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| Julio Barroso e a Gang 90 |
quarta-feira, 25 de maio de 2022
sexta-feira, 29 de abril de 2022
Dinamite
Bob me fez Vasco, assim como Romário,
e eu nem vi aquele tão falado time de 74,
não sei o rosto do Luis Carlos,
não sei qual é a perna boa do Zanata...
Mas Bob foi como um personagem de cinema,
um herói de gibi. Meu pai, meu tio,
todo mundo aqui em casa guarda com carinho,
sempre escutei sobre as lendárias narrações
das vozes que eu não ouvi no rádio,
dos gols que eu nunca vi no estádio.
A volta contra o Corinthians,
os balaços infindáveis,
a placa incontestável
do moço que morava em caxias.
Bob Dinamite,
sem capa de super-herói,
mas com faixa e cruz de malta,
com o 10 estampado nas costas,
e o êxtase do gol um super-poder especial.
Poder que me fez também super herói,
mesmo sem vê-lo dentro das linhas,
mesmo sem ter presenciado,
mesmo sendo tudo apenas passado...
Sou Vasco.
Porque a emoção dos olhos de quem amo
quando diz das coisas que amaram,
me basta.
E Bob foi Vasco,
é Vasco ainda e sempre será,
parte inseparável da história
do Vasco.
E da minha, do meu pai,
do meu avô,
dos meus filhos.
quarta-feira, 13 de abril de 2022
Pindorama
Pindorama é o céu Tupi
paraíso de Orixá
saber muito dói demais Atena
Sou como era meu avô
deixo tudo como está
me revolta só o vento leste
quando vira o tempo de cá
De lá eu não ligo não
quase sempre sou assim
me pareço com os passantes,
passo largo, calmaria
Vida simples de levar,
menininhas de vermelho,
serra, mar,
e singeleza...
Pindorama é o céu Tupi
paraíso de Orixá
saber muito dói demais Atena
Quase sempre eu sou assim
como era meu avô
quero vida muito simples de levar
Pindorama é o céu Tupi
paraíso vem de lá
de um lado eu sou a cor
do outro sou macunaíma
Vim de lá, não ligo não,
só se o vento vem pra cá,
me padeço dos passantes,
vida dura...
Pindorama é o céu Tupi
paraíso de Orixá
saber muito dói demais Atena
quinta-feira, 31 de março de 2022
Inatos
Dizem por aí, que agora tudo é uma egotrip,
nessa muito nova era moderna de apliques,
de golpes e espelhos,
de narcisos afogados criando guelras
e permanecendo bem vivos.
E enquanto nada faz sentido
pra esse alguém que sempre foge do destino,
que faz um esforço louco
pra viver sempre perdido...
Se esquivando das pessoas chatas,
dos quase mortos-vivos
que não dão nem duas páginas de um livro.
É como eu vou me controlando
pra não viver de porre do mundo,
das pessoas rasas, dos homens de farda,
dos seres imensamente aguerridos
e quase sempre sem brilho.
Esses que me dão certeza
da existência de um Deus poderoso e vivo.
Pois só a distração de um grande criador
poderia dar vida a tamanho vazio...
Vazio dessas almas desgarradas, e eu digo,
desgraçadas;
dos homens sempre plácidos,
dos mansos residentes do vácuo
de suas mentes parvas...
E dos viveres improfundos,
dos lemas flexíveis e inatos
que são a fina flor desse absurdo.
A prova da ignorância mais plena
que é o grande medo de fazer silêncio
e de assim criar justiça.
Chega de gente!
Não quero que a semana comece
o dia ensolarado não me desce,
o peso do mundo em meus ombros é pouco,
não tenho mais saco pro corpo
nem a alma dos outros...
Pra mim, chega de gente,
eu detesto quem sente,
detesto quem chora e quem ri,
quem diz que é sempre feliz,
quem não lembra que a vida
é curta demais.
O mundo já deve acabar,
por previsões na bíblia
ou guerra nuclear...
Eu não sei nada além disso,
vamos pelo clima ou vaidades dos ricos,
eu não espero mais nada até lá,
só quero ver de cima,
se um disco voador puder vir me buscar.
Pra mim, já chega de gente,
eu detesto quem sente,
quem fala ou se cala demais...
Quem é chato e não sabe,
quem não lembra da gente,
quem só chora ou só ri,
e ainda gosta de mim...
Pra mim, já chega de gente,
eu já não luto essa frente,
me considero um rapaz que vive das inconsequências,
que segue a tragédia dos astros e que nada sente.
Eu sou a noite escura,
a madrugada,
sem medo da barra quebrar,
que o sol não é de nada.
Eu sou a mata escura,
o amor desenganado,
sem medo de anhangá,
meu passo é sempre atirado...
Pra mim, já chega de gente,
eu tô cansado demais,
cansado assim, de quem gosta de mim,
ou quem não vale nada,
cansado demais, de quem amo
ou quem fica pra trás...
Pra mim... chega.
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