terça-feira, 14 de outubro de 2025
Amor aos postos
quinta-feira, 25 de setembro de 2025
Interno modernista
Pela primeira vez, não tenho
a luz do Jockey Club no horizonte —
e as nuvens baixas, agora,
não trazem nada além de chuva e névoa.
E é como se eu me despedisse,
como se eu deixasse de acreditar em tudo.
É a total obliteração do meu eu lírico —
aquele, o que sempre foi cativo da cidade;
o dono dos cantos tortos,
das pedras molhadas,
do vão entre os paralelos,
das intempestes madrugadas;
apaixonado pelas bem-nascidas,
pelos azuis ternos,
pelos doze postos,
e por uns viciados discretos,
que vagam sempre semimortos.
É difícil de acreditar,
mas aquela aura de desajuste me abandonou.
Há, agora, apenas a completa aniquilação
de um antigo eu.
E é como se eu estivesse sendo devorado —
bem capaz de um dia sumir
sem deixar pistas.
Me sinto como o Monroe e a cidade nouveau:
estou sendo internamente demolido
por um modernista.
segunda-feira, 21 de abril de 2025
Lugares vivos
domingo, 30 de março de 2025
Onde ninguém vai
é onde ninguém vai.
Onde não me encontrem,
não me irritem,
não me tirem a paz...
Já que busco paz de céu azul
e paz de céu cinzento,
dia nublado, pouca luz,
poucos acontecimentos.
Busco paz que ninguém quer,
paz difícil, de solidão,
dentro do café coado,
pisando no tapete persa.
Pensando como a vida é massa,
e em como pesa,
e o quanto pesa o coração.
Mas tudo é mais fácil
quando não há ninguém,
ninguém onde eu vou,
ninguém onde eu vivo,
ninguém que queira saber
ou que se importe comigo.
É mais fácil viver com saudade de tudo,
do que saber muito precocemente
dos sempre apinhados caminhos do mundo.