sábado, 21 de janeiro de 2017

Uma outra baiana

Eu gosto dela e dessa paixão
que ela tem pelo carnaval,
e sinto uma inveja danada
de como ela fala que ama essa confusão.

Mas eu gosto dela desse jeito,
eu gosto assim quando ela ri,
quando ela joga confete pro alto e me diz
que nenhum bloco vai sair sem ela.

Ah, eu gosto dela,
como eu gosto dela assim feliz,
quando o surdo começa a tocar
e os tamborins vão esquentar,
quando o carro de som diz que vai buscar o ita no norte.

Ah, eu gosto dela,
como eu gosto dela assim feliz,
nos fevereiros do nosso amor,
nos dias longos de folia aos pés do redentor,
e quando o surdo começa a tocar,
quando o carro de som diz que vai buscar o ita no norte,
eu vou por aí com ela, pra ver o bloco passar,
ver toda essa gente viver
como se a vida nunca fosse terminar.

Eu gosto dela e dessa paixão
que ela tem pelo carnaval,
e eu sinto um ciúme danado
quando ela diz que ama tanto isso tudo,
e que vai ficar maluca
quando quarta feira chegar...

Ela sempre diz que só vai parar
na quarta feira de cinzas...

Ela sempre diz que ainda vai desfilar
quarta feira de cinzas.

Imagem do dia!


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Semi-lúcido

No quarto sumi-lúcido,
um quarto pra ver tudo derreter,
eu fujo dos meus monstros todos,
eu busco um final qualquer pra mim...

No quarto semi-morto,
o ser mais absorto, excesso em vida e caos,
não sinto mais nenhum sabor,
a dor é o meu ponto final.

Deslizo pelas bordas,
me atiro em parapeitos,
se tudo não é nada e nem tem gosto,
eu não aceito desaforos.

No quarto semi-lúcido,
dois quartos pra poder ver mais do mundo,
eu quero qualquer coisa pra sentir,
quero não poder dizer
que não estou nem aí.

Deslizo pelos cantos,
procuro histórias boas pra contar,
preciso transcender, esquecer o que há de mal,
porque no mundo sem gosto, o tato é quem me salva,
é quem põe grades nas sacadas pra eu não me jogar.

No quarto semi-morto,
não há mais quartos pra saborear,
estou vivo, estou confuso,
meu fuso é de outro mundo,
não vivo o que aqui há.

Deslizo pela vida quando ninguém me vê,
eu só me alimento do que vai te enfraquecer,
porque o que eu amo me mata,
e o que me ama também,
por isso vivo nesse inferno,
amando mais do que ninguém.

Ponto de reflexão I

Ando ausente de mim, dos meus lados escuros,
dos meus cantos sozinhos,
das minhas noites em claro.

Vivo estranho, poupo os pulsos,
penso menos, não sei se morro
ou se vivo por dentro,
só sei que é pouco
o que sinto aqui dentro.

Prefiro comedidamente o antes,
preciso de menos do agora,
quero de novo exigir candura
e poder cantar sozinho para o nascer do sol,

Quero a cidade minha e de mais ninguém,
não quero dividir,
quero ser inteirinho,
quero estar sozinho pra enfrentar o mundo.

Só, somente um, somente eu,
me esguiando para atravessar a cidade fenecida de sonâmbulos,
e pular das pontes altas
tendo em mim os sentimentos mais estranhos;

Quero morrer por dentro,
quero querer outros milênios,
e chorar, e chorar, e chorar de desespero...

Quero tudo de volta,
e nada comedidamente,
quero meu sofrimento,
minha melancolia,
quero minha tristeza,
e a dor da sabedoria.

Imagem do dia!


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Terra nova

Planto meus pés em terra nova,
abandono os barcos de solidão,
esqueço o mar, jogo flores pro alto,
esperando fazê-las voar.

Ela coisa bonita de se ver,
coisa boa de se encantar,
minha terra de santa cruz,
meu harém, meu amor, meu jabá.

Menina, coisa linda da vida, meu amor,
querida, meus jardins só tem flores pra você,
minha voz só se faz pra te cantar,
coração só ta aqui pra te abrigar,
sou tão seu que nem sei viver sozinho mais.

Planto meus pés em terra nova,
abandono oceanos de solidão,
esqueço as areais do leblon,
jogo a vida pro alto esperando fazê-la sorrir.

Ela é coisa bonita demais de se ver,
melhor companhia pra todo o entardecer,
pra todas as vidas que eu hei de ter,
pras crias todas que vou ensinar a viver...

Menina, coisa linda da vida, meu amor,
querida, meus jardins só tem flores pra você,
minha voz só se faz pra te cantar,
coração só ta aqui pra te abrigar,
sou tão seu que nem sei viver sozinho mais.

Há quem não vá acreditar

Meninas tem suas músicas
dentro do coração,
todas elas tem seus tons,
e há quem viva só pra escutar.

As ruas tem suas cores,
cidades tem também,
o céu às vezes fala,
e o mar é uma mulher.

Da vida pouco se leva,
os olhos são quem tem muito pra dizer,
a boca, diz tanto quanto os ombros,
e as almas não mentem por querer.

As meninas tem suas sinfonias escondidas,
e há homens que vivem pra escutar,
há quem desvende os segredos,
há quem prefira não acreditar.

Gnomos existem,
e as fadas também,
as coisas ruins dos livros,
e as histórias com final feliz.

As flores de plástico vivem,
a grama cortada também,
as pérolas dos colares,
as esmeraldas e os rubis.

Meninas tem suas músicas,
e é preciso escutar pra viver melhor,
o mundo não gira sozinho,
são milhões de cavalos calados,
milhões de cavalos calados,
são muitos, são demais pra contar.