terça-feira, 31 de maio de 2011

Lua tua

Já tarde apreciando a meia lua tua enquanto dormes,
vejo que a lua inteira imponente brilhando no céu
hoje ofusca boa parte das estrelas.

Ela é tão forte que nem a hora é meia
se posta inteira como deve ser.

E pelo céu dos meus devaneios mais secretos
eu desço procurando algo que ainda é meu, passeio em constelações,
me perco entre os corações passados, partidos, achados, perdidos.

E no ninho da lua e estrela então, desandei a viajar
e viajei melhor, sem delírios, sem me entorpecer,
mas de qualquer jeito acabo que caio sempre estagnado e feliz
surfando nas mil galáxias e formas do teu corpo nu...

Que conheço em palma; palmo a palmo
dos desejos, toques, medos, seus anseios
saltiados pelas reações e ações venéreas
arrepios, ruídos, cupídos, flechas...

Enquanto lá de cima ela embala ciumenta
os nossos amassos, seus laços de lingua,
teus beijos marcados nas minhas roupas
coisas loucas, nossas coisas loucas.

E do além, sem avisar, sem nem dizer
aqueles brilhos de repente invadem meus olhos que caem
como fossem fechados a força e apago tranquilo ao seu lado

Sob o brilho da lua inteira
que se mostra agora em pontas sob seu ninho de nuvens
encarando a meia lua tua que foi só minha nessa noite.

sábado, 28 de maio de 2011

Uns dias

Eu fiquei feliz, mesmo não estando tão perto
Me fiz de bobo, mesmo sendo um cara esperto

Ficava calado, só pra ver você falar
Ouvia teus problemas, teus poemas, teus dizeres de amor

Uns dias atrás, eu tava tão sem chão pra ir
Mas com você tudo mudou
Não sei por que, não escolhi

Uns dias atrás, eu tava tão sem chão pra ir
Mas com você, me senti moleque de novo
Sem vergonha de pedir socorro, de salgar os olhos pra sentir

Teu sorriso estampado, minhas falácias, tuas caras
Nossas risadas embreagadas,
Nesse palco de vários olhares perdidos

Tantos sentidos no chão, tantos sentimentos vãos
Que dão cor ao ar, sabor a água clara, e pula aos olhos o que não se vê
Nessas noites tardes, dias de amor pra te ter, te querer

Poder te fazer carinho, olhar você dormir
Ver seus olhos dizerem sutilmente "vem pra mim"
Fazer você sorrir, sentir mulher sem se despir

Uns dias atrás eu tava tão sem chão para seguir
Mas com você...

Matar o sábado

Eu vou matar o sábado,
hoje ninguém me tira daqui.

Eu vou matar o sábado,
vai ser uma pena se o sol sair...

Hoje eu acordei na maior lombra,
mó preguiça de viver.
E não vai dar pra dormir de novo
nem ligando a TV...

Se parar pra pensar,
eu sei, vou acabar saindo.
Então eu dou um ligão no ar
pra me encolher no friozinho.

Eu vou matar o sábado,
hoje ninguém me tira daqui.

Eu vou matar o sábado,
vai ser uma pena se o sol sair...

O maçarico não desliga,
sol dando moca la fora.
Mó cabeçada na rua,
os neguinho jogando bola.

Bateu aquela fome
e o telefone hoje é pra isso.
Chama a Lara, ta pensando... Não, não é nada disso!
Sanduba e açaí pra cair bem, meu bem,
traz um sorvete e um filminho só pra ficar juntinho.

Na onda de casalzinho, sem sufocação,
muito amor e o que mais vier porque contigo tudo é bom.

Eu vou matar o sábado,
hoje ninguém me tira daqui.

Eu vou matar o sábado,
vai ser uma pena se o sol sair...

Ta sobrando volta no relógio,
quase vinte e mais um pouco
e eu to solto, solto, eu to solto demais...

Que fase, tu vai dizer,
e eu vou dizer que é assim que é...
Eu tenho tempo pra caralho
já assisti até o filme do Pelé.

Eu vou matar o sábado
hoje ninguém me tira daqui.

Eu vou matar o sábado
vai ser uma pena se o sol sair...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Tempos atrás

Há tempos me perco em sonhos de um passado,
são mais lembranças do que sonhos, mas já parecem tão distantes...

Não consolam, não fazem feliz.
Só apertam meu peito e me partem sem dó.

São sorrisos de uns tempos de pureza
São os escritos no caderno, os rabiscos na mesa...

As broncas, as tias, os beijos, bochechas, caretas, as horas pra voltar!

As brincadeiras, correrias, tapetes...
os copos de vidro e pedidos de cuidado para não quebrar.

Até as brigas sem motivação,
hoje são presentes em forma de lembrança, recordação
de sentimento que bate; e é tão...

Tão forte não poder viver...
de novo.

Tão forte a impotencia de não ser...
como era antes.

Há tempos, fazem-me falta os sorrisos
momentos ingênuos sem atritos, os carinhos sem motivo,
os olhares, a inocência, as músicas e os apelidos...

E em tempo me vejo agora...
soluçando, chorando baixinho, jogando essa falta fora.

Pra lembrar dos tempos que eu fui mais feliz.
Pra lembrar que todo fruto ruim algum dia já foi raiz...

Foi puro... foi só sonhos... foi orgulho.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Só até acordar

Ver-te em sono profundo ao meu lado
Remete aos teus momentos de total desacato
Desacato somente aos teus encantos
Em noites de mulamba que adoras reviver

Te sigo, te amo, te vivo, já faz anos
E sim, ja fomos felizes quem sabe...

Me diga se estiver sóbria,
Se tem apresso por estas sobras
Se quer ainda viver as sombras

E desaba, está em escombros
Ah menina,
Ah se eu fosse seu de novo...

Hoje eu te redescobria
E começava pelos ombros
Passeava pelas costas, aquelas divinas constelações
Os sinais, arrepios, teus olhos, covinhas, sorriso...

Ah, não sou...
Me esquivo, endureço e não te atiço
Permaneces intocada, só ternura, só ternura...

Até acordar.

Imagem do dia!


segunda-feira, 23 de maio de 2011

Segunda feira

Não me dê bom dia, não mande eu me apressar.
Não me pergunte as horas, nem me acorde pra jantar.

Não fale comigo, não me mande levantar.
Não me peça nada que eu precise me esforçar.

Domingo maldito,
segunda feira tristeza.
Não me note,
sou só um lugar vazio à mesa.

Não conte piadas, não pise forte no chão.
Não faça ruídos, não arranhe um violão.

Não fale de futebol, não me cubra com lençol.
Não entre sem bater, não bata só pra me ver.

Domingo maldito,
segunda feira tristeza.
Não me ligue,
e tirem as facas da mesa.

Não conte dias e meses, não espere interesse.
Não diga nunca o que devo fazer.

Não me venha com teorias, não me fale das suas tias.
Não pense que eu quero saber.

Domingo maldito,
segunda feira tristeza.
Não force o decote,
ainda sou fã de pureza.

Não esteja sorridente, não estou nem pro presidente.
Não sou obrigado a viver.

Não fale que sou mau humorado, não preciso ser engraçado.
Não pense que eu vou ceder.