segunda-feira, 12 de junho de 2017

Imagem do dia!


Canalhas

Essencialmente magros, os canalhas nos rodeiam,
choram, coram, fingem amor, dor e ciúmes,
roubam, matam, desfiguram,
tem a carne fraca,
e a moral intacta como a de um cristão.

Vivem vida boa, boa vida mesmo,
de televisão, vida de filme bom,
sem miséria, sem tempo ruim,
vida de quem tem dom.

Essencialmente magros, todos tem ossos fracos,
sofrem demais, vivem quebrados,
morrem sozinhos, e como os passarinhos,
tão frágeis, tão pequenininhos,
por vezes são tristes demais.

Canalhas por toda parte,
canalhas na internet e na tevê,
canalhas nos jornais,
canalhas pelas ruas pra todo mundo ver...

Essencialmente magros, eles nunca morrem de fome,
por menos matam homens,
por pouco vivem muito, vivem demais,
canalhas, choram, coram, fingem amor, dor e ciúmes,
roubam, matam, desfiguram,
tem a carne fraca,
e a moral polida, intacta como a de um bom cristão.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Interno

Meu contínuo fado pessoal
estremece com a possibilidade de felicidade,
esconjuro essa plenitude burra de minha vida,
essa coisa do sorriso fácil e da alma vívida.

O escuro parece ser mesmo o meu lugar,
e meu corpo nega toda e qualquer investida à luz do dia,
minha sina parece ser
apenas viver no meu lugar, apenas ficar por lá.

O fado não pode terminar,
os meus versos mudos não devem acabar,
meus versos versados pelos olhos cheios de lágrimas devem continuar,
persistem, revivem, apenas devem continuar.

Pois a palavra é meu grilhão,
o sofrer meu carcereiro,
e eu, um interno satisfeito.