quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Vôo escuro

Repito mantras mortos pra me manter de pé,
eu tenho muitas coisas pra dizer e pra falar,
da vida que eu vivo
e julgam ser tão fácil,
dos louros que eu não colho,
lugares que eu nem passo...

Eu tenho medos que não posso falar,
e penso coisas que não se deve dizer,
vivo penas que nem são minhas,
choro coisas que não devo chorar,
eu preciso estar sozinho,
ser sozinho pra me curar.

E em todo escuro,
lugares que eu me acho,
uso penas que nem são minhas
pra poder voar.

E em todo escuro,
lugares em que vez em quando me acho,
uso penas que nem são minhas,
como roupa de ritual,
e vôo pra todo escuro
procurando algo como um negro carnaval.

Dá licença

Dá licença, dá licença coração,
mas eu tenho que dizer,
eu tenho uma queda por ela,
e é um tombo pra melhor dizer,
não sei mais viver,
e sinto que sei só com você.

Das coisas da vida,
a dor eu não quis levar,
encontrei em você o amor,
e te levei pra lá,

Pro calor do meu abraço,
pro afino do meu assovio fácil,
pras coisas mais lindas da vida
que eu descobri com você,
quando te vi, quando te quis,
quando te tive toda pra mim...

Dá licença, dá licença coração,
mas eu tenho, tenho mesmo é que dizer,
eu tenho uma queda por ela,
e é um tombo pra melhor dizer,
não sei mais viver,
e sinto que sei só com você.

Imagem do dia!


Aparentemente

Aparentemente não é fácil ser feliz,
não há plenitude nem no inverno de Paris,
e quando penso em nós dois
não consigo segurar,
eu quase morro de vontades,
eu quase perco minhas vaidades,
e saio por aí sozinho,
rezando muito e bem baixinho,
só pensando em fazer mundo girar...

Porque aparentemente
não é fácil ter você pra mim.

Porque aparentemente
não é fácil ter você comigo aqui.

E eu não sei viver assim,
sem saber mais de você do que de mim,
eu não sei mais como deve ser,
qualquer vida que não tenha nós,
qualquer vida em que eu esteja só,
por aí, sem você...

Aparentemente não é fácil ser feliz,
mas é mais difícil ser feliz sem te ver,
sem te ter comigo aqui.

Imagem do dia!