sexta-feira, 27 de abril de 2012

Chove no Rio de janeiro

Extensas noites frias
escolhendo por horas o que não dizer
só pra não escurecer demais...

São duas e pouco
e eu to meio rouco
resfriando, respirando o abandono.

Querendo ser mais homem só pra te ligar,
pra me desculpar de qualquer coisa.
Puxar assunto, falar besteira só pra ouvir sua risada
não é nada, não é nada... Mas me faz tão bem!

Chove no Rio de Janeiro
e o dia inteiro eu pedi pra Deus e o mundo
a coragem pra ir te procurar.

A tua falta me envenena
me alerta o tempo todo
que a vida não é essa
que existe um algo mais...

Talvez vida além das peças
que você costumava deixar pelo quarto...
E ensaiar pela cama,
só pra dizer o quanto não me ama mais.

Mas nessas noites frias,
coisas simples me fazem sorrir e sofrer.

A tua voz é um romance ainda não escrito
as tuas caras e bocas são os meus piores vícios
e as tuas roupas, essas são coisas que eu já nem sei lembrar.

Chove no Rio de Janeiro
e o dia inteiro ainda demora demais a passar.

Imagem do dia!



quinta-feira, 26 de abril de 2012

Sentença

Tem tanto tempo que eu ando fugindo
de todas as coisas que trazem você...

Tem tanto tempo que aquele amor de vícios
é tudo que eu tenho pra me manter.

Pequena, se eu sumir...
Se eu casar e tiver filhos,
se eu conseguir viver sem aquilo tudo
e não morrer de solidão...

Andando sem destino,
assim, sem o brilho dos teus olhos...
Eu só vejo a vida bem de cima,
como se já estivesse morto,
como se tudo mesmo perfeito, fosse pouco.

Por isso se eu morrer
não chore nem se preocupe.
Mas se eu viver demais
por favor me procure...
Não me deixe agonizar.

Já tem tanto tempo que eu passo por aqueles prédios
aqueles das tardes longas, quentes,
dos dias de sol com pouco ar pra respirar...

As varandas que fizemos bagunça,
os lugares que fizemos amor...

Todos esses cantos que no caos ainda me encantam
são lindos por que tem um pouco de você.

São áreas de escape pro meu coração
armadilhas, sentenças, são lembranças.

Por isso se eu morrer
não chore nem se preocupe.
Mas se eu viver demais
por favor me procure, me cure!
Não me deixe agonizar.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Rabiscos

Te faço hoje essa canção
por amor, merecimento ou paixão
por vício vivo ainda incompreendido aos teus rabiscos
ao teu jeito leve, leve, muito leve, permissivo
e a vontade gritando em seus olhos de cor.

Tudo, tudo, tudo, tudo...

Me faz crer que estou vidrado em você
sem razão maior do que o que eu posso ver a distância
sem nada pra dizer do calor do teu corpo
que só vendo vivo morto,
pra sempre vivo louco de maldades...

Te faço hoje essa canção
por vontade de cantar os teus traços
por amor aos teus dotes
e ao teu toque que virou cicatriz nos meus braços.

Tudo, tudo, tudo, tudo...

Me faz crer que o futuro te tem
te traz pra mais perto
te prende ao meu corpo
sorrindo da dor, do meu jeito de garoto
e do meu viver sempre arrastado, meio torto.

Te faço hoje essa canção
porque você tem me feito tão bem
com esse dom de ser feliz
tem deixado meu mundo tão zen.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Mascarada

Eu poderia ficar a noite inteira assim
te procurando nos lugares
te vigiando aqui do alto
vendo a tua luz nas sombras
caçando teus encantos em outras camas...

Acompanhando de longe os mesmos falsos passos
aquela dança de dizeres parvos
e o jeito lindo de não vivo pra ninguém.

Com a mesma marra fatiada na bandeja...
Mascarada, servindo de onda para os seus pagãos,
retirantes do mundo de certezas que você deixou correr das mãos.
Se jogando, se fazendo de boba, cantando alto e fora do tom,
escondendo os sorrisos de louca por debaixo do batom.

Indo e vindo linda
com as tuas e os teus dons
com mais amor nos olhos
do que eu tenho nos meus refrões.

Eu poderia ficar a vida inteira assim, te esperando,
cultuando os teus lados bons e ruins.
Mas eu não posso ficar mais um segundo a negar o seu corpo
e o que ele fez nascer de bom em mim.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Só talvez

Não vejo mais razão pra me furtar
desse desejo louco que me invade o pensamento...

Não há mais por que deixar pra lá,
se o que me mantém são...
É saber que um dia fui alguém que gosto mais,
saber que eu posso ser melhor do que agora vejo.

E sim, eu ainda não vejo uma razão
pra querer me furtar dessa vontade de sofrer,
já sem um por quê; já que você nem pensa mais em mim.

E o que passou ainda que seja só dor
é o que de doce restou, em léguas desse vulto escuro e insosso, que agora eu sou...

É o melhor que por incrível que pareça posso ser,
e é o que posso ver que ainda me faz sorrir.

Mas talvez nada disso seja mais verdade
do que as outras mentiras em série que vivemos por prazer...

E ai quem sabe num outro lugar,
numa outra vida, com certeza.

Em um outro plano, assim, bem distante.
Muito mais do que agora você se prestou a estar...

Talvez nesse lugar eu possa dormir em paz,
pensando ser de novo alguém pra ti.

Pensando ainda a dois, não só em mim.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Lúcido

Acabei de ter comigo a lucidez
em meio a todo esse descompromisso habitual.

Eu me encontrei num dia ruim
que já vai tarde ás seis da manhã.

Me vi com uma tranquilidade maior,
quase tive certeza do que eu fazia aqui.

Tive a noite como o dia e o dia como a noite
fui descaso, sou descaso...

Vivo assim de sorriso estampado
Intempestivo, súbito, excessivo... Mas vivo. Vivo!
E sem maiores problemas.

E a que os outros interessa? Não há nada que eu deva.
Pelo menos que eu me lembre... Nada que eu queira que pensem.

E por mais óbvio que seja...
Não foi fácil me ver livre do que eu não via.

Mas ai, eu tive comigo a lucidez.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Bom dia

Mais uma vez o dia não veio me fazer mal,
e é incrível, rever,
sentir essa tão antiga sensação.

É quase novidade,
quase milagre não ter medo de viver.
As coisas nem mudaram muito,
eu continuo escrevendo
repetindo os meus bordões e assuntos.

Batendo nas mesmas teclas,
dizendo o que eu sempre digo...

 Outro dia acordei querendo escrever um livro.

Ainda vivo pela comodidade,
sou o mesmo sempre largado e feliz agricultor de facilidades
colhendo as almas bonitas,
mas ainda com as mesmas dificuldades.

Continuo derrotado pelos nada fáceis falsos risos,
pelas frequentes perdas de rumo e falta de juízo,
pelo excesso do bom e velho; relaxa e fica tranquilo.

Ainda ando com aquele corpo roto, sem tino,
tendo presas as vontades mais intratáveis,
nos mesmos novos velhos dois mil cavalos calados,
que te fizeram tantos versos.

Meu entorno amadureceu, existem agora,
livros e coisas vermelhas, móveis de cardiologista,
pouca luz, poucos discos,
uns incensos, roupas, outros rabiscos.

Existem traumas também,
coisas que você largou por aqui
e ainda quadros, tapetes, e algumas crenças
a prancha empoeirada no canto do quarto
e outras fases esquecidas no armário.

Vejo que as coisas mudam mesmo,
principalmente sozinho aqui dentro.

Mas ainda curto o frio,
o ar ligado e as sensações
daquelas tardes de verão quente e úmido.

Ainda corro de água gelada,
e lembro sempre do que eu dizia
quando pra provocar você insistia, ligava o chuveiro,
me tentava de todos os jeitos.

Continuo perdido nas horas,
ocupado com toda essa minha desocupação.
Ganhando noites e perdendo os dias,
vivendo menos do que deveria.

É, algumas coisas não mudam mesmo,
principalmente sozinho, aqui fora.