terça-feira, 28 de julho de 2015

Valsa do choro

Você devia ver como ela chora,
porque ela chora bem,
bem como dizia o místico,
bem como é importante em todo amor que se dá,
todo amor que se preze,
todo amor que não vai terminar.

E quando ela chora o mundo reage tão bem,
quando ela chora eu me desfaço,
me encontro de repente um outro alguém.

Porque quando ela chora o mundo reage tão bem,
quando ela chora eu me estilhaço
e me refaço inteirinho, me visto todinho de amor.

Que é pra não vê-la sofrer,
embora ela sofra tão bem,
embora ela chore tão bonito assim.

E é aí que mora o amor, o meu,
não é mesmo na satisfação,
passa longe da felicidade,
o amor não dói por vaidade,
o amor é mistério,
é destino, é penar,
o amor que é leve,
também pode pesar.

Mas quando ela chora,
o mundo se confunde todo pra mim,
e eu não sei mais dizer
o que é bom ou ruim.

Porque ela chora tão bem,
bem como um grande amor chora,
ela chora tão bonito,
que nem parece sofrido chorar.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

O lugar mais frio

Da janela vê-se o corcovado
e uma lua tua como eu sempre procurei,
dos meus olhos saem mares,
choro porque choras,
porque prefiro pensar que choras também.

Vê-se o Rio muito bem aqui de cima,
e há tanta mágoa junto a mim
que eu mal vejo o sol sair,
mesmo nesses dias de calor, de verão,
mesmo nesses meses que não existem estações.

Meu peito é o lugar mais frio do Rio,
e eu ainda insisto em sofrer por você,
em perdurar esse amor machucado que você tem pra me dar,
pra infligir a minha alma.

Meu peito é o lugar mais frio do Rio,
é o lugar mais frio onde é possível sentir dor,
o lugar mais frio do lado de cá da linha do equador.

Da janela vê-se o corcovado,
vê-se o mar e um horizonte plano,
é fácil sentir a brisa, a maresia,
e há ainda um cinzeirinho de cobre pra compôr a vista...

Vê-se bem a tristeza do mundo aqui de cima,
desse mundo cansado e repleto de desilusão,
mundo estranho, estancado de nós.

Meu peito é o lugar mais frio do Rio,
e eu ainda insisto, eu ainda insisto,
eu ainda sonho com o seu amor mal cuidado,
com o seu olhar esvaziado,
e com o brilho, o brilho,
o brilho...

Do dia que há lá fora,
da vida que há lá fora,
do mundo triste e cansado,
do rio quente ou frio,
do cristo, do corcovado...

E do seu, do seu.

domingo, 26 de julho de 2015

Imagem do dia!


Cafoninha toda vida

Já tem muito tempo
que me pego lembrando você,
aquilo tudo que foi nosso,
o nosso amor de se perder...

De quando o Joá era novidade,
e a gente se encontrava sem querer
de manhã no parque lage.

Já tem tantas voltas nos ponteiros,
já dei fim em vários calendários,
e tudo que tenho aqui comigo
ainda tem muito dos nosso passos...

Tem muito tempo que venho juntando
coragem pra te dar um sinal de vida,
quem sabe mostrar qualquer coisa
das tantas que fiz pra você...

Mas sempre que te vejo por aí
feliz, tão resolvida,
eu morro de vergonha
desses versos que são cafoninhas toda vida.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Não sou ninguém

Já não sou o mesmo
desde que você resolveu ir,
eu não consigo ver beleza
e nem criar do jeito que sempre fiz,
já não aguento mais Vinicius de Moraes,
não consigo parar pra ouvir as canções do amor demais.

Estou apegado ao escuro
que é tão afável a minha falta de luz,
eu já não consigo te ver
quando fecho os meus olhos,
e eu mal acredito que não posso.

As sombras conversam comigo
e agora eu respondo,
eu me lamento aqui, estou entregue,
já não sei o que deve ser daqui pra frente...
esse abandono não me pertence.

Me encontro enterrado em versos sobre a morte,
palavras do Místico,
Baudelaire e de Schmidt,
eu não aguento ouvir canções que não sejam blue's,
eu só consigo ouvir os tangos,
os fados que não possuem luz.

Me encontro agora num baixo sem igual,
fazem dias que vivo rente ao chão,
fazem dias que eu fico aqui, estático,
e sofro feito um cão.

Estou apegado ao escuro
que é o que mais se aproxima do que se tornou o meu coração,
eu já não consigo te ver de jeito nenhum,
e eu mal acredito que não posso,
que não vou mais ter você.

As sombras conversam comigo
e eu não me esquivo mais,
não faz sentido, eu alucino,
não consigo te ver com outro rapaz...

Me encontro enterrado em restos de nós,
nos planos secretos,
nos toques, nos choques,
na vontade de nunca estarmos sós.

E eu já não sou mais o mesmo
desde que você resolveu sumir,
eu não consigo ver beleza
e nem criar como sempre fiz...

Porque eu já não sou o mesmo
e acho que você também,
eu já não sou o mesmo,
sem você, não sou ninguém.

Imagem do dia!