Sobrevivi a fevereiro,
grande feito,
e é mesmo, pode acreditar.
Sobrevivi a fevereiro
e com fantasia de estrangeiro,
com minha mania de dar jeito,
de estar sempre cheio.
Sobrevivi porque não andei de peito vazio,
mas andei com o coração escorado,
com a vida serena,
com alma em grande fase,
e a cabeça em bom nível...
e o pé, o pé com uma saúde indefectível.
Eu sobrevivi a fevereiro,
e o carnaval nem foi em março.
Veja você,
eu sobrevivi mesmo.
Não botei fé, achei que não ia dar,
de segunda ou terça-feira
certamente eu não ia passar,
mas de repente já era quarta
e eu nem tava indo pra casa...
É, sobrevivi por acidente,
por umas e outras,
meninas, mulheres cadentes,
cruzando o céu das multidões,
trazendo sempre uma delícia em especial,
uma iguaria qualquer na alma,
nos olhos, no corpo, na cara.
Eu sobrevivi mesmo a fevereiro
e não tenho do que reclamar,
me sinto melhor quando acaba,
mas nunca me nego o carnaval.
quinta-feira, 24 de março de 2016
terça-feira, 22 de março de 2016
Decretos emergenciais
Palavras soturnas estão soando tão mal,
poemas de amor, decretos, fases da lua,
tudo circular, tudo que é definitivo e infinito,
tudo isso tem tomado um efeito estranho em mim,
é como se eu não sentisse mais,
surgiu uma espécie de imunidade,
aquele velho amor clichê me dá aversão,
vontade de vomitar, de me jogar do décimo andar.
Tenho lido coisas que escrevi e queimado,
tenho tido sonhos absurdos,
venho sendo experimentado por lembranças terríveis,
algo acontece no meu coração,
não sou mais o mesmo, não produzo como antes,
estou vivendo sem nenhuma esperança,
não há mais brilho em mim,
o coração não bate como antes,
não dispara como antes.
Deve ser alguma maldição, e se for,
que seja circular, definitiva e infinita,
e tome em mim o mesmo destino do amor,
que acinzente se essa já não for a sua cor,
que apodreça, esfarele, e vire cinzas,
porque eu preciso compôr pra viver como antes,
pra achar em mim palavras soturnas que batam,
amores que façam e aconteçam,
fases da lua que encham meus olhos,
decretos emergenciais,
decretos emergenciais de carnaval.
poemas de amor, decretos, fases da lua,
tudo circular, tudo que é definitivo e infinito,
tudo isso tem tomado um efeito estranho em mim,
é como se eu não sentisse mais,
surgiu uma espécie de imunidade,
aquele velho amor clichê me dá aversão,
vontade de vomitar, de me jogar do décimo andar.
Tenho lido coisas que escrevi e queimado,
tenho tido sonhos absurdos,
venho sendo experimentado por lembranças terríveis,
algo acontece no meu coração,
não sou mais o mesmo, não produzo como antes,
estou vivendo sem nenhuma esperança,
não há mais brilho em mim,
o coração não bate como antes,
não dispara como antes.
Deve ser alguma maldição, e se for,
que seja circular, definitiva e infinita,
e tome em mim o mesmo destino do amor,
que acinzente se essa já não for a sua cor,
que apodreça, esfarele, e vire cinzas,
porque eu preciso compôr pra viver como antes,
pra achar em mim palavras soturnas que batam,
amores que façam e aconteçam,
fases da lua que encham meus olhos,
decretos emergenciais,
decretos emergenciais de carnaval.
domingo, 20 de março de 2016
Questionamentos
Um vento quente rompe outro momento intranquilo da tarde,
ouço um sino, alucino,
não há sinos perto de casa.
Sinto coisas que não entendo,
há momentos que questiono toda minha existência,
paro, penso, por quê?
Esqueço, vivo um escuro de artista,
sem arte, sem obra,
vivo outras vidas, por vezes sou cópia,
sou homem novo recitando línguas mortas.
Noutros tempos não vivo,
sou tido como desaparecido,
não jogo pro mundo,
me visto e saio pra rua.
Sou visto, me escondo,
me ponho de novo a questionar toda existência,
não sou, não sinto,
tudo o que dizem é lenda.
Perco as tardes,
ah, como eu odeio as tardes,
as comparo aos jovens insolentes,
fazem tanto calor, tanto barulho,
são tão lindas e passam desvairadas.
Ganho as noites,
são minhas, as vivo com tanto gosto,
atravesso-as com as meninas que pintam o rosto,
nem pareço comigo,
a noite estou sempre disposto.
Um vento quente invade de novo a janela do quarto,
não ouço o sino,
sinto um arrepio, releio o meu vago desvario,
questiono minha relevância literária,
embargo novas inspirações,
apago, rabisco, amasso, rasgo,
paro, penso, por quê?
ouço um sino, alucino,
não há sinos perto de casa.
Sinto coisas que não entendo,
há momentos que questiono toda minha existência,
paro, penso, por quê?
Esqueço, vivo um escuro de artista,
sem arte, sem obra,
vivo outras vidas, por vezes sou cópia,
sou homem novo recitando línguas mortas.
Noutros tempos não vivo,
sou tido como desaparecido,
não jogo pro mundo,
me visto e saio pra rua.
Sou visto, me escondo,
me ponho de novo a questionar toda existência,
não sou, não sinto,
tudo o que dizem é lenda.
Perco as tardes,
ah, como eu odeio as tardes,
as comparo aos jovens insolentes,
fazem tanto calor, tanto barulho,
são tão lindas e passam desvairadas.
Ganho as noites,
são minhas, as vivo com tanto gosto,
atravesso-as com as meninas que pintam o rosto,
nem pareço comigo,
a noite estou sempre disposto.
Um vento quente invade de novo a janela do quarto,
não ouço o sino,
sinto um arrepio, releio o meu vago desvario,
questiono minha relevância literária,
embargo novas inspirações,
apago, rabisco, amasso, rasgo,
paro, penso, por quê?
Promessas
Eu hoje acordei
te pedindo pra fazer promessas,
eu levantei sem medo de te dizer
que eu tinha medo.
Foi um aperto no meu peito
que de repente me tomou o ar
e me trouxe uma luz
que revelou outras realidades.
E aí, eu acordei quase sem respirar,
sufocado com a possibilidade da sua ausência,
com a chance ainda que remota de existir
pra sempre por aí sem você, sem te ver...
De permanecer sozinho,
e ficar velhinho,
perambulando pelos cantos, aos pedaços,
te procurando,
recolhendo os meus cacos em mesas de bar,
e forjando qualquer encontro
pra não morrer de tristezas.
Bramindo pelas noites,
por amor,
por apreço ao sofrer,
e a você, a você...
Sem querer saber muito,
porque foi tudo tão sem querer.
Sem querer saber muito,
que é pra parar de sofrer...
E pra ninguém notar
que bem de perto
não fomos quase nada...
Mas pra você,
só pra você.
te pedindo pra fazer promessas,
eu levantei sem medo de te dizer
que eu tinha medo.
Foi um aperto no meu peito
que de repente me tomou o ar
e me trouxe uma luz
que revelou outras realidades.
E aí, eu acordei quase sem respirar,
sufocado com a possibilidade da sua ausência,
com a chance ainda que remota de existir
pra sempre por aí sem você, sem te ver...
De permanecer sozinho,
e ficar velhinho,
perambulando pelos cantos, aos pedaços,
te procurando,
recolhendo os meus cacos em mesas de bar,
e forjando qualquer encontro
pra não morrer de tristezas.
Bramindo pelas noites,
por amor,
por apreço ao sofrer,
e a você, a você...
Sem querer saber muito,
porque foi tudo tão sem querer.
Sem querer saber muito,
que é pra parar de sofrer...
E pra ninguém notar
que bem de perto
não fomos quase nada...
Mas pra você,
só pra você.
segunda-feira, 7 de março de 2016
sexta-feira, 4 de março de 2016
Falhar terrivelmente
Preciso antes de qualquer coisa, não estar aqui,
preciso poder partir,
preciso escrever um poema de mil e quinhentas linhas,
preciso amar melhor,
preciso fazer as minhas menininhas.
Ando pensando demais na vida,
e às vezes é como se faltasse tudo,
outras vezes, nada,
sinto que há preso no meu peito
uma espécie de kryptonita,
alguma coisa que me suga,
que me tira toda vontade de vida.
Mas eu preciso antes de qualquer coisa, viver,
preciso tomar pra mim alguma felicidade,
preciso esquecer Luisa, e amar de novo uma Maria Fernanda,
preciso sumir do mundo todo mês por pelo menos uma semana,
preciso ler de novo o livro cego de Paulo Mendes Campos
e me extasiar ouvindo um disco novo que traga velhos encantos.
Ando querendo tão pouco,
desperdiçando tanto tempo,
ou ganhando, não sei,
eu sofro só pelo que me lembro.
E ainda assim, preciso ser melhor pessoa,
preciso estar pros meus,
preciso vivê-los,
preciso fazê-los felizes,
preciso ser menos,
ser bom pai, bom provedor...
Mas antes de qualquer coisa,
é preciso não falhar terrivelmente no amor.
preciso poder partir,
preciso escrever um poema de mil e quinhentas linhas,
preciso amar melhor,
preciso fazer as minhas menininhas.
Ando pensando demais na vida,
e às vezes é como se faltasse tudo,
outras vezes, nada,
sinto que há preso no meu peito
uma espécie de kryptonita,
alguma coisa que me suga,
que me tira toda vontade de vida.
Mas eu preciso antes de qualquer coisa, viver,
preciso tomar pra mim alguma felicidade,
preciso esquecer Luisa, e amar de novo uma Maria Fernanda,
preciso sumir do mundo todo mês por pelo menos uma semana,
preciso ler de novo o livro cego de Paulo Mendes Campos
e me extasiar ouvindo um disco novo que traga velhos encantos.
Ando querendo tão pouco,
desperdiçando tanto tempo,
ou ganhando, não sei,
eu sofro só pelo que me lembro.
E ainda assim, preciso ser melhor pessoa,
preciso estar pros meus,
preciso vivê-los,
preciso fazê-los felizes,
preciso ser menos,
ser bom pai, bom provedor...
Mas antes de qualquer coisa,
é preciso não falhar terrivelmente no amor.
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