.

Morto,
vivendo de outras vidas,

Regando os mesmos erros,
e as mesmas dores.

Vivendo de novo,
morrendo de novo.

Colhendo sempre as mesmas malditas flores.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Aprontou

Ela me aprontou mais uma,
deu pra aparecer de novo nos meus sonhos,
quis que fosse hoje,
exatamente quando fez um ano.

Poderia ser coincidência,
provavelmente algo do subconsciente,
mas me chocou essa coisa das datas baterem,
me deu um susto, senti um aperto,
os olhos se encheram de lágrimas.

É, besteira, acho que ando muito chorão,
mas é que ela sempre foi um ponto fraco,
sempre trouxe mais de uma sensação,
tinhamos um troço transcendente,
coisa de alma, de vidas, de tempos distantes,
talvez ela me abandone todas as vezes,
talvez por isso o amor só cresça,
talvez por isso eu seja assim tão triste.

Ela me aprontou mais uma
e me deixou assim pra baixo em pleno carnaval,
me arrancou de mim mesmo
e chutou pra um canto escuro com cheiro de veneno,
fazendo referência há outros tempos,
pediu desculpas, alegou esquecimento.

Ela me aprontou mais uma,
já não se importa mais com nada,
não se importa mais comigo,
não tem coração,
não tem amor nenhum,
esqueceu, perdeu-se de mim...

Me trocou, sumiu deixando apenas
a lembrança de sua candura,
dos olhos vívidos
e do sorriso fácil que sempre trazia.