domingo, 27 de janeiro de 2013
Luz do sol
porque ando ocupado ao seu nascer.
E durmo pra não ver,
eu durmo pra não mais sofrer...
Assistindo o que ele leva nesse precoce clarear,
despertando quem é de cama,
esquentando o sangue da calçada...
Enquanto isso eu sigo, sigo leve,
leve, luz do sol!
Sofrendo a preguiça do que eu não vivi,
sentindo nos olhos dores do que eu nem vi.
Luz do sol, eis aqui o seu hino maior.
Que também é o meu lamento maior...
A vida como ela é,
nem sempre é como deve ser.
E os ares quentes de dezembro
quase sempre me deprimem sem um porque.
Luz do sol,
ninguém sabe como pesa esse calor de andar aqui,
de sem querer se pegar sorrindo pro horizonte.
De ter que levar, traduzir na cor a esperança
e sem dó marcar na pele com orgulho toda essa andança.
Luz do sol,
vem trazer as meninas pras pedras
e rolar a bola na areia.
Vem lembrar que todo o dia que raia,
vai ser quente como o sangue latino dessas veias.
Há dias que não vejo o sol morrer
porque ando ocupado ao seu nascer.
E durmo pra não ver,
eu durmo pra não mais sofrer.
sábado, 26 de janeiro de 2013
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Maria Luiza
Enxague esta nova mágoa de nós
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Vou te contar
quase nada do que digo
além do que eu falo dos teus olhos.
E todos os enganos
são coisas que eu largo por aí
apenas por distração...
Por não saber como agir, como falar,
por não saber como fazer pra te amar sempre melhor.
E esse canto hoje é o meu medo,
medo que o meu timbre não esconde.
Eu ando ultimamente meio rouco,
eu ando por aí tão triste e solto.
Sempre um pouco louco demais pro teu gosto.
Mas tô tentando agora viver em paz,
mesmo morrendo de medo de dormir
e não acordar nunca mais do seu lado.
De acabar sendo mais um daqueles passos
que você se arrependeu de dar.
Vou te contar
que eu não sei nada da vida
e das verdades que eu posso dizer que vi
a mais linda foi o seu amor.
A mais linda...
Eu vou te contar.
Foi você.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Doer a paz
assustados, fervendo o medo, carregando coisas.
Chorando histórias tristes de outros tempos
que ninguém mais quer ouvir falar.
E esse teu porte assim sutil de passarinha,
tão frágil, impressionável
tão menina, tão sem nada pra dizer...
E do seu passo de quem pede socorro,
dos seus peitos, dos seus ombros, do seu rosto...
Não há o que dizer...
Sem ver roer o que há de falso em mim,
sem ver doer a minha paz.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Normal
e se não fosse eu não sei como seria.
Se tem outro jeito eu não sei,
talvez eu não domine, eu não entenderia.
Mas se o sol bate todas as portas,
sou eu que pulo as janelas e ando nas sombras.
Caçando corações,
arrastando amor pelas calçadas.
Atirando pra todos os lados,
distribuindo olhares e porradas...
Só pra ver se você aparece.
E como eu peço em minhas preces,
venha correndo e dizendo que sim...
Venha sorrindo e extorquindo já nos olhos
todo o amor que há em mim.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Morrendo por dias
quem já foi e não quer mais nada de si.
Mil noites em claro, dias nublados,
sábados curtos, domingos sem fim.
Quanto tempo passou
e eu aqui dormindo...
Sempre morto pro sol,
mas vivendo a noite cada segundo.
Eu to amando demais,
ando sofrendo pra burro.
Vivendo errado, perdendo coisas,
passando por poucas e boas...
Caminhando nos mesmos passos em branco,
fechando o corpo pra não te ver pelas ruas,
caçando ciscos com os olhos pra poder chorar,
andando pesado, quebrando as pedras portuguesas.
Triste é viver sempre distante,
fingindo que tudo nem foi tão bom assim,
passando as noites sozinho, pensando demais, fugindo.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Sábado
hoje é o seu dia, mas não tem data especial
é só porque hoje é sábado...
E sábado é um dia libertário,
é uma vontade louca de trocar a vida de cenário.
De ser poeta e nem sentir mais a dor de não ser dela,
dor de fingir que ela é minha e não tem mais ninguém.
Sábado é dia de trocar a máscara
de sair pela noite sem medo de fantasmas
de esquecer das belas, feras e cinderelas
de ser por si, de ser, deixa eu ver...
Como em decreto, é muito certo que seja assim:
Sábado há o direito inquestionável de ser feliz.
Esteja sol ou chuva
as gotas são só água, você não é de açucar.
E os raios de sol, sempre lindos
fazem vivos os olhos e a alma.
Não há defeito na paisagem
não falta verde, não falta o mar,
não falta o ar pra respirar...
A não ser que falte por amor,
assim não se pode reclamar.
Não há do que se queixar,
porque hoje é sábado.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Preferem você
e na minha cama só há um vazio que cresce.
E eu também procuro, perambulo pelas ruas
caçando déjà vus pela cidade,
meio torto, meio triste, meio morto...
Vago em minhas ruas e nada reconheço,
nem vejo mais graça em chamar Vinícius, de Montenegro.
É como se eu não vivesse de verdade,
é como se sem você não houvesse verdade.
Eu estou partido, sou desespero,
não minto, me entrego, não tem mais jeito.
Por onde eu ando todos os cantos me cobram você,
e até os bons amigos que me encontram, não escondem,
todos perguntam do mal que me aflige...
Sem falar nas pessoas vazias, essas com os sorrisos deprimentes,
que mastigam o pouco que me resta de amor pela vida,
e já sabem de prima que a minha aparência sofrida não mente.
Não há uma parte de mim
querendo que eu seja eu.
Todos preferem a gente.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Classe
Ela é uma desclassificada, mas me dobrou... Ela é maluca, é toda errada.
Mas com aqueles olhos verdes foi só bater o santo que me conquistou.
Ela vive louca, mas tem classe. Você precisa ver como ela segura o cachimbo de crack.
Duas da manhã: desce um chopp, desce dois, desce mais...
Enquanto sobe o sol, aperta um e vamos juntos ver no céu o que é que tem demais. Ver o que é que tem de bom pra amanhã de manhã nas areias do nosso Leblon.
Ela é uma desclassificada, mas me dobrou. É maluca, é viciada.
Mas com aqueles olhos de melancia foi só bater o santo que me conquistou pra toda vida.
Ela vive louca, mas tem um charme, tem beleza. Você precisa ver como ela estica uma carreira...
Já passam de três da tarde, e as cortinas defumadas espalham o cheiro de veneno que vem do tecido chileno no sofá — comprado nas férias de um ano não tão distante em que você decidiu esquiar.
E o sol não dá uma trégua na sua quadra, ferve o mundo bem ali na Barão com a Garcia d'Ávila. Desde cedo bate e espanca as trevas, numa luta lisérgica, no meio dessa sala imensa e infecta, gritando que dia de festa também é véspera de muita dor.
Hoje não há quem respire e fique puro; nesse lugar não há uma alma que não corra pra se abrigar num canto escuro.
Ela é uma desclassificada, mas me dobrou... É decadence avec elegance, e por isso aqui estou.
Vidrado nesses olhos verde-rubros de menina e cocaína...
Que matam e esquartejam qualquer rastro de monotonia. Que petrificam almas detestáveis a distância. Que sorriem como em eterno cinismo. Que fecham, somem e apagam sempre no vazio...
Numa única constante: é como um vício.



