quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Quatro e quarenta e quatro

Pra falar dos meus momentos
eu tenho sido um pouco breve...

"Tudo bem, tudo mal, mais ou menos, pode ser..."

Tenho estado tão carente
tão perto e longe de você
e mesmo assim ainda penso
faço brincadeiras pra poder levar...

Levar assim, como quem não quer mais nada...
Como quem não quer se machucar!

Pra falar do que eu ando fazendo
eu tenho sido um tanto breve...

"Nada, quase nada, eu to por ai, você sabe bem..."

Tenho estado tão na mesma
que nem sei mais como eu sou
fico pra baixo, cheio de segredos
fingindo ser frio e escondendo os medos...

Só pra rir e ser feliz
dizer que isso ai é tudo que eu quis
debochar, fazer gracinhas
e pouco caso de quem fala de amor...

Mas o fato é que as horas combinam
e eu sempre me lembro do que passou.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Intrépida imagem

O ano todo pela margem
querendo tropeçar em outros corpos pra esquecer...

Escondendo de mim mesmo
as trilhas que eu fazia com você
e as que eu fazia pra você.

As vezes é difícil realizar
que a culpa é minha, que eu deixei correr demais
e nada restou daquele horizonte alto que foi nosso...

De repente é dezembro
e já fazem dois verões que eu não vejo a sua cor
seu rastro, seus olhos
tanto tempo que eu não sinto o seu calor.

De repente é dezembro
e eu já nem sei contar, quanto tempo faz...

Rodeando sempre os mesmos lugares
esperando o acaso pra juntar nossos olhares
correndo pela areia, suando sentimentos
pra ter a leve sensação de que sou eu, de que chegou o fim da sina
de que ainda posso ser por mim, mesmo que isso seja só a endorfina...

De repente é dezembro
e as ruas falam por você
lugares escuros brilham como os olhos teus
e são o abate da minha intrépida imagem
tão brava quanto o Cão Coragem.

De repente é dezembro
e eu já nem sei contar, as lágrimas...

domingo, 18 de dezembro de 2011

Não consigo explicar

Não consigo entender o seu sorriso
nem por um momento,
e não há lapso de lucidez
que explique essa beleza...

Estar perto de você, é estar junto ao indecifrável,
é ficar próximo de me sentir pequeno,
e perder-me ao olhar fundo nesses olhos rasos de cor,
é me achar; e de certa forma depender.

Estar perto de você,
é sentir nesses traços perfeitos ainda sem nenhum sinal de dor,
que agora é fácil estar junto a alguma certeza,
é saber; ficar convicto de que existe algo maior,
é ter bem próximo o que dizem ser divino; ser do céu.

E é tão estranho ver em um momento tão breve tudo mudar,
manias, desejos, vontades, lugares pra viver,
planejar um novo mundo pra botar no altar,
mudar os passos, ver diferentes os antigos espaços,
ter mais pra ter do que esperar, ter mais pra querer e ensinar...

Estranho é imaginar que há alguns dias atrás
nada era tão lindo assim,
e essa rotina hoje feita pra te encontrar
parece tão necessária...

Eu não evito mais os teus olhos
e mil dos meus crimes prescrevem
a cada segundo que te vejo sorrir...

O mundo me parece muito mais tranquilo assim.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Só a dois

No meu mundo é tudo parecido
e ainda é tão cedo pra mim
lá fora o tempo voa, vida boa irmão...

12, 18, e um céu azul...
Aterro, arpoador, qualquer lugar da sul.

Batida em toda quina, goles e tapas nas esquinas
e tudo é tão perto... e tudo é tão nosso...

Vejo uma cena a cada beijo
quantas já amei por aqui...
E por que depois de tanto tempo,
tudo ainda é tão perto?

No meu mundo é tudo parecido,
e ainda é tão cedo pra amar,
pra amar de verdade e se roer de ciúmes...

Trinta dias por mês
mil e uma, minha e tua.
sem pudor...

E quando encho a cara, me perco por aí...
no lado escuro da vida
de uma qualquer que eu ainda não vivi.

Meio dia...
meio louco demais pra você...

Eu me perdi nos braços de outro alguém,
procurando os seus abraços...
Com saudade de você, me perdi nos estilhaços
do que o mundo fez com o nosso amor.

Mas tanto faz, agora tanto faz...
aqui na areia pouco importa pra mim.

Só deixa o sol arder, queimar a noite aqui dentro,
nesse coração trevas incertas que dizem ser o meu.

Mas só aceito se for a dois.
Só a dois!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Costas quentes

Rodeado de areia e caos
sem rotina, sem maneiras...
há quem duvide, mas há mais o que dizer!

Andando e gelando com sombras
as pontas de sol sem querer
vão se as boas impressões
desenham-se as rotas de fuga
que me sugam o que era paz

E as costas são o que tenho
a solidão sem um fino
e venho então por meio desta declarar minha fraqueza...

Que é entender...
Ter certeza, estar ciente
do fato ou fardo de viver

E saber que essas costas quentes
são tudo que tenho!

E os olhos que brilham são meus
e mais nada, mais nada...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Mais uma vez

Sinto o cheiro do Leblon e de Ipanema nas tuas roupas,
sinto e vejo que ando errado assim cantando solo.

Mais uma vez...

Atravessando a Vinicius com você,
chamando de Montenegro só pra te ver reclamar,
falando no ouvido com carinho, "amor, foi só pra você reclamar..."

É eu sou desses, eu me entrego,
sinto falta mesmo e fim...
e quando me perguntam como eu estou,
eu só penso que estaria bem melhor.

Mais uma vez...

Meio sem destino na Prudente de Morais,
perco os meus olhos naquele portão, nas varandas de vidro,
na esquina da Henrique Dumont...

E me dá uma vontade de entrar pra dizer
pequena eu te amo...
só pra dizer
pequena eu te amo...

É eu sou desses e se paro pra pensar é pior,
eu erro bem mais que o usual,
não ajo com calma, não vejo como é simples dizer
ou que fazer pra te agradar, pra reconquistar.

Sinto o cheiro do Leblon e de Ipanema nas tuas roupas,
sinto e vejo a falta que o teu passo me faz...

E mais uma vez, mais uma vez...
eu poderia estar melhor.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Imagem do dia!

Riso rasgado

É com muito gosto que hoje espero um outro amor afoito
amor fugido, daquele guardado em alma
como fosse revivido, sempre em outros corpos e corações...

É meio perdido hoje que ando achado
achando assim que solto
tudo posso, tudo pode fazer mais sentido
tudo pode ser de novo como foi, mas com outro fim...

Como fosse reescrito ás pressas
pelas minhas mãos, que assim podiam viver á vera o tal final feliz.

E é com muito gosto que hoje a rua me diz
sem vergonha alguma que valeu a pena, valeu ter fim
valeu viver tudo errado ou certo, como quis...

E enfim...

O meu riso rasgado pelo corte seco e salgado
das lágrimas afiadas dos seus sonhos mais abandonados
pode descançar em paz, pode ser de novo meu, pode não sorrir culpado.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Previsível

Tão previsivel quanto o dia de amanhã
é acordar triste e forçar felicidade só pra não desencantar
é saber que em algum momento
nas nossas lembranças eu devo tropeçar

E ver em dias de sol a tristeza do mar
viver a solidão e a solitude, esbarrar em antigas interrogações
em mesas de bar, em lugares pra estar, só pra querer reencontrar...

Me ver perdido em ruas que conheço na palma da mão
em lugares tatuados pelo corpo...

É o efeito dos seus olhares, do desejo que ainda tem por mim
de toda vontade guardada, que incendeia, bota fogo nesse penar...

Tão previsível quanto o dia de amanhã
é acordar do seu lado e não ter motivos pra pensar em mais nada
é saber que é bom, é bom e acaba.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Ego

Todas essas coisas lindas que me deixavam mais real
já não me seguram aqui nem por um instante

E é cada vez mais difícil me ver sorrir
é cada vez mais incrível me olhar no espelho
e admirar o tal desmonte...

O que me fazia vivo e forte
hoje é triste, fraco, e está sempre longe...

Aquelas horas de céu antes de dormir
e as sinfonias que ativavam meus sonhos
que mesmo em trevas totais
faziam-se lindos os detalhes e extremos

Dias e noites em que eu queria sempre mais que o tempo
sempre mais que o tempo que tenho...

Vivendo com medo de acordar e me deixar levar
fazer parte daquele morrer e andar sem dó...

Onde homens regidos por suas golas, gravatas, e ego sem fim
enfim, alcançavam todos os dias
o que eu nunca desejei pra ninguém, nem pra mim.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Imagem do dia!

Luzes violetas

As luzes violetas dos caretas da Lagoa,
os reflexos de mar e céu...

As luzes, as clareiras,
e as mesas muito estreitas para todo amor que há...

Toda essa gente errante e cristã,
toda essa falta, essa vontade sufocante do amanhã...

E hoje, por qualquer flor que for,
faço do descaso, do ouro de tolo,
o mais nobre sentimento.

Mas nada mais que carrego é puro, nunca é o bastante,
e é por isso que não me cabem mais lamentos
se os meus tentos todos são em vão,
e já não fazem jus ao que quero dizer
já não me levam a lugar algum...

E hoje, por qualquer flor que for,
não me deixo levar,
mantenho submersas as vontades, as fraquezas.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Os seus

Diga-me quem são seus deuses
e o seu mantra, que é pra eu entender
desvende esses olhos de adeus
e fale dos meus, que é pra eu poder ir...

Não precisaria de nem mais um segundo
pra te ter nas mãos
ou só pra dizer que não e fim.

Diga-me agora em que você acredita
e se é possivel ver, que é pra eu entender
deixe que te guiem, já que é preciso ter alguma fé
por mais que ainda duvide, eu sei bem como é que é...

E não precisaria errar de novo pra saber
que acima do bem e do mal existe o certo a se fazer.

sábado, 19 de novembro de 2011

Toda ela

Nunca sei o que fazer
quando você vem desse jeito só seu
com o sorriso de quebra-cabeça
e esse porte da realeza

Menina o que você tem...
eu não sei, não se explica!

É obra do sobrenatural,
mulher pra mais de uma vida.

Talvez seja o approach
o sangue quente de cá
esse andar meio descrente, meio sei lá...

Talvez seja o corpo
esse conjunto que só vendo pra crer
e esse olhar insinuante
essas nuances que te fazem ser
daquelas pra querer bem mais que só ter.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Ilusão

Que belo dia esse pra te encontrar
contar verdades que eu não lembro mais
celebrar a distância segura
a ilusão de isso ser paz

Não que seja culpa
mas no Nove eu vivo sempre em par
alheio a essa solidão que eu não quis
mas fiz por merecer...

E deságua uma dor de repente, um enxame de palavras
que enxugam a ausência feito gelo
e dos sentidos não me sobra nada
pra dar fim a essa breve história de constantes retiradas.

Hoje eu me perco nesse mar de asfalto e luz
errando em ruas pelo Leblon...

Lembrando de umas e vivendo outras
fazendo da vida um contínuo tropeçar
trancando o coração e esquecendo o amor
só pra não perder...
Pra não ver que o tempo passou!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Só o que tenho pra dizer

Parado em frente ao mar
numa daquelas sombras que era só minha e tua
quis pensar em tudo que eu tive pra viver...

Colecionei os momentos que em tempos difíceis ainda me mantem de pé
e penso que hoje, meu melhor amigo é meu lado sem fé.

Vou dizer pra todo mundo,
que tudo que tenho é o que eu tenho pra dizer...

Vou dizer pra todo mundo,
que tudo que eu quero é não ter o que fazer...

Prefiro andar cantando
estalando os dedos, aprenciando a tal noite neon
desse mar de cidade, dessa lua deserta
dessa gente sorridente e ébria
que enxerga mais que os sóbrios de luneta e pés na terra...

Vou dizer pra todo mundo, que não quero ouvir os americanos
e nem faço questão de seguir os tais "trilhos urbanos"...

Vou dizer pra todo mundo
que tudo que eu tenho, tirei da arte do nada feito
e adorava ouvir as meninas dizerem que eu não tinha jeito...

Prefiro andar confiado, solto, louco, gingando...
pisando sempre nas mesmas pedras lusitanas
recitando rouco, os versos de um quase portuga fina estampa
fino trato, coisa rica, fino trapo.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Imagem do dia!

Vem comigo

É possivel que seja mais fácil
como eu bem gostaria que fosse
mas essa gente toda insiste
te laça e não larga até eu ver que já foi

E os meus sonhos que sonho acordado
são planos que esqueço a risca pra te conquistar
já não durmo se não ver você
eu vivo dando bandeira...

Perdendo tempo à toa
jogando os sentimentos no ventilador
fazendo de você mais uma garota
que nem veio e já foi.

Estranho eu achar que mereço
e que você não mereça isso assim
embora viva escapando dos meus quase esforços
ainda quero ouvir o seu sim...

Então larga essa corja
esqueça todos esses manés

Larga essa corja
dê adeus a esses pangarés

E esqueça a noite fria
só vista os meus olhares mais quentes
esqueça o que dizem da vida na teoria
e vem comigo viver de cama 36 horas por dia...

Vem comigo, acredite vai ser diferente
Vem comigo, que tudo muda daqui pra frente

É possivel, quase certo...
Vai ser assim!

Como eu já havia dito, e seria...
Muito, muito, muito mais feliz!

E aquela gente toda, não importa mais...

E aquela gente toda, de hora em hora foi ficando para trás...

Vem comigo, e acredite vai ser diferente
Vem comigo, e tudo muda daqui pra frente.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Perdido no tempo

Se é dia ou noite por favor não diga,
eu prefiro estar; ser perdido assim no tempo.

E mesmo com toda essa inquietação,
aposto meu fígado que a noite ainda corta o céu
e todos esses barulhos
são só mais uma alucinação.

Mais uma por conta dessas coisas que ninguém explica,
nem "froid", nem god...
Ah não fode, a vida é assim!

Por isso às vezes eu vivo pequenas morenas,
meninas ingênuas ou não...

Que atrasam meu aluguel e não sabem que sou
um inquilino enraizado da dor, pagando em moeda sublime,
extorquido, usado, perdendo os momentos de paz.

Pra manter a alma viva e forte,
só temendo aquela morte que começa por dentro,
pelos olhos de quem não tem mais brilho no olhar...

Saindo pela tangente, fugindo dessa gente estranha,
sendo jovem, imprudente e irreversível...

Tendo farta vontade
de estar sempre à vontade em qualquer lugar.

E por isso já não importa se é dia ou noite,
só esteja por perto; mantenha por perto
esse desejo de estar; de ser...

Perdido assim no tempo!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Cinza claro

Quarta-feira cinza claro
e é claro de novo acordei num pesadelo
um mundo que você está distante
não pode ser o mundo em que eu vivo nesse instante...

Todos os meus tentos são em vão
e ser feliz tirando roupas
é só pra perder o medo de estar só
em dias como esse, em que você me surge a cada hora e meia
sem falta, sempre exata, de novo essa teia de nós dois...

E os pensamentos fúteis, as decisões tomadas sem calma
copos e mais copos pra sem sucesso tentar encher a alma.

Quarta-feira cinza claro
e é claro, de novo não sinto seu corpo por perto
sinto que vivo errado sem você...

E por mais que errassemos também
até o que é lindo hoje parece tão cruel...

E por mais que insista na distância
que invista, repita essa inconstância...

Não posso acreditar que essa falta seja o fim
não posso mesmo achar que vai ser pra sempre assim.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Quase engano

Tenho tido algumas fraquezas
dificuldade de ver o óbvio e só
de estar contemplativo e satisfeito
com o vento e o sol

Meus pontos fortes fritam no asfalto
e listam mais de dez poréns
variedades pra quem quer que seja
e queira se aproveitar...

E quando eu gritava pra ti, pequena pode confiar
eu não sabia, nem por um momento...
Que eu mentia pra mim.

Tenho tido sonhos e miragens
remorso e suas vertentes
e hoje vejo nas veias das palmeiras que cantei
sua inocência e a confiança
junto as minhas infindáveis cartas na manga...

E quando eu gritava pra ti, pequena pode confiar
eu não sabia, nem por um instante...
Que eu mentia pra mim.

domingo, 6 de novembro de 2011

Blues do lobo mau

Raios de lua me pegam,
me prendem...
Me fazem lembrar o mal que é caminhar sozinho.

E aqueles olhos de fuga que andam sempre por perto,
me dizem sim...
Me fazem querer acordar sem saber o seu nome!

Vou errando pelas ruas
matando nas esquinas com olhares de negação.

Vou fugindo, me esquivando,
de quem diz "tempo é dinheiro irmão!"

Não ando na linha, não me chame de galinha,
no momento o que me interessa; é a sua filha...

Não ando na linha, não quero mais uma rainha,
no momento eu to querendo; só você...

Vou errando por ai, sempre disposto,
pra sentir pra sempre o gosto do adeus.

Vou batendo pelas quinas, marcando pontos,
colecionando meninas, mesmo não sendo ateu...

Como quem peca e reza,
vive a vida leve e lesa quem te atravessar.

E já que me olham tanto
fazem da minha fama um pranto...

Eu ao invés de lamentar
só vivo errado pra fazer valer.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Vizinha

Toda noite de sexta-feira
por volta das oito e meia
eu te encontro sem querer, sempre querendo...

Pra ganhar o seu sorriso, ver você andar sem pressa,
ajeitando o cabelo, me olhando de lado, falando meio dispersa...

Ela passa por aqui quase todos os dias,
trocamos olhares e alguns bons dias,
falamos pelos gestos, pelo corpo,
os olhos correm de cima a baixo o tempo todo
e as vezes me falta até o ar,
mas tudo tem graça, até o décimo oitavo andar...

E eu sorrio bem mais
nos dias que a encontro no caminho.

E digo, não minto... já saí, já subi e desci,
só pra ver se podia por acaso, o acaso conspirar.

Eu fico bolando planos, pensando no que dizer,
mas na hora eu perco o foco, eu só consigo olhar você...
disfarçadamente e em mente só maldando os seus suspiros,
perdendo os olhos nos seus ombros, fazendo tipo.

Quase todo dia já não evito eu só penso nela,
com aquele jeitinho de menina, de garota quente, esperta...

E é tão bom saber, que ela dorme e acorda tão perto,
que tudo pode dar...
que tudo pode dar certo.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Pierrot do sol

Louco poeta do corpo
maluco a deus dará
trocando alegria por trocados
sempre no mesmo lugar

Benzendo essa gente morta
que vive pra lá e pra cá
sem nunca se abater
sem nunca se deixar levar

Pierrot do sol
traçado em branco e preto
malandro de poucas palavras
com muito amor
fugindo do anzol e de outras roubadas

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Dias e noites

Ainda passo noites em claro
e dias sonhando no escuro

Levitando no chão do quarto
me sentindo um cientista louco
misturando os seus desastres aos meus...

Perdendo você pro tempo
deixando escapar lembranças e bons momentos...

Alguns salvos pela magia da rotina
imã pro alquimista de palavras fáceis
de verdades inconstantes, sempre conversáveis.

Ainda passo noites em claro
e dias deitado no chão do quarto

Disputando ar com a combustão
tendo presas as vontades mais intratáveis
no meu corpo de dois mil cavalos calados

Onde a verve que me traz teus olhos, quase sempre reluz de um sonho
com as mesmas formas, os mesmos encantos, sem fantasia, ao natural...

Todo o conjunto, o passo firme mesmo trocando pernas
os poderes, o teu dom divino de me acalmar ainda que distante...

Faz de mim de novo aquele rapaz de sempre
que ultimamente, anda apagado, anda descrente.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Suicídio

Teu cheiro me faz não querer sair da cama
e o jeito, o efeito de tudo que veio antes, durante e depois... Tonteia!

Faz com que eu durma e acorde nessa teia,
faz com que eu queira sempre mais de você na veia.

Sim, sem opção,
viciado, perdido ou achado
Eu ainda penso que vou melhor assim
pro olho do furacão,
pro drop kamikaze em mares de outra dimensão,
pro sono de rei na cama de tatame
e batizei meus ultimos suspiros com seu nome.

Quis mais que pude, pus bem mais que posso,
fui além pro além me receber.
Fui sem medo pelo amor que Deus me deu,
com você na veia, com você pela ultima vez.

sábado, 15 de outubro de 2011

Ela foi

Ela um dia se foi
como um sopro em meio a tempestade
desapareceu feito uma luz que apaga
e não volta...

Inconsciente, confuso...
permaneço nessa escuridão
sorrindo pra um espelho que não vejo
escondendo fotos, escolhendo momentos pra sofrer
flertando a granel, um trovador incansável
entre outros corpos, procurando você...

Meu anjo, eu só queria te ver de longe
me preparei e acho que conseguiria
não te atrapalhar...

Meu anjo (caído), eu só queria poder te ver feliz
me esforcei, acho que seria lindo e eu ficaria grato
sabendo que deu certo...

Ela um dia se foi
como quem tira a mesa e reza
simplesmente sumiu, como num truque de Copperfield...

E eu sem saída e sem chão
virei platéia do meu show
segundos fora do controle e pronto, me escapou
deixou tudo que vivemos só pra errar de novo
flertando a granel
vivendo em dupla e sem véu
procurando um pouquinho de paz, pra poder deixar pra trás
tudo o que não fomos e nem seremos mais...

Ela um dia se foi
deixando somente a saudade
para que fosse assim menos vulgar
para que fossemos só uma aventura.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Pimentinha

Mineira menina, me diz como é que se faz
garota, seus olhos castanhos me dobram
e as marcas me lembram coisas
atiçam, me chamam, são pedidos
súplicas, quase carência em braile

Interpreto, sinto como posso e não nego
a distância e corpo a corpo
é pimenta nos meus ossos
pimenta pelos nossos corpos

Logo pela manhã,
o sorriso e a intenção na pele
olhares atirados por sobre essa capa de novos dados viciados
que dão sempre o jogo ao par
que são juntos só sexo e medo de amar.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Futuro bom

Andei pensando demais
em tempos que talvez nem cheguem

Andei rodando por ai
perdendo o medo de sonhar

Sem a menor vaidade
vagando em altos e baixos
pelo asfalto plano da cidade

Falando coisas sem sentido
jurando juras sem amor
tendo meus passos guardados pela luz do redentor

Andei ouvindo coisas
que eu não deveria ouvir

Andei dizendo outras
que eu deveria pensar melhor

Andei pensando demais
e esquecendo...

Perdendo todo tempo que eu queria
com as nossas coisas
com as nossas besteiras sagradas

Os tais dos vícios nobres
e o cheiro do sofrer
que não por acaso
hoje também é o seu perfume...

Andei pensando demais
e ainda tenho tempo...

Mas seja lá qual for o meu passo
vejo os desejos pequenos que tenho
figurando em um esboço

Naquele mesmo lugar
numa pintura em aquarela
de um futuro bom
de um futuro bom com ela...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Espero acreditar

Espero acreditar pra sempre
até vestir meu terno de cerimônia,
até depois do fatídico dia da despedida,
do início da viagem a outros mundos,
das descobertas cabralescas,
dos açoites, dos assombros...

Espero estar inteiro pra contar,
viver e ver de pé, o que preciso, o que desejo.

Porque acima dos deveres existe o Deus dentro de nós.

Espero ter sucesso
sem renúncia ao que é admirável.
Ao que transcende as belezas capitais,
aos prazeres mundanos e inundos de sobriedade.

Que são a fonte de todas as minhas miragens,
de toda a discrepância,
o desacordo das idéias que passo e o mundo que me foi dado,
que é pequeno mas não me prende...

Sendo assim, essa margem foi o escape,
foi o reconhecimento, o jeito certo de burlar e estar correto,
foi essa maestria, a execução do erro com classe e certeza,
sempre dentro da lei...  De acordo com o Deus dentro de mim.

E é nisso que eu espero acreditar.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Trilha

Sorriso de menina ainda incompreendida
não achou seu algo mais
nem por isso está perdida
existem tantos por essa vida
e ela nem quer pensar demais

Errada, errante, hasteando sua bandeira
cheia de certezas e dúvidas
faça sol ou faça chuva
por toda parte ela vai cantando...

Entoando sua ópera sem desafinar
sendo da ralé a mais nobre dama
tendo seu templo, o eixo divinal
o retiro do espírito, a cama...

Com correntes para todos os seus amantes
sem alforria são escravos de todas as cores
seduzidos pela marcha dos seus dotes mais carnais

Errada, errante, hasteando sua bandeira
cheia de certezas e dúvidas
faça sol ou faça chuva
por toda parte ela vai cantando...

Dando trilha ao seu penar
dando idéia, dando trela
esperando sua hora, sem saber se vai chegar.

sábado, 1 de outubro de 2011

Preocupado

Ando preocupado com o seu sumiço
e ocupado com toda essa minha desocupação.
Procuro no que fomos às vezes algo místico,
que é pra justificar toda essa frustração.

Correr atrás não é de minha natureza,
mas me incomoda não saber de mais nada...

Nem da sua cama... como anda?

Ainda passa as noites com intrusos...
ou bem, como manda aquele Deus que nunca obedecemos?

Ando preocupado com mais de um coração
e se penso demais vão mais alguns pra conta.

Por isso acho melhor vestir o traje e ir lavar a alma,
matar no peito como sempre foi, na calma, sem cena...

Procurando de novo meus cantos pra incendiar,
meus pontos sem dor pra dar sentido,
e deixar pra sofrer depois...

Viver novas loucas,
ter novas loiras no jogo pra ganhar e perder...

E quem sabe aquelas mesmas morenas
pra amar em silêncio e só rever por acidente.

Como sempre por obra do acaso,
o velho amigo de todo pôr do sol solitário.

Que em nome do desejo reluto de estar mais perto...

Faz acontecer.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Clube vida fácil

Há de se entender
tudo pode ser melhor
viva sem querer chegar...

Faça com que se encurtem os caminhos
e os lindos dias durem mais
com aquele céu de meio dia.

E que as noites sejam claras
sempre à benção do luar
com aquela vontade de não ter que dizer mais nada.

Por que há de se entender
tudo pode ser melhor
viva pra querer lembrar...

Faça o sublime ser rotina, ser assim...
mais do que fundamental!

E que as meninas sejam sempre a luz de todo amanhecer,
tenham olhos claros e amor sempre para oferecer,
que sejam todas lindas, que sejam todas minhas...

E que os anos esqueçam de mim
por que tempo não é dinheiro
mas é vida e vale mais do que qualquer trocado.

E que tudo seja lindo, sim!
Pra quase todo mundo...

Não sou santo, não vou negar...
que tem gente por aí merecendo se perder bem mais do que se encontrar.

E ainda há de se entender
tudo pode ser melhor
viva pra fazer lembrar...

Case com o acaso e perpetue essa vontade
pregue toda sua exatidão...

Faça-se presente em toda tarde vazia,
fazendo das areias de novo o seu lugar,
assim seja e veja como deve ser
e porque deve ser... tudo sempre melhor!

Imagem do dia!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Sono

Sono ás sete em ponto
essa é a falta que você me faz
to ficando paranoico e preguiçoso demais

Te vejo em mil lugares
os olhos e os hábitos vulgares
nos nossos lares por toda parte...

Trincados em pele
rindo à toa, vendo o que é gelado e ferve
a ferida em carne viva, viva a vida, viva a vida

Quantas vezes escutei da sua boca

Quantas histórias eu ouvi e chamei de louca

E a vontade de matar todos os seus protagonistas eu nunca escondi
nem o ciúme de não ser mais seu, o ciúme de não ter você...

Outro dia por acaso, me vi no mesmo elevador
senti um arrepio, um aperto forte quando o sexto andar passou

Quase bati naquela porta, pra ver se ainda tinha alguém
rezei baixinho pra que abrissem e eu pudesse então talvez me encontrar
lembrar o que fui ali, sentir o que foi você pra mim.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ta comigo ta com Deus

Penso em você enquanto você dorme,
me sinto menos homem sem poder dizer...
Que o que digo as vezes não reflete o que eu sinto
e o que não digo quase sempre é melhor de se ouvir.

Amor eu não sei das regras do jogo,
não sei o conjunto, nem pensar por dois.
Eu não sei quase nada, não se surpreenda,
me entenda, eu nunca fiz o tipo certo pra amar.

Por isso ando perdido sem entender o que é tudo isso,
o lance meio vazio, mas que tomou meus pensamentos.

A culpa é tua e dos teus olhos, e do teu corpo,
e de tudo aquilo que eu nem posso listar
sem perder a ternura...

Antropologicamente falando me sinto matéria batida,
me sinto clichê e fraco, igual a todos os homens ratos que conheço,
que vivem de coleira e anel, mas tem orgulho de bacharel.

Por isso me vejo sem pés nem chão de repente
e ao mesmo tempo só me vem na cabeça o desejo de ter você.

Pra dividir o medo, proteger nem sei de quê,
pra poder dizer tá comigo tá com Deus...

Imagem do dia!

domingo, 18 de setembro de 2011

Inveja de vampiro

Cantos que prendem um pedaço de mim,
fazem lágrimas rolarem para cima...

E os pedidos de "seja mais!",
realize, dê abraços doloridos,
mantenha mesmo que por orgulho os olhos inchados bem longe,
mal servidos, sem qualquer brilho...

Esses pedidos distanciam o homem da alma,
fazem um mal silencioso que corrói de dentro pra fora,
te muda, te usa, te dobra...

E não por acaso
essa sujeira toda que alimenta o bando
e que rechaça a pureza já na retina
é algo que de repente se tornou mais normal
te faz mais feliz.

É assim que se fabrica a mudança,
com o progresso em terra
e o regresso a deriva em diversas dimensões.

Afinal... somos ou não só vampiros?

Reféns da inveja vespertina
onde acha-se o tempo perdido
em outras vidas
e a lucidez que vaga em tipos, em clichês assassinos.

sábado, 17 de setembro de 2011

Caixa de pandora

O néctar da noite dita o efeito
dita o meu jeito e os feitos que eu devo contar
faz da noite uma caixinha de surpresas
e a cada copo alguma coisa pode mudar

Nem que seja o ângulo de ver o mundo
e por ser vagabundo a liberdade eu não precisei comprar
eu nunca precisei pagar...

A madrugada estende a mão
salva e leva tanta gente
conhece os pulsos das mansões e da sarjeta
todos os malucos que não se medem pela grana
todas as vadias, e as meninas de familia
traficantezinhos, otários, viciados, boas pintas...

A noite é de todos
caixa de pandora
labirinto de perdição

A noite é de todos
é uma criança cruel e doce
que não gosta de ouvir não.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Dia após o outro

Do nada a noite fez sentido
retornei ao meu penar, meu viver sofrido
e o silêncio foi rompido pelas notas do poeta
de quem foi sonho e viveu tempos melhores
de quem cantou dias, noites, e flores...

A ausência de luz
o sol do outro lado do mapa
os sons perdidos pela madrugada
se afogando na escuridão

Tudo se transforma, num banquete de sons e sabores
de dúvidas e temores, e como combinado as horas passam devagar
enquanto dito o ritmo da noite nas lembranças
e faço delas o açoite doce das minhas tristezas...

Bato o dedo, sozinho deixo a marca
e os versos tomam nota, fazem sentido, ganham vida própria
se cantam, se unem em prosa...

Por toda noite que em um lapso me deixo voltar
a sofrer sem improvisos, chorar sem ter motivos
perder-me em tudo que tive na mão
tudo que eu conhecia como a palma e perdi sem razão...

Me faço de tolo já que não fui digno dessa sorte
vivo e apago pouco a pouco
pra que levite e evite ser nascente de mar em terra
divido a culpa com o tempo
com a ingenuidade dos amores e seus momentos
e as palavras do tal poeta...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Olhos fechados dizem tanto

Se teus olhos fechados me convidam pro amor
Eles abertos me chamam de bobo

Se minha sina nesse mundo é essa, eu não vou reclamar
Amar seus limites, relembrar nossos hits, rir dos seus chiliques...

Sempre com brilho no olhar.

Minha alma canta e esse brilho me encanta a tanto tempo sem cessar
E o vento vem, vem com muito mais que o tato
Me atenta e vem com beijos e abraços
Com momentos a se apagar, na areia de uma praia num céu de amor e amar.

Se teus olhos fechados, me convidam pra te apreciar
Eles abertos hoje são desertos e me dão sede de amar...

E se não mato a sede ela me mata, maltrata sem dó
E se me atenho ao pó...
Dos livros lidos a tempos, bons tempos...

Que eu já não lembro mais.

Levanto sacudo a poeira mas fico por baixo
Com saudade dos seus abraços, sofrimento por opção...

Sem ouvir nem sim nem não.

E teus olhos fechados, ainda me convidam pro bem
Eles abertos são póços escuros, calabouços, murmúros...

De sim e de não.

domingo, 11 de setembro de 2011

Tapas

Entre tapas
as etapas se encerram
e é preciso dizer que é quase sempre assim
todas sem fim, frustradas
perdidas em terra, chorando por mim...

É tão incrível...
esse lance, a novidade de eu ser um ser passível de algum sentimento bom.

De alguém que deseja tanto essa espera
e acredita que eu devote a vida, que eu esteja sempre ali.
Não vê uma sombra das falsas falas, nem suspeita do óbvio,
da distância e da crueldade de saber que antes de tudo,
já havia no prefácio aquele adeus...

O "eu" me distancia de "nós".
E é por isso que nós não somos mais como fomos,
ainda que desejássemos, já não somos.

E entre os mesmos tapas agora correm veias,
que bombeiam mais que sangue nesses momentos.
Fazem que os sentimentos estanquem
para que toda fraqueza seja raiva em um instante
e todas as falhas por mais lindas que fossem...

Sejam só um sinal
de adeus...

Sejam só um sinal
de adeus...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Falta

Disperso ainda há pouco no meu quarto
me peguei pensando em nós dois sem querer
de uma forma tão intensa que depois de tanto tempo
ainda consegui sentir seu cheiro em mim

E lembrei de tantas coisas
que agora são tão diferentes
mas nem sei dizer também se isso é bom ou ruim

Bate uma falta que vem sem nome
sem endereço e telefone
quase tão longe quanto agora somos eu e você

Mas mesmo assim ainda maltrata
e é de um jeito tão estranho
está nas coisas que mais gosto de fazer
nos lugares que mais gosto de estar, viver...

Cada lembrança em um lugar diferente
é um jogo de azar pelas esquinas
onde a sorte grande é não encontrar um pouco de você em outras meninas
é deixar de lado o que te trás pras minhas retinas
e mascarar uma paz que hoje comigo em nada combina.

sábado, 3 de setembro de 2011

Imagem do dia!

                                 Dias frios... Mas, ainda assim; lindos.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Cega simpatia

Cega simpatia perdida em olhos negros carentes de luz
olhos de bola de gude
que nús brilham confessos

Brindam toda parte
com sorrisos de criança
e as tuas ancas, marcas, e cor
metralham tantas indagações mudas
que até acho justo aquele lance de morrer de amor

Ciúme e dor de graça
tudo é carinho e ameaça
qualquer momento em duas caras
inéditas como as cenas que nunca fizemos
ou as outras todas tão batidas que assistimos
e que desejamos tanto.

Tudo que é novo, agora é roto, opaco, meio morto
a vida de repente é preta e branca
é sem valor...

E ta valendo qualquer coisa pra mudar
ta valendo mil maneiras pra esquecer e só deixar rolar
rir à toa, ao natural...

Ta valendo brindar a vida fácil
sem medo de olhar pra trás
de estar errado.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Ipanema continuará linda

Tudo que eu quero são seus sonhos mais lindos
na nossa futura realidade...

Tudo que eu quero são esses sorrisos distantes
figurando na rotina dos nossos sublimes instantes
nas mensagens e fotos nas estantes.

É muito tempo pra pensar de novo,
nem sei porque precisa ser assim.

É muito tempo por escolhas óbvias,
e por mim amor não vai ter fim...

A casa cheia de livros
com um toque hippie
plantinhas na varanda e um velho toca-discos...

Quadros no corredor
chão de tacos bem limpos
as portas sempre abertas e o vento fluindo.

É muito tempo pra pensar se quero,
responderia agora com você ao meu lado...

É muito tempo veja se concorda
e é tudo que eu quero começar agora...

Mochilas jogadas em cima do sofá
as crianças atrasadas para ir à escola
o cachorro latindo querendo passear
e de repente tudo isso é mais importante que o ar.

E ipanema continuará linda
é tão bom saber que o mar é logo na esquina
vamos juntos ao arpoador ver o sol se pôr...

Manter a vida com aquela cor de alegria,
a boa vida fácil que a gente queria,
o vento na cara, os carinhos, e as boas viagens
o passado pelas ruas e as nossas miragens...

E ipanema continuará linda
é tão bom saber que o mar é logo na esquina
vamos juntos ao arpoador ver o sol se pôr...

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Decifro-te

Nasceste bela por inteiro
te deram por direito um nome que é poema
sem saber que dessas 
cada uma tem suas palavras, suas falas, suas cenas

Nem todas escritas ou descritas
mas que talvez um dia se tornassem cifras
de uma canção que faça jus
de um qualquer que teve amor e decifrou teus cantos, teus azúis...

Foi fiel a beleza que viu
e agradeceu então as esferas, ao senhor delas...

O talento, o dom de poder ver
o que nas tuas curvas, teus detalhes
foi escrito um dia sem ninguém saber.

Por isso hoje decifro-te morena
te gravo e eternizo
torço pros negativos serem só das fotos de nós dois.

Devoro-te em silêncio
te guardo enquanto é tempo
e é sim, bem menos do que deveria
mas é nosso todo tempo que ainda está por vir.

domingo, 21 de agosto de 2011

Imagem do dia!

                                                                              Digníssimo protesto...


Dopamina

Hoje o tempo passa igual a muito tempo atrás,
mas tudo é diferente sem você.
Não tem nada especial, todo dia é triste e esquerdo
e mesmo que não exista segredo até o acaso é sempre igual.

Por mais que eu só cultive o meu lazer
sinto falta de querer aquelas coisas que eu nem queria
só pra ver mais um sorriso seu na minha vida.

Hoje é tudo tão vago que eu já nem paro pra pensar,
vivo correndo sem destino, procurando encontrar
alguém que seja pra mim o que você foi,
que aceite ser um só e amar por dois.

Deixei tudo que eu tinha de doce, espalhado pelo seu corpo,
perdido nos olhares de criança e de quero mais...

E aquela vontade de ser pra sempre
hoje me consome tanto
que queima tudo que era lindo
e faz perder-se em pranto o que era puro.

Hoje a vida é dopamina
bem menos natural que em tempos nossos.
Não tem seca, mas se desregula
me abate e em pouco tempo só sobram os ossos.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Sofia

Olhos azuis pouco expressivos
que sussurram o quão pequeno sou eu
diante dessa visão, diante dessa pintura

Que por mais que olhe de cima a baixo
não se vê uma falta, um traço esquerdo
perfeita em curva e espessura
em tom e imagem
em pele e fogo
em jeito e fama

Encaixa e veste assim, como fosse simplesmente...
Feita pra mim.

Por que será que foi essa demora?
esteve sempre tão perto, e é certo eu vejo agora
vejo bem que a culpa é minha e entendo como pena essa tal falha

Entendo que andei vagando vendado
mas que por milagre vi estes olhos mesmo sem poder
observei com desejo, seu trajar e seus trejeitos
fomos por horas só olhares e flertes
e quando teve que ser, quando por fim escolhemos um ao outro, e fomos um...

Fez-se tudo a imagem dela
e então me perguntei de novo...

Onde ela esteve?

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Querer

Querer como ela quer
Viver do jeito que ela quiser

Passos, sorrisos, seus medos de gente
Seu medo de acabar só
E no futuro não ter mais "a gente"

Tudo como queres, pode ser que sim
Mas ainda faço tudo errado só pra ouvir ela dizer que não é assim...

Querer como ela quer
Viver do jeito que ela quiser

Feito cão sem dono, treinando meus olhos de esmola
Bicho, é disso que eu falo e já não vem de agora
Tem tempo to querendo me acertar
Eu to querendo ser do jeito que ela me aceitar

E que saudade doida é essa do dia de amanhã?
Vou levantar ao lado dela e escrever um poema em homenagem a todas manhãs...

Um hino da saudade

Um prelúdio pro futuro

Por que eu não sei de muito ainda
Mas vejo os ares puros...
Moleques, bichos, mar, e uma princesa
Vida boa, vida fácil, e poucos lugares vazios na mesa.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Imagem do dia!

                                  Área de escape de segunda  a segunda

sábado, 13 de agosto de 2011

Tudo bem

Insisto em dizer que vai tudo bem
mas esses sorrisos já não mostram os meus desejos
e as noites insones que fraquejo e vejo sempre o que era nosso
hoje são mais presentes que o que vivo, que o que quero, e o que posso...

Não sei nem como dói
isso de viver partido ao meio
pensando em tudo que era lindo e virou medo e anseio

Admirável e cruel esse mundo todo novo agora sem você
sem saber aonde vai
com quem você dorme e com quem sai...

Mas ainda vai tudo bem
nessa escola de horrores
onde na dor se aprende que os amores
não são feitos pra durar

Baby por favor, quando me ver não deixe dúvida
venha e me diga que está tudo bem, está tudo bem
tudo vai muito bem...

Me mate mas mate de perto pra eu poder sentir você
saber se ainda posso te ter lua estrela, viajar sem me mover...

Insisto em dizer que vai tudo bem, que vai tudo bem, tudo vai sempre bem.

Esplanada

Me diga o que move essas pernas
o que faz brilhar esses olhos mel
me diga e não briga, esqueça as penas,
eu vou fazer de tudo pra ver você sorrir, pra ver você feliz.

Que fase, pequena, quantas lindas cenas eu sonhei,
todas quase ensaiadas por dias e noites, delírios de rei.

E as tuas amarras agora espraiadas,
as noites de gala, as manias amadas, jantares no esplanada,
como é bom ter você...

Por perto é quase certo ser feliz,
é quase mais lindo que ver o sol se pôr,
é achar meu caminho sem me opôr ao mundo que cultivo e boto todo aos teus pés.

Vivo pra ver os sonhos firmes em terra,
o brilho, os astros, e as estrelas,
figurando na nossa aquarela...

Ver todo nosso caminho,
os erros, as lágrimas no escuro, e os desvios.

Cada ponta de sofrer,
o frio que bate no peito, as coisas do coração
e aquela velha e domingueira rouquidão.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Olho mágico

Dia lindo, como há muito tempo não se via
daqui pra fora ou mesmo dentro
o limite do olho mágico se foi há algum tempo...

Sinto-me pouco digno dessa luz
acho que vou brindar o dia com a minha ausência
e é o melhor que faço, me sinto pequeno e é bom reforçar;
pouco digno.

Esse é um dia que não merece escurecer
um dia que se eu pagar pra ver, perderá o brilho, vai pesar na alma.

E então, já julgado e condenado pela minha lucidez
cumpro feliz e contrariado, 12 horas de trevas totais
o ócio mais puro, sem luz, sem som, só sombras.

O carimbador de almas

Sabia que podia
apesar do que estava escrito,
sabia que não ia desistir.

Tudo idealizado,
sem deslumbre pelo poder.

Tudo sempre na palma da mão,
sem nenhuma chance de se perder.

Cultivava a sua volta
lindos pontos no espaço tempo,
pintados por aí pra não esquecer,
num dia quente daqueles seus,
sentimentos derretendo feito a cera no entardecer.

Confiava só no acaso
porque ele nunca o traiu.

E não gostava de pessoas,
só de algumas poucas e boas.

Escolhia os seus lugares
incluía quem ele quisesse,
colhendo almas bonitas
pra que elas não esmerilhassem.

Sabia que podia
um outro mundo escrever,
sabia que ninguém podia deter.

Em noventa graus pra entreter os olhos,
perder-se em cores, em vícios e corpos.
Na areia azul do mar ou num mar azul de areia,
com o sol da noite que brilha e com sorrisos lhe presenteia.

Batuques, coqueiros, machões, eunucos garanhões,
meninas felizes velando em choro baixo
os seus já falecidos botões...

Sabia que podia
esse outro mundo vivenciar,
mas sentia que o tempo é cruel,
e as máscaras iam despencar.

sábado, 30 de julho de 2011

Sabes

Semanas mortas e os anos tortos
Que vivo e conto mas só deixo estar
Cheio de caminhos vivo sem caminho
E não me encontro aonde quer que eu vá

As horas passam nada muda de lugar
E os vencedores, homens sem cores
Que deixam obras, livros, vícios
Sombras de amores que já foram algo mais

E o tempo espaço não deixou nada por aqui
E o que tu fores, sabes...

Foi um pouco menos do que deveria ser
Tudo pode ser... Melhor!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Loira perversa

Pequena, fiquei pequeno diante da distância,
sobre tudo da alma e dos nossos corações.

Dessa vez, sinto mesmo que acabou,
mas essas cinzas ainda podem me fazer o olho brilhar.
Infelizmente ou felizmente,
ainda é rotina lembrar dos seus pares perfeitos,
par de seios, par de olhos mel sempre tão cheios de desejo.

E sim, agora esse é o fim do eterno prelúdio ao futuro,
perdi assumo e assino em baixo essa dispensa.

Com orgulho decreto o fim da primeira dor de verdade,
primeiro choro de amor sem vaidade,
decreto passado tudo que passei com minha loira perversa,
incerta e certa, sem média, só fogo e paz.


Juntos fomos mais do que jamais seremos...
pode acreditar!

E se o mundo da voltas,
ou se existem almas gêmeas...

Ainda me sinto meio refém,
mas não mais da rotina.

Refém das voltas da vida,
porque se for assim, eu sei que voltará,
e se é pra ser, se tem que ser de algum jeito...

Eu sei que assim será.

domingo, 24 de julho de 2011

Sonhos

Menina...
me deixa, não me diga o que fazer
eu sei ainda tenho muito para melhorar
reconheço os meus traços tortos
meus sonhos pouco atrativos

As idéias de futuro e felicidade à metro
que pra todas garantem pouco, tudo ainda é muito incerto.

Menina...
me deixa, o problema não é você
quem sabe eu só não quero é ter o que fazer
o que fazer né...?

Ficar só na vontade pra dar forma a dor
fazer você eterna e linda,
e jovem, e pra sempre perfeita.

Menina...
me deixa, minhas poucas palavras guardadas
só dizem o quanto é grande a vontade de ser feliz

E é pena saber, que isso não faz chover
felicidade não é rentável, não faz ninguém amar você.

Menina...
não se engane, não se ama de graça
por que amar não tem graça
amar é sofrer por dois.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Crença no poeta

Procuro você nos lugares
onde mais paro e deixo estar

Procuro por pura carência
de perder-me pra sempre em tempos distantes

Vivo as palavras borradas,
escritas com sangue e lágrimas nos nossos papéis
nos palcos onde encenamos a felicidade
e hoje encontram-se menos reluzentes

Lembro dos tombos e da oposição
dos palavrões, das tiradas, dos tapas, dos beijos e arranhões
daquelas fofocas, das mesmas cadelas
e as suas que estavam sempre contra o seu.

Então procuro de novo cometer os nossos erros
em nome da crença no poeta
reivindicando a autoria de um crime lesa-poesia
pra ter mais um pouco de você em mim

Por que vivo sabendo mesmo distante
que cada batida do meu peito...

Ainda é você.

É saber com clareza que toda dor é certeza
e por fim que não existe um fim sem sofrer

E eu que me entrego, já nem luto pra mudar
não vejo mais por que deixar pra trás...

Se é assim que deve ser; e não mais "como tudo deve ser"
Prefiro viver e amar por dois
Já que é um fardo e é fato que ainda vivo por você.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Algum tempo

Já há algum tempo não me atenho aos sentimentos
digo tudo que me vem pra não engasgar e nem sinto muito...

Só meço o medo e as reações
faço com olhos sérios,focados, gélidos
não há nada que me impeça, que crie papas

Mas falo pela simplicidade, pela inocência da alma
pra mantê-la clara a qualquer custo,
e ainda não encontro o que me abala, o que me assuste

As vezes me vejo andando errado
mas logo passa, sei que é o sangue quente
o sangue latino vira-lata

E não se engane, não ache bom
gelar por vezes é quase sentir dor
é quase juntar tudo numa pontada só
é quase saudade e amor
é quase perder tudo que há de bom
e o dom de ser feliz.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Os meus

Meus olhos ja se acostumaram a tanta escuridão
Que o brilho da noite, passou a me chamar

Minha alma ta pesada, meu brilho não apagou
Meus olhos são clarões de vontades e rancor

Perdido pelas ruas, achando outros meios de errar
Me perco por esporte, por não ter do que reclamar

Saudade de outros tempos, em que esses tapas eram beijos
E meus sentimentos loucos eram sempre os perfeitos.

Tempos, tempos, tempos...
Outros tempos vividos, boas lembranças, velhos amigos

E os meus ainda estão comigo
Nas pedras onde eu vou ficar.

Imagem do dia!

Mais em casa impossível.

sábado, 16 de julho de 2011

Direito

Me reservo ao direito de não querer mais amar
mas meu coração por você pequena
me faz renunciar esse desejo
desejo de solidão, de ser mais eu andando só

Sem rumo, sem direção
calçado pelos meus passos contidos
e os versos escritos nos teus sombreados
nos teus negros saltos altos, nos teus beijos e amassos

Também pudera, quem iria contrariar
estes olhos de mar, sem reflexos de céu
só mar, o verde e puro mar azul

Seus revezes, suas vontades de ser só por hoje
de viver e esquecer amores
fazer sofrer quem ainda lhe quer
só te vê como mulher...

Amante louca, inconstante, inquieta
que ainda assim é de longe a mais certa.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Pra sempre é muito pouco

Acordei mais feliz do que o normal
Sonhei com os teus olhos, os arrepios, e o sorriso sincero.

Numa daquelas noites, que pra sempre eu vou lembrar

Numa das nossas noites, de amor em qualquer lugar

Vi você trocando as roupas, me dizendo pra fechar a porta
E com a vergonha quase morta eu disse que faltava pouco pra decorar
Pra ter gravado cada centímetro dessa pintura
Cada marca pelas costas, cada pedido de mais, sempre mais
E todas essas manias, pequenas nossas coisas
Que incendiavam os meus palmos pelo seu corpo.

Sonhei que te levava de novo pras pedras

Sonhei que viajamos falando e amando na trilha dos poetas

Vi você trocando pernas, me convidando, vem se divertir
Vem ser mais aqui ao meu lado

Com a cumplicidade mais pura dos olhos seus
Entendi cada palavra sem você se dizer.

E assim como deve ser...
Acordei mais feliz do que o normal.

Por isso digo, pequena eu vou levar você!
Por mais longe que seus passos te levem
Por mais que seus pensamentos te afastem

Nada pode te apagar, nada pode te levar.

E eu digo enquanto viver, repito pra sempre...
Pequena eu vou ganhar você.

Mas um fato me preocupa,
Não podemos perder tempo,
E acho que convém, condiz...

Já que a cada dia...
Só aumenta essa agonia do pra sempre ser tão pouco com você
Parecer tão pouco pra viver e ser feliz.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Monólogo a dois

Jogo adeus e olás
Choro momentos sem paz, sem "mas", nem meias palavras
Meço e conto as contidas reaças

De batalhas sem marcos e erros no edem
De choros, maus tratos, dos que dão e dos que pedem

Das vestes vou as trapos
Relembro meus tropeços
E exploro, minto, mato, e perco, sem lutar

Contra o cerco dessa social, que me pega o coração de jeito
E o peito sem hora certa, ela está sempre alerta, ela está sempre certa

Me pega e eu me apego
Canto e contraponto, poetiso, me "enteatro" todo, faço cenas, julgo, cumpro penas
Apenas por ela, pra vê-la em peças singelas, atuando em cenas de um monólogo a dois

Só nós dois... Só nós dois...

Não desce do salto por nada, não tem medo das minhas ameáças
Seu lema é ser só minha até dizer que não quer mais

Tão sem mais, sai de lado dando adeus
Com o sorriso que aprendeu, meu sorriso louco de ateu.

domingo, 10 de julho de 2011

Só mais uma

Ela é mais uma e esse é mais um dia
Daqueles que eu devo me lembrar
O sol queimava e tudo era igual até ela resolver passar

Com aquele biquini estampado e o sorriso safado
De quem queria um pouco mais que um olhar

E sempre consegue o que quer
Queria eu que fosse eu que ela quisesse

Mas se ela quer, como é que eu vou saber?

Ela é mais uma e eu sou mais um
Que entrou pro time que amou por um instante

Ela é mais uma e eu sou mais um
Que se demorou, pensou demais, virou coadjuvante.

Imagem do dia!

Saravá poeta!