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| João da Baiana e Pixinguinha no Centro do Rio de Janeiro anos 60 |
terça-feira, 29 de dezembro de 2020
Sânscrito
Se fosse sânscrito sua paixão,
debruçaria-me dias e dias,
pra aprender, poder falar...
como eu te amo, coisa linda.
Saio de casa sem querer me lembrar,
do tempo todo que eu não vou estar,
e dessa sanha incontrolável
que eu sinto de não poder te encontrar.
Se eu fosse um Deus iria te inventar,
só pra te ver viver no mundo e amar,
com os olhos tristes de quem sabe
que a vida é muito mais.
Alma velha irretocável
me ensina a vida inteira
Alma velha e delicada
traduz minhas tristezas
Direto dos olhos
como fosse luz,
direto dos olhos
tiro esses versos...
Alma velha irretocável
me ensina a vida inteira
Alma velha e delicada
traduz minhas tristezas
E se eu fosse um Deus,
ia te inventar,
se eu fosse um Deus,
ia te guardar, pra você não ver...
Que a vida é só...
É só o que aí está.
segunda-feira, 30 de novembro de 2020
Profanador
De certo risonho
profanador de corações,
desavergonhado colecionador
de deslizes, distrações.
Caminhante leve de passos sortidos,
seccionando,
marcando com os olhos todos os desvios.
Destemido, pra sempre menino,
descomunalmente provido
de talento, dom divino...
Inimaginável,
despretensioso protagonista de lugar nenhum,
muy afortunado, gaiato, atirado,
sorriso rasgado, um coringa.
Narciso ferido no eco
de suas repetidas conjecturações,
incompreendido,
perdido em seu próprio ser.
perdido em seu próprio ser.
Profanador de corações,
só por prazer, facilidades,
pelas verdades que só um Deus entenderia.
Profanador de corações,
descrente do amor
só pela dor que traz consigo.
Vivendo pras inutilezas, sutilezas,
Vivendo pras inutilezas, sutilezas,
as delícias do caminho...
seguindo inadvertidamente levado
pelos improvisos dessa vida.
Profanador de corações,
só por prazer, facilidades,
pelas verdades que só um Deus entenderia.
Profanador de corações,
descrente do amor
só pela dor que traz consigo.
Lugar sagrado
Muito antes dos brancos loucos,
dos portugas e franceses,
muito antes dos índios todos,
dos tupinambás e tamoios...
Isso tudo já estava no lugar,
as pedras e as vistas delirantes,
sem nomes e endereços,
sem poemas e definições,
salamandra cruel e intacta,
sem as guerras e os cifrões.
Lugar sagrado e definitivo
muito antes dos cristãos,
antes de existirem crenças,
e antes de toda religião.
Sem ninguém pra ver,
sem ninguém pra tocar,
sem ninguém pra crer,
sem ninguém pra pintar...
E os contornos todos
ao gosto original,
o céu desaforado,
se exibindo para o mar...
Uma guanabara inteira
de histórias pra contar,
dos cantos do Rio,
e da insensatez,
de todas as coisas que ninguém ainda fez.
Muito antes dos brancos loucos,
dos franceses e portugas,
muito antes dos índios todos,
dos tupinambás e tamoios...
Muito antes dos fenícios da gávea,
das naves avistadas,
e dos símbolos sagrados de qualquer lugar.
Isso aqui já era santuário
pra um Deus que alguém precisava inventar.
O homem só
Não há nada com charme no mundo moderno
que possa sobrepor o charme de um homem sozinho,
da solidão do ser humano,
da complexidade e da tristeza das escolhas
que levam uma vida a espalhar-se sozinha
pelos anos de existência que lhe restam.
Não há nada que me convença
que um homem só não pode ser feliz,
nem os olhos vazios, nem o sorriso roto
de quem não sorri pra ninguém,
de quem esqueceu como é,
de quem só lembra da felicidade distante.
Não, não há nada nessa vida moderna que possa me fazer mudar de idéia,
o sofrimento do homem só, é como algo que me preenche,
semeia os campos plenos e vazios de minha alma
com os arbustos que tem as mais doces amoras,
e não há nada que possa mudar isso, não.
O homem só, tem a paciência dos anjos,
paga suas penitências em vida e nem sente,
o homem só e sua barba por fazer trazem pra perto
a tristeza e a compreensão que só quem sofre por amor também possui,
só quem sofre repetidamente por amor também possui.
Ah, o homem, entidade desesperada por amor e compreensão,
e o sofrimento do homem, do que se trata essa obstinação para com os fins?
Se são os meios que nos moldam,
se são os outros que nos marcam, e nós aos outros, e o mundo a todos.
Ah, o homem só, e sua barba grisalha, sua vida em eterno ponto facultativo,
tudo provisório, tudo em flutuante condição,
sempre leve, suspenso pelas horas do dia e da noite, ele, o homem só,
ele que poderia ser em sua juventude de alma
o personagem de qualquer romance,
ele que tendo sua nobreza e paz de espírito
poderia ser a égide incansável de qualquer mulher,
ele, o homem só, essa criatura tão contraditória e encantadora.
Que enquanto homem só, apenas carrega sua tristeza pelos cantos,
por entre os homens felizes e as mulheres que poderiam ser felizes consigo,
que dribla a cidade movediça e seus passantes,
ele, homem só, que sendo ele homem feliz,
seria o mais feliz dos homens.
Que não sendo homem só, que sendo apenas homem,
como os outros homens e suas famílias,
seria o maior dos homens, seria enorme seu coração,
e não esse emaranhado tão pequeno,
esse monte de nós tão justos que nunca se desatariam.
E não, ainda acho que não há nada na vida
da complexidade e da tristeza das escolhas
que levam uma vida a espalhar-se sozinha
pelos anos de existência que lhe restam.
Não há nada que me convença
que um homem só não pode ser feliz,
nem os olhos vazios, nem o sorriso roto
de quem não sorri pra ninguém,
de quem esqueceu como é,
de quem só lembra da felicidade distante.
Não, não há nada nessa vida moderna que possa me fazer mudar de idéia,
o sofrimento do homem só, é como algo que me preenche,
semeia os campos plenos e vazios de minha alma
com os arbustos que tem as mais doces amoras,
e não há nada que possa mudar isso, não.
O homem só, tem a paciência dos anjos,
paga suas penitências em vida e nem sente,
o homem só e sua barba por fazer trazem pra perto
a tristeza e a compreensão que só quem sofre por amor também possui,
só quem sofre repetidamente por amor também possui.
Ah, o homem, entidade desesperada por amor e compreensão,
e o sofrimento do homem, do que se trata essa obstinação para com os fins?
Se são os meios que nos moldam,
se são os outros que nos marcam, e nós aos outros, e o mundo a todos.
Ah, o homem só, e sua barba grisalha, sua vida em eterno ponto facultativo,
tudo provisório, tudo em flutuante condição,
sempre leve, suspenso pelas horas do dia e da noite, ele, o homem só,
ele que poderia ser em sua juventude de alma
o personagem de qualquer romance,
ele que tendo sua nobreza e paz de espírito
poderia ser a égide incansável de qualquer mulher,
ele, o homem só, essa criatura tão contraditória e encantadora.
Que enquanto homem só, apenas carrega sua tristeza pelos cantos,
por entre os homens felizes e as mulheres que poderiam ser felizes consigo,
que dribla a cidade movediça e seus passantes,
ele, homem só, que sendo ele homem feliz,
seria o mais feliz dos homens.
Que não sendo homem só, que sendo apenas homem,
como os outros homens e suas famílias,
seria o maior dos homens, seria enorme seu coração,
e não esse emaranhado tão pequeno,
esse monte de nós tão justos que nunca se desatariam.
E não, ainda acho que não há nada na vida
que explique a beleza do homem sozinho,
a beleza do homem sozinho se comparado aos outros homens vivos,
ele que é esse ser aprisionado em procrastinação domingueira infinita,
que é essa existência que reside numa desmesura de ócio,
de tédio que semeia, rega e colhe,
semeia, rega,
e encolhe o coração.
a beleza do homem sozinho se comparado aos outros homens vivos,
ele que é esse ser aprisionado em procrastinação domingueira infinita,
que é essa existência que reside numa desmesura de ócio,
de tédio que semeia, rega e colhe,
semeia, rega,
e encolhe o coração.
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