quinta-feira, 27 de novembro de 2014
terça-feira, 25 de novembro de 2014
O poeta debaixo das escadas
Bem debaixo das escadas
sob as solas dos sapatos dos passantes,
o menino destilava seus versos,
derramava suas lágrimas...
Sol a sol,
como se sentença fosse,
o poeta debaixo das escadas
se escondia.
Fugia dos arroubos violentos da juventude,
da massante tristeza
que adornava a sua alma...
O poeta se escondia
pra guardar-se do mundo,
pra sagrar-se
grande homem no futuro.
E com os olhos salgados de mar,
do mar tempestuoso de sua alma,
certo dia o pequeno poeta
só admirou de longe os degraus...
Não se escondeu debaixo das escadas,
arrastou sua imensa tristeza pelo caminho
e seguiu, seguiu chorando a vida,
cresceu versando morte,
dando nome ao desassossego
que é sentir-se sempre muito afeito ao pesar...
Que é ser feito de palavras a escrever,
de poesia pra deixar
antes de Deus deixar-te ir.
sob as solas dos sapatos dos passantes,
o menino destilava seus versos,
derramava suas lágrimas...
Sol a sol,
como se sentença fosse,
o poeta debaixo das escadas
se escondia.
Fugia dos arroubos violentos da juventude,
da massante tristeza
que adornava a sua alma...
O poeta se escondia
pra guardar-se do mundo,
pra sagrar-se
grande homem no futuro.
E com os olhos salgados de mar,
do mar tempestuoso de sua alma,
certo dia o pequeno poeta
só admirou de longe os degraus...
Não se escondeu debaixo das escadas,
arrastou sua imensa tristeza pelo caminho
e seguiu, seguiu chorando a vida,
cresceu versando morte,
dando nome ao desassossego
que é sentir-se sempre muito afeito ao pesar...
Que é ser feito de palavras a escrever,
de poesia pra deixar
antes de Deus deixar-te ir.
domingo, 23 de novembro de 2014
Padecimento
Ela é das coisas mais lindas desse mundo,
eu nunca vi nada igual...
E mesmo quando ando perdido
vivendo um escuro profundo,
são naqueles olhos
que eu encontro o caminho do mar.
Desacreditado com a mão espalmada pro alto,
eu suplico, clamo,
peço por qualquer interferência divina,
oro pra que ela venha, pra que ela volte,
pra que ela queira algo de mim antes que eu me corte,
que eu me jogue do décimo oitavo andar...
Ela é tudo que eu tive de melhor,
não tem antes nem depois daqueles olhos,
eu esqueci minha alma naquele azul,
no reflexo das luzes
do nosso bem pequeno canto sul...
Nesse tempo em que o mundo me parecia
um lugar todo irreal,
ponto abastado da vida
onde eu fui feliz de fato,
onde fui verdades muito bem vestidas,
lugar comum onde vivi através dela,
do sentimento mais caro e sublime,
do amor que por ela tive,
do amor que por ela ainda tenho...
E que hoje;
assim já bem distante dos bons tempos,
vive por ela através do padecimento,
dessa dor incurável que traz todo fim,
desse desconsolo arquejante
que por muito continuarei tendo.
eu nunca vi nada igual...
E mesmo quando ando perdido
vivendo um escuro profundo,
são naqueles olhos
que eu encontro o caminho do mar.
Desacreditado com a mão espalmada pro alto,
eu suplico, clamo,
peço por qualquer interferência divina,
oro pra que ela venha, pra que ela volte,
pra que ela queira algo de mim antes que eu me corte,
que eu me jogue do décimo oitavo andar...
Ela é tudo que eu tive de melhor,
não tem antes nem depois daqueles olhos,
eu esqueci minha alma naquele azul,
no reflexo das luzes
do nosso bem pequeno canto sul...
Nesse tempo em que o mundo me parecia
um lugar todo irreal,
ponto abastado da vida
onde eu fui feliz de fato,
onde fui verdades muito bem vestidas,
lugar comum onde vivi através dela,
do sentimento mais caro e sublime,
do amor que por ela tive,
do amor que por ela ainda tenho...
E que hoje;
assim já bem distante dos bons tempos,
vive por ela através do padecimento,
dessa dor incurável que traz todo fim,
desse desconsolo arquejante
que por muito continuarei tendo.
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Deus
Ele vem cheio dos seus bem quereres,
vem que nem uma brisa, maresia,
vem como quem não vai mais embora,
não quer mais saber do mundo lá fora...
Me transmite a desimportância de tudo,
e eu vejo mesmo que não sei de nada,
e que nem quero saber...
Só sei da vida
que ela acaba.
Não sei de nada,
sei de nada...
E quando ele vai, eu vivo procurando significados
pra essa minha insignificância,
escorado em vontades diversas,
paixões de meia-tigela pelos olhos claros
das meninas mais indiscretas...
E ainda que não saiba de nada,
penso que levo como verdade na vida
o vaticínio de que onde o sol bate
há uma ponta desse mistério,
há um talhe incompreensível;
e de que onde a luz da lua brilha
há também o mesmo sentimento,
uma figura em constante dissimulação.
Por toda parte,
por todo lado, todo canto,
existe sim a semente, o embrião,
a gênese, a célula fundamental,
do sentimento, da presença fundamental,
por toda parte,
por todo lado, todo canto...
Nas sombras lisérgicas,
nos altares imaculados,
nas tumbas dos faraós,
em atlântida inundada,
em marte, em vênus, kepler,
plutão!
Há sim por todas as terras,
nas esferas mais distantes,
essa presença imaterial,
essa intenção divina acima da compreensão.
Há quem chame de Deus...
eu chamo de amor.
vem que nem uma brisa, maresia,
vem como quem não vai mais embora,
não quer mais saber do mundo lá fora...
Me transmite a desimportância de tudo,
e eu vejo mesmo que não sei de nada,
e que nem quero saber...
Só sei da vida
que ela acaba.
Não sei de nada,
sei de nada...
E quando ele vai, eu vivo procurando significados
pra essa minha insignificância,
escorado em vontades diversas,
paixões de meia-tigela pelos olhos claros
das meninas mais indiscretas...
E ainda que não saiba de nada,
penso que levo como verdade na vida
o vaticínio de que onde o sol bate
há uma ponta desse mistério,
há um talhe incompreensível;
e de que onde a luz da lua brilha
há também o mesmo sentimento,
uma figura em constante dissimulação.
Por toda parte,
por todo lado, todo canto,
existe sim a semente, o embrião,
a gênese, a célula fundamental,
do sentimento, da presença fundamental,
por toda parte,
por todo lado, todo canto...
Nas sombras lisérgicas,
nos altares imaculados,
nas tumbas dos faraós,
em atlântida inundada,
em marte, em vênus, kepler,
plutão!
Há sim por todas as terras,
nas esferas mais distantes,
essa presença imaterial,
essa intenção divina acima da compreensão.
Há quem chame de Deus...
eu chamo de amor.
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Última canção
Soprando a dor pra fora dos meus pulmões,
eu fiz uma ultima canção
em seu nome...
Me aproveitando da distância,
das últimas lembranças,
eu fiz cantarolando essa melodia.
Apago o cigarro no meu pulso,
bem sado, me queimo, eu procuro
o resto do seu amor esquecido no meu sangue,
um último suspiro, veneno,
um vício, o meu levante...
E me assusto quando encontro
nos cantos mais improváveis do meu corpo,
um pouco de você,
de um beijo com gostinho de geléia de morango,
nada mal... tango down, down, down.
Você me deixa assim cambaleante,
toda vez a mesma história,
já é quase uma constante...
e os seus olhos sacanas
perdidos em outras camas,
me tiram o sono, roubam toda poesia,
fazem sangria da minha vida...
Apago o cigarro no meu pulso,
nesse passo pranteado eu sigo
porque só me acho nessa dor,
só me acho entregue a esse sentimento agudo,
consternação, esse desgosto profundo...
Fazendo de novo
juras de uma última canção,
rastejando com a alma,
imerso em boas intenções,
vou me entregando a sua falta,
destruindo outros corações.
eu fiz uma ultima canção
em seu nome...
Me aproveitando da distância,
das últimas lembranças,
eu fiz cantarolando essa melodia.
Apago o cigarro no meu pulso,
bem sado, me queimo, eu procuro
o resto do seu amor esquecido no meu sangue,
um último suspiro, veneno,
um vício, o meu levante...
E me assusto quando encontro
nos cantos mais improváveis do meu corpo,
um pouco de você,
de um beijo com gostinho de geléia de morango,
nada mal... tango down, down, down.
Você me deixa assim cambaleante,
toda vez a mesma história,
já é quase uma constante...
e os seus olhos sacanas
perdidos em outras camas,
me tiram o sono, roubam toda poesia,
fazem sangria da minha vida...
Apago o cigarro no meu pulso,
nesse passo pranteado eu sigo
porque só me acho nessa dor,
só me acho entregue a esse sentimento agudo,
consternação, esse desgosto profundo...
Fazendo de novo
juras de uma última canção,
rastejando com a alma,
imerso em boas intenções,
vou me entregando a sua falta,
destruindo outros corações.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
O vento
O vento uiva na noite,
discursa a mais alta sabedoria,
fala de cantos do mundo que ninguém conhece,
conta mil histórias,
traz coisas de novos continentes...
Nas suas rajadas
soletra impiedosamente vida e morte,
coleciona tudo que puder arrastar,
gira o catavento, faz a ressaca no mar.
O vento molda as pedras,
os galhos da amendoeira,
derruba as folhas todas,
faz dançarem os pinheiros...
No vento vem areia,
vem perfume, vem poeira,
no vento vem maresia,
vem chuva fina, pedra de gelo...
Mas no vento também vem calmaria,
nos dias que não há um desassossego,
nos dias que o vento repousa e só vem pela tarde,
ventando bem quente, sereno, fagueiro.
No vento é que plana a gaivota,
é o vento que faz o velejador,
o vento faz alegria dos loucos
quando vem a lestada das noites de horror...
E de todas as suas aparições,
carregando telha
ou sustentando a pipa,
o vento me disse que gostava mesmo
de mexer com as saias das meninas.
discursa a mais alta sabedoria,
fala de cantos do mundo que ninguém conhece,
conta mil histórias,
traz coisas de novos continentes...
Nas suas rajadas
soletra impiedosamente vida e morte,
coleciona tudo que puder arrastar,
gira o catavento, faz a ressaca no mar.
O vento molda as pedras,
os galhos da amendoeira,
derruba as folhas todas,
faz dançarem os pinheiros...
No vento vem areia,
vem perfume, vem poeira,
no vento vem maresia,
vem chuva fina, pedra de gelo...
Mas no vento também vem calmaria,
nos dias que não há um desassossego,
nos dias que o vento repousa e só vem pela tarde,
ventando bem quente, sereno, fagueiro.
No vento é que plana a gaivota,
é o vento que faz o velejador,
o vento faz alegria dos loucos
quando vem a lestada das noites de horror...
E de todas as suas aparições,
carregando telha
ou sustentando a pipa,
o vento me disse que gostava mesmo
de mexer com as saias das meninas.
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