as luzes do jockey e ao frio,
terça-feira, 29 de setembro de 2020
Artes práticas
as luzes do jockey e ao frio,
Desmorono
pra o terror de quem me guia,
meu norte é muito mais forte
quando eu meço pelo chão...
As ressacas desgraçadas
e os amores sem receio,
mil problemas imorais
que se eu não lembro não tenho.
Eu desabo pelos cantos
e sem pudor nas avenidas,
eu sou muito mais eu,
do que esses ricos meninos,
não preciso estar alerta,
eu sou sorte e sou rancor,
desespero os passantes mudos,
eu desperto alegria e dor.
E as ressacas desgraçadas
são de amores sem receio,
e problemas imorais,
que só lembrará quem viu.
Com as mãos de pianista
tateando todas as vistas,
reconheço o amor por engano,
eu só me perco nas piores vidas.
E desmorono por esporte,
que esse sempre foi meu norte,
a mesma tristeza dos meus olhos
é o único encanto que eu sei ver,
não preciso de motivos,
pra ser triste basta viver.
Deixa de alegria
que a minha dor é como a alma,
sei que não vai me deixar.
Deixe que fique assim mal entendido,
que eu não quero ouvir um pio,
eu não tô pra brincadeira...
Deixa de me olhar com esses olhos,
que a dor que sinto agora
não foi feita pra curar...
E que ela vá em paz sem despedidas,
não há coisa mais sofrida
que um abraço pra selar.
Deixa, deixa tudo assim desarrumado,
que eu quero mais um trago
antes de me endireitar.
Deixa de pensar que eu sou errado,
que se eu for eu não me acerto
só pra te contrariar.
E esquece o desespero do meu lado,
que o que eu amo eu mesmo mato
e ainda arrasto por aí...
Deixa, deixa que eu me enterre em solidão,
que eu me mate,
e que eu me acabe
com o mal que eu escolher...
Deixa,
e diz que o amor é coisa
muito boa de se ter,
diz, diz também que ela me amou
muito mais do que eu amei...
Me faça respirar mais uma vez,
diz, amigo, diz só por dizer,
diz pra ela que eu não quis,
que eu nunca quis que fosse assim,
ah, eu não quis,
eu nunca quis que fosse assim.
sábado, 26 de setembro de 2020
segunda-feira, 31 de agosto de 2020
Só o Rio
Em tempos difíceis apelo pra ti,
apelo pros dias claros,
pros clichês intermináveis.
Apelo pro cristo visto do parque lage,
recorro aos azuis do mar calmo no arpoador,
aos passantes dançando em volta das estátuas da cidade,
recorro a essa aura de descontrole e amor de irmão.
Eu nessas horas invoco
o poder das pedrinhas portuguesas,
uma dessas belezas bestas
que depois de velho não vou enxergar.
Me debruço num pedalar incansável,
deslizando sem medo pelo caos,
passando por entre as veias,
pelas entranhas dessa povoação,
nas horas tristes e felizes,
nos pontos de fervura,
de ebulição...
Recusando esse assolamento das almas,
essa tendência do século,
esse desamor, essa distância de tudo,
esse ver e rever constante
que hoje é sem abrir os olhos,
sem deixar brilhar.
Em tempos difíceis apelo pra ti,
apelo pras quedas d'água,
pros cantos que lavam a alma.
Apelo pro céu estrelado das noites daqui,
essas noites frustradas que queriam ser dia.
Ah, eu apelo pros domingos de sol olhando pras Tijucas,
apelo pra Joatinga, pra Marambaia,
apelo pras delícias, pros loucos, pras meninas.
É, sempre dá certo,
em tempos difíceis acaba que eu sempre me viro,
parece besteira...
Mas é que só Rio me salva do Rio.


