sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Feliz natal

Me fala dessa fineza,
soletra pra mim a tristeza
de ser assim como todos querem que seja.

Debata-se entre as paredes desse mundo,
esqueça as histórias que ouviu de dama e vagabundo.

Me fale dessa sexta-feira,
do drama que existe nesse seu jardim cercado imperial,
que eu te falo das areias,
que eu te faço um carnaval.

Não parece mesmo fácil entender as quatro linhas,
mas às vezes é que a vida,
não é bonita, não é bonita, não é bonita.

Então me fale do teu chão de tábua corrida,
de pinho de riga,
e me explica essa comida
que não é quente nem é fria...

Não se entende tudo isso,
eu não entendo tudo isso,
é preciso ser omisso
é preciso um pouco mais que uma chibata,
a cabeça é que maltrata, que maltrata, que maltrata.

Me fale do pouco que sabe,
e de tudo que vai além das tuas posses,
ainda que seja cedo,
ainda que seja morte, seja morte, seja morte.

Me trate como uma de suas distrações,
me aplique como faz quando vaga nos corações.

Por normose, por osmose, simbiose social, paranormal,
é como bocejar... pra oxigenar.

É como não amar ninguém e a todos desejar...
Feliz natal, feliz natal, feliz natal.

1957

Tem tempo que eu não tenho conseguido
destilar meus pensamentos,
as palavras estão fugindo
e eu me sinto mais inútil a cada dia,
a cada hora que passa...

Eu venho me esforçando,
mas me sinto adoentado vivendo mudo.

Acho que me falta um tiquinho de tristeza,
assim bem no diminuto mesmo,
bem sincera também,
aquela tristeza bem do fundo.

Quase sempre isso passa,
é fase, é só ter calma, aguarda,
relaxa...

Só que a vida é muito ruim assim,
eu preciso jogar no papel,
preciso ver mundo,
cantar, falar do céu, do mel da boca das meninas,
das suas delícias,
dos corpos celestiais despejando charme pelas ruas...

Preciso do dom da palavra
antes de mais nada,
eu só quero poder dizer,
poder jogar no ar qualquer besteira...

Preciso de um mega-vocabulário,
de um novo cérebro,
um HD com mais espaço.

Eu preciso ler livros,
ter filhos e filhas,
plantar uma árvore,
uma floresta,
comprar um jaguar
mil novecentos e cinquenta e sete.

É...
quase sempre passa.

Imagem do dia!


Amor de um mundo inteiro

É muito fácil falar de você,
e mais fácil ainda
cantar pra te fazer feliz...

Não sei porque nunca quis,
nunca soube direito,
eu sou meio sem jeito assim.

Mas é muito fácil,
mais fácil que por João e Tom Jobim,
mais fácil que se um dos meus bruxos
viesse pedir pra mim.

Porque eu divido contigo meu mundo,
e nem pisco pra pensar,
meus sonhos, meu futuro,
troco pelo seu bem estar...

Te ensino meus passos,
te falo da vida,
aprendo até a ser feliz,
nunca mais eu vou chorar
como chorei até aqui.

É muito fácil agora falar que a vida é boa,
deixar de implicar com tudo,
deixar de detestar tantas pessoas...

Eu troco de canal,
e clamo por atenção,
só quero seus olhos nos meus,
te peço qualquer opinião...

Invento algum assunto
eu só quero ouvir você falar,
dizer uma besteira,
me contar qualquer coisa...

Porque é muito fácil te amar,
muito fácil demais te amar...

Mas ainda não sei te fazer entender,
que eu tenho por você
o amor de um mundo inteiro.